Disputa entre Lula e Bolsonaro escancara divisão política no País | Boqnews
Foto: Ricardo Stuckert/ Lule e Divulgação/Bolsonaro

Eleições

28 DE OUTUBRO DE 2022

Disputa entre Lula e Bolsonaro escancara divisão política no País

Em um cenário completamente polarizado, brasileiros voltam às urnas para escolher entre Lula (PT) e Bolsonaro (PL)

Por: Da Redação

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Uma nação dividida, um clima de apreensão, ataques nas redes sociais, divulgação de fake news, briga entre familiares e muito mais. Nem o roteirista com uma grande imaginação poderia descrever o atual cenário da política brasileira, onde o atual presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) travam um duelo histórico tanto na questão política, como ideológica.

Neste domingo (30), mais de 150 milhões de brasileiros voltam às urnas para o segundo turno e a disputa promete ser acirrada. Apesar da maioria das pesquisas colocarem a vantagem para o candidato do PT, o cenário segue em aberto.

Vale ressaltar que institutos de pesquisa, como o IPEC e o Datafolha, tiveram diversos erros no primeiro turno. Dessa forma, não há um favoritismo nesta eleição presidencial e tudo indica que haverá um grande equilíbrio na votação.

No primeiro turno, Lula só passou Bolsonaro, quando 70% das urnas já estavam apuradas. Ao final, o ex-presidente somou 48,4% dos votos válidos, contra 43,2% do presidente Bolsonaro, totalizando uma diferença de mais de 6 milhões de votos.

Logicamente, que a ampla maioria dos eleitores já decidiu o voto no segundo turno, mas existem os indecisos. É neste público que os candidatos dão uma atenção maior nos últimos momentos de campanha.

Outro ponto que pode decidir as eleições é o número de abstenções. No primeiro turno, o índice chegou 20.9% dos eleitores, assim mais de 32 milhões de brasileiros não compareceram aos locais de votação.

Cenário

O presidente eleito terá que enfrentar um país dividido ao longo do mandato. A cientista política Clara Versiani acredita que isso trará uma certa dificuldade para quem vencer as eleições. “Caso haja uma vitória de Lula, o petista terá que lidar com as diferenças no Congresso Nacional, já que o PL elegeu cerca de 100 deputados nestas eleições. No entanto, certas notícias já dão um cenário de certa acomodação de alguns partidos de centro-direita, como o União Brasil que já deu um sinal de colaborar com o governo, seja qual for o vencedor”, ressaltou Clara. “Se Bolsonaro for reeleito, essa divisão da sociedade brasileira também representa dificuldades para o seu governo”, salientou.

Dessa forma, a cientista política destacou que 2023 não será um ano fácil na questão política, não só pela polarização, mas também pela parte econômica.

Filme repetido?

A disputa entre Lula e Bolsonaro será umas das mais apertadas da história. Recentemente, o País teve uma eleição presidencial bem equilibrada. Em 2014, Dilma Rousseff (PT) conseguiu a reeleição, com 51,64% dos votos válidos, contra 48,36% de Aécio Neves (PSDB). A diferença entre os dois candidatos foi de cerca de 3,5 milhões de votos. O pleito de 2014 trouxe uma série de consequências para o futuro do Brasil. O PSDB chegou a pedir para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma auditoria para analisar a lisura do processo eleitoral.

Por sua vez, Dilma não terminou o mandato, pois sofreu um processo de impeachment em 2016, por conta das supostas pedaladas fiscais.
Clara Versiani lembra que o Congresso Nacional trouxe uma série de dificuldades para o governo de DIlma Rousseff. No entanto, ela afirma que os protagonistas são outros neste momento e contam com uma força política maior.

Divisão

A polarização está em toda parte do País. Uma das divisões mais evidentes é em relação aos votos por região. No primeiro turno, Bolsonaro venceu no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Já Lula ganhou no Norte, mas principalmente obteve uma grande vantagem na região Nordeste.

A região Norte é um ponto curioso desta polarização. Apesar da vitória do Lula na região, Bolsonaro ganhou nos estados do Acre, Rondônia e Roraima, ultrapassando a marca de 60%. Mas a maior disparidade foi no Nordeste. Lula somou 74,25% dos votos válidos no primeiro turno no estado do Piauí.

O cientista político Fernando Chagas explica que é importante destacar que a economia tem grande influência na votação da eleição presidencial no País, dividindo o resultado do pleito por região nas últimas disputas nacionais, de acordo com a preponderância de renda de cada área territorial. “Neste contexto, as regiões Sul e Sudeste apresentam grande parte da população com renda mais alta do País, tendendo sempre a votar em partidos conservadores e de defesa da liberdade econômica, enquanto o Nordeste revela que a maioria de seus habitantes têm renda mais baixa em relação ao resto do território, levando normalmente os seus cidadãos votarem em partidos progressistas, que advogam a intervenção do Estado na economia e pautas assistenciais em geral”, explicou.

“Por isso mesmo, o PSDB vencia as eleições presidenciais nos Estados mais ricos da Federação em pleitos antigos e o PSL em 2018 e o PL agora ganharam as mesmas disputas em tempos recentes, sempre apoiados pelas classes alta e média da sociedade, ao passo que o PT continuamente superou os adversários nos Estados mais pobres do País, justamente pela defesa da inclusão social e a melhor distribuição de renda”, salientou.

Preconceito

A divisão política do Brasil causou uma grande onda de preconceito nas redes sociais, tanto contra o Nordeste, onde Lula ganhou, como contra o Sul, onde Bolsonaro venceu nos três estados. Além disso, o preconceito se acentuou na opção sexual, na religião e até mesmo no gosto de música de cada pessoa.

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