X-Men: Apocalipse | Boqnews

Ponto de vista

25 de maio de 2016

X-Men: Apocalipse

bannerEm certo momento de X-Men: Apocalipse um dos personagens, diante de O Retorno do Jedi, aponta que o “terceiro filme é sempre o pior”. Talvez seja uma alusão ao O Conflito Final de 2006, mas também pode ser uma piada com o próprio filme onde a personagem se encontra.

Não que Apocalipse seja o pior filme dos três desde essa nova fase iniciada em Primeira Classe, o problema é que sem empolgar muito e ao mesmo tempo se permitindo uma série de escorregões, ainda que seja melhor que o anterior, a impressão que fica no final é de um filme grande, enorme, porém vazio e muito aquém de onde poderia chegar.

A trama pelo menos não se enrola com viagens no tempo, muito pelo contrário até, já que linearmente começa 2300 anos atrás apresentando ao espectador um mutante ultra poderoso que acaba ficando preso em meio aos escombros de sua própria pirâmide. Adormecido por todos esse séculos e milênios, Apocalipse (que é um desperdício do talento de Oscar Isaac) então acorda durante o ano de 1983 e decide continuar sua luta para fazer do mundo a imagem que acredita ser a melhor.

Do outro lado, Charles Xavier (James McAvoy), mais do que nunca ativo com sua Escola Para Jovens Superdotados, ensina mutantes com o controle seus poderes, mas após “cair” em uma armadilha do próprio Apocalipse, acaba sendo sequestrado e a única possibilidade de salvar ele e o mundo é entrando em ação seus inexperientes X-Men.

Em algum lugar da trama ainda surge Magneto (Michael Fassbender), como um dos “Quatro Cavaleiros de Apocalipse”, que na verdade servem muito mais de enfeite do que para qualquer coisa. Já do lado dos mocinhos, Mística (Jennifer Lawrence, que já está no piloto automático há um tempo) agora sai da dicotomia “vilã/mocinha” e lidera os X-Men.

Mas como fica claro ai na sinopse, Apocalipse não cativa, acerta em alguns pontos, mas acaba sendo apenas mais um trabalho burocrático de Bryan Singer (que além de comandar o último, ainda fez os dois primeiros de todos). O diretor não empolga em nenhuma cena de ação e repete o último filme ao apostar todas suas fichas em um única cena envolvendo o velocista Mercúrio (Evan Peters). A cena é realmente impressionante, mas acaba sendo muito pouco para o filme de duas horas e meia.

x-men-apocalipse-filmeE esse tamanho todo ainda é reflexo de um roteiro inchado de Simon Kinberg (que vem do último filme), que não tem a sensibilidade de perceber que muitas vezes “menos é mais”. De um lado, usa demais o mutante teletransportador Noturno (Kodi Smith-McPhee) para resolver qualquer conveniência de suas sequências, já que o personagem pode ir de uma lado a outro sem muita explicação. Do outro, perde um tempo enorme indo de nada a lugar nenhum em um arco inteiro só para que os fãs vejam um momento icônico do mutante preferido de dez entre dez fãs.

Mas Apocalipse não são só erros. Conseguindo fazer bem algo que muitos filmes no mesmo formato quase nunca conseguem: desenvolver bem seus personagens. Começando pelo vilão, que consegue superar as expectativas e movimentar a trama de modo violento e sutil. O acerto ainda vai pelos muitos personagens que passam pela tela, que ainda por cima são ajudados por um visual espalhafatoso (tanto pelos gibis, quanto pela década de 80) que será o delírio de muitos fãs.

Mas mesmo assim, X-Men: Apocalipse não consegue atrair tantas atenções, e principalmente no que deveria ser o grande conflito final, se arrasta em decisões pouco criativas e até já meio repetitivas. E mesmo que pareça ser o pior dos três dessa “nova fase” dos mutantes, se enrola menos que o anterior com aquele monte de viagens no tempo, mas por outro lado, demonstra claramente que esta mais que na hora de repensar o futuro dos mutantes no cinema.

Da Redação
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