Pós-quimioterapia: quais cuidados ajudam a fortalecer cabelo e unhas?
O fim da quimioterapia não significa que todas as mudanças provocadas pelo tratamento terminam imediatamente. Durante a recuperação, cabelo, unhas e pele podem continuar apresentando alterações que interferem até mesmo nos cuidados comuns de beleza.
De acordo com o National Cancer Institute (NCI), o crescimento dos cabelos costuma começar cerca de dois a três meses após o término da quimioterapia. O período, no entanto, pode variar de acordo com o tratamento realizado e as características de cada pessoa. Os novos fios também podem apresentar textura, espessura ou curvatura diferentes das que existiam antes do tratamento.
Para Marina Groke, diretora da Escova Express, rede de escovarias e tratamentos capilares, essa mudança vai além da aparência. O couro cabeludo também merece atenção durante a recuperação, principalmente quando ainda há sensibilidade ou ressecamento.
Higienização delicada, redução da exposição ao calor e cautela com procedimentos químicos estão entre os cuidados importantes nessa fase.
“É importante entender que o cabelo que nasce depois da quimioterapia está passando por uma fase de adaptação. Antes de pensar em transformar a aparência do fio, vale observar sua resistência, sua textura e a condição do couro cabeludo”, explica Marina.
A escolha dos produtos também deve ser criteriosa. Fórmulas muito agressivas e procedimentos que envolvam tração ou calor intenso podem ser inadequados enquanto os fios ainda apresentam fragilidade.
“Nem sempre um fio que aparenta estar bem já recuperou a mesma resistência de antes. Quebra, ressecamento intenso e sensibilidade são sinais que merecem atenção. Nessa fase, o cuidado deve acompanhar a resposta do cabelo, em vez de tentar acelerar a recuperação com procedimentos mais intensos”, afirma a profissional.
Unhas também precisam de atenção durante a recuperação
As mudanças provocadas pelo tratamento oncológico não ficam restritas aos cabelos. Dependendo dos medicamentos utilizados, as unhas também podem sofrer alterações durante e após a quimioterapia.
Fragilidade, descamação, mudanças de coloração, sulcos e sensibilidade estão entre as manifestações descritas pela American Cancer Society. A entidade orienta que alterações nas unhas sejam comunicadas à equipe de saúde, principalmente quando há dor, vermelhidão ou sinais de infecção.
Nesse contexto, a cutilagem, que consiste na manutenção da pele ao redor das unhas, exige atenção redobrada.
“Quando atendemos uma pessoa que passou por um tratamento oncológico, a cutícula recebe mais do que foco estético. A pele ao redor da unha funciona como uma barreira de proteção, então preservar sua integridade é fundamental. Um procedimento bem executado começa justamente por evitar uma lesão desnecessária”, explica Marina.
A profissional também é diretora da Unhas Cariocas, rede de esmalterias que, segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), está entre as maiores do segmento.
A marca desenvolveu uma técnica de cutilagem que dispensa o uso de alicate e é voltada principalmente a pessoas que necessitam de cuidados diferenciados, incluindo idosos, diabéticos e pacientes oncológicos. O método utiliza um emoliente para auxiliar na remoção das células mortas e, posteriormente, uma cureta.
“A ausência do alicate muda a dinâmica do procedimento porque elimina a necessidade de cortar a pele. Trabalhamos na remoção das células que já estão desprendidas, com mais controle. Ainda assim, o atendimento precisa respeitar a condição individual da cliente e as orientações da equipe médica quando houver tratamento em curso”, destaca a diretora.
Esmaltação também exige cautela
A esmaltação é outro ponto que merece atenção durante a recuperação. Antes de utilizar qualquer produto, é importante verificar sua composição e considerar a condição das unhas.
A prioridade deve ser preservar a região enquanto as unhas recuperam gradualmente suas características. Em caso de alterações persistentes, dor, inflamação ou suspeita de infecção, a orientação da equipe de saúde deve prevalecer.
Mais do que retomar rapidamente os cuidados estéticos anteriores ao tratamento, o período pós-quimioterapia exige uma adaptação da rotina. Respeitar o tempo de recuperação do organismo e observar a resposta da pele, dos cabelos e das unhas são medidas importantes para uma retomada mais segura dos procedimentos de beleza.