Antes das prévias, xadrez eleitoral ao governo paulista começa a se fechar
Com a aproximação das convenções partidárias – que ocorrerão de 20 de julho a 5 de agosto – o jogo de xadrez eleitoral para o Palácio dos Bandeirantes começa se fechar.
Por trás da movimentação política há um fator fundamental: tempo no horário eleitoral gratuito.
Nesta sexta (8), foi a vez do ex-governador Marcio França anunciar a desistência de concorrer ao governo paulista, a despeito de ser o segundo colocado nas pesquisas.
Ontem, o ex-prefeito de São José dos Campos, Felício Ramuth, anunciou apoio ao ex-ministro da Tarcísio de Freitas em uma coligação PL-PSD-Republicanos.
Articulação feita pelo presidente da legenda, o ex-prefeito paulistano Gilberto Kassab.
No entanto, outras legendas podem ser incluídas nesta união.
Durante o Jornal Enfoque na semana passada, Ramuth havia dito que entre os dias 10 a 15 de julho o apoio ou não a Tarcísio seria confirmado.
E a decisão seria levada às prévias da legenda previstas para o dia 24 de julho, em sua terra política.
Portanto, a velocidade dos fatos políticos foram maiores que a data originalmente prevista.
PSDB e União Brasil
Paralelamente neste jogo de xadrez eleitoral, o governador Rodrigo Garcia se encontra com o presidente do União Brasil, Luciano Bivar, neste sábado (9).
Em troca de tempo (é a maior bancada no Congresso), a legenda vai indicar o vice ao governo paulista.
O evento marca aliança e apoio do partido à candidatura de Rodrigo Garcia ao governo de São Paulo.
O União Brasil surgiu da fusão entre o PSL e o DEM.
O primeiro foi o partido do presidente Jair Bolsonaro.
O segundo foi a legenda que abrigou Garcia, hoje no PSDB, a convite do ex-governador João Doria.
Assim, o MDB que indicaria o vice de Garcia, deve ficar com uma eventual indicação ao Senado.
Além disso, o Podemos também integra o arco de apoio ao governador.
Assim, de olho no horário eleitoral gratuito para chegar ao segundo turno, Garcia já contabiliza apoios do União Brasil, Podemos e MDB.
Além do seu partido, o PSDB.
Por enquanto.
O nome do seu vice é guardado a sete chaves pelo próprio governador.

Mudança de planos
O fato novo desta sexta foi no espectro político mais à esquerda, com a desistência do ex-governador Márcio França (foto).
Afinal, a movimentação política na chapa de Fernando Haddad no final de semana passado antecipou esta confirmação.
Isso porque no último domingo (3) os casais França, Haddad, Alckmin e Lula da Silva almoçaram juntos onde costurarem o acordo.
França vai abrir mão da candidatura para disputar vaga pelo Senado.
Por sua vez, a medida já era prevista desde o início da semana, mas não fora oficialmente comunicada.
Apesar da divulgação na imprensa, França nada postou em suas redes sociais, onde é presença constante.
No entanto, após conversas de bastidores para alinhavar a mudança de plano, o ex-governador paulista Márcio França (PSB) divulgou somente hoje à tarde em suas redes sociais que desistiu de concorrer ao cargo.
Pesquisas & pesquisas
Alegou que sempre falou que iria respeitar as pesquisas e que estava cumprindo o que fora prometido anteriormente.
França sempre ficou atrás de Haddad em todas as pesquisas.
No entanto, em vídeos anteriores, ele assegurava que era o único que poderia vencer em um eventual segundo turno, pois conseguiria agregar votos dos eleitores de candidatos que não fossem para o segundo turno, ao contrário de Haddad.
De qualquer forma, no vídeo, ele anunciou apoio ao ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação, Fernando Haddad (PT).
Assim, tornou público o que o mundo político já sabia desde o início da semana.
Interessante que há uma semana, França havia gravado vídeo onde escreveu que ‘era carne de pescoço’ e que ocupava a segunda colocação nas pesquisas.
Uma semana depois, o cenário mudou.
Afinal, a desistência de José Luiz Datena, que pela quarta vez chegou a anunciar que seria candidato e depois voltou atrás, na disputa ao cargo facilitou o caminho para o ex-governador.
No vídeo, França diz que há necessidade de união para combater o atual cenário de fome e desemprego que atinge o País.
E diz que estará ao lado de Lula e Alckmin em Brasília e de Fernando Haddad em São Paulo.