Igreja da Pompéia chega aos 100 anos e relembra história de Santos
A Igreja da Pompéia celebra seu centenário como principal símbolo do bairro em Santos.
Sendo assim, o templo foi construído quando a região ainda pertencia ao José Menino e ajudou a dar nome ao bairro, criado oficialmente em 1998.
A história da Pompéia, em Santos, começou antes de o bairro existir oficialmente. Quando os moradores da região se mobilizaram para construir uma igreja, em 1925, o território ainda fazia parte do José Menino.
Um século depois, a Igreja Nossa Senhora do Rosário de Pompéia chega aos 100 anos como uma das referências religiosas e históricas da cidade.
Além disso, ao longo desse período, o templo acompanhou o crescimento da região, passou por transformações e ajudou a construir a identidade do bairro que acabou recebendo seu nome.
Início de tudo
O primeiro templo surgiu a partir da mobilização dos moradores da região. O terreno foi doado pelo morador Francisco Loureiro e intermediado pela associação dos moradores do Campo Grande.
Dessa maneira, na época, a comunidade pertencia à Paróquia Santo Antônio do Embaré. Por isso, a construção ficou ligada à estrutura religiosa do Embaré.
A pedra fundamental foi lançada em 23 de agosto de 1925. Em 25 de setembro de 1926, ocorreu a inauguração do primeiro templo.
Poucos dias depois, em 1º de outubro de 1926, a comunidade foi elevada à condição de paróquia, deixando de pertencer ao Embaré.
Portanto, essa é a data que marca a criação da Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Pompéia. O atual pároco, padre Cláudio Kaleo, destaca a diferença entre o início da construção e a criação oficial da comunidade.
A dedicação da igreja tem outra data. 28 de outubro marca o rito de dedicação do templo, que para os católicos significa na transformação de fato da igreja em um templo religioso, equivalente ao batismo de um cristão.
Além disso, as pilastras estão cruzes de mármore acompanhadas por pequenas velas, relacionadas à cerimônia.
Um novo templo
Desse modo, o primeiro prédio não acompanharia por muito tempo o crescimento da região. Na segunda metade da década de 1930, surgiu o atual templo.

Um dos sete sinos. Foto: Ronaldo Tarallo Jr.
A igreja passou a reunir elementos que se tornaram parte de sua identidade, como 12 altares de mármore, sete sinos e piso de granito.

Vitrais dos apóstolos. Foto: Ronaldo Tarallo Jr.
Décadas depois, foram instalados os 12 vitrais em homenagem aos apóstolos, que se tornaram um dos elementos mais marcantes do interior do templo.
Centenário e seus sacerdotes
Ao longo de um século, diferentes religiosos estiveram à frente da Pompéia e acompanharam as transformações da comunidade.
O primeiro foi o padre João Batista de Camargo (1926–1930), ainda chamado de vigário. Depois vieram padre Genésio Nogueira Lopes (1930–1939), ligado ao início da construção do atual templo; monsenhor Alfredo Pereira Sampaio (1939–1950) e monsenhor João Joaquim Vicente Leite (1994–2000).
O monsenhor Benedito Vicente dos Santos Júnior (1950–1994), foi quem ficou mais tempo à frente da paróquia; concluiu as obras do templo e construiu o ginásio esportivo.
A longa permanência de alguns sacerdotes marcou a história da comunidade e criou vínculos com diferentes gerações de moradores.
Foi nesse contexto que, em 2000, padre Antônio Baldan Casal assumiu a Pompéia, iniciando uma nova etapa de quase duas décadas à frente da paróquia.
Era Baldan
Um dos períodos mais importantes da história recente foi a passagem do padre Antônio Baldan Casal, que esteve à frente da comunidade de março de 2000 a dezembro de 2016, segundo pároco a ficar mais tempo à frente da paróquia.
Quando chegou, havia cerca de dez pastorais organizadas. Ao longo de sua gestão, os grupos cresceram e novas frentes de atuação foram criadas.
A catequese também ganhou força.
Foi também nesse período que aumentou o número de missas. Baldan criou a celebração de domingo ao meio-dia.

Capela São João Paulo II. Foto: Ronaldo Tarallo Jr.
Durante sua gestão, foram instalados os 12 vitrais dos apóstolos, instalação dos ar-condicionados e construída a Igreja São João Paulo II, no Campo Grande e o Centro Pastoral, no complexo que hoje fica localizado o templo.
Um reencontro
No último dia 27 de setembro, ele retornou à Pompéia para participar da novena do centenário e celebrar a missa das 19h.
Recebido pela comunidade, o sacerdote reencontrou antigos e novos paroquianos.
“Foi uma comunidade que deixou muitas recordações, mas sobretudo pelo carinho do povo, pela presença do povo em todas as iniciativas, na construção da igreja nova São João Paulo II”, recordou Baldan.
Paróquia São Paulo Apóstolo
A expansão da região também levou à reorganização dos limites da Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Pompéia.
Em 25 de janeiro de 1976, na festa litúrgica de São Paulo Apóstolo, Dom David Picão, então Bispo Diocesano, criou, por decreto, a Paróquia São Paulo Apóstolo-Santos, desmembrada integralmente da Pompéia.
A instalação oficial ocorreu seis anos depois, em 25 de janeiro de 1982, quando padre Lúcio Floro Graziosi tomou posse como primeiro pároco.
Anos mais tarde, a relação entre as duas comunidades voltou a se aproximar. Durante cerca de cinco anos, em meados dos anos 2010, a Pompéia passou a acompanhar a Paróquia São Paulo Apóstolo, que estava sem pároco.
Bom Pastor e São João Paulo II
Hoje, três comunidades estão ligadas à estrutura pastoral: a Igreja Nossa Senhora do Rosário de Pompéia, a Igreja Bom Pastor, no Gonzaga, e a Igreja São João Paulo II, no Campo Grande.
A Bom Pastor existe desde a década de 1940 e foi administrada durante décadas pela Congregação das Irmãs Oblatas.
A Pompéia inicialmente era responsável pelas missas e, em 2020, passou a assumir integralmente a administração da capela.
Recentemente, o espaço passou por reforma. Os antigos muros de cimento foram substituídos por grades, deixando a igreja mais visível para quem circula pela região.
A São João Paulo II, por sua vez, completa dez anos em 2026.
Memória preservada
A igreja mantém imagens que atravessaram diferentes gerações.
Entre as mais antigas estão as de Santa Teresinha, Santa Josefina Bakhita, São João Paulo II e São Benedito. Esta última é a única imagem centenária, presente desde 1926.

Imagem de São Bartolomeu. Foto: Ronaldo Tarallo Jr.
Também está no templo a imagem de São Bartolomeu, relacionada à origem da devoção a Nossa Senhora de Pompéia na Itália.
O espaço de relíquias reúne aproximadamente 20 peças.
Obras dos 100 anos
A recuperação do prédio ganhou força a partir de 2024.
Dessa forma, a intervenção incluiu pintura externa e interna, iluminação, recuperação de imagens e trabalhos nos afrescos.
Na fachada, a pintura buscou recuperar as cores originais da igreja.
Portanto, parte da restauração do altar foi realizada pelo padre Felipe Monteiro Gonzalez, que também atua na paróquia.
As obras foram custeadas com a participação dos fiéis. Carnês foram distribuídos para arrecadação, somados ao dízimo, às doações, aos benfeitores e aos recursos das festas paroquiais.
Além disso, o templo também ganhou uma cátedra (local em que o padre fica sentado nas celebrações) fixa de mármore travertino.
Outras reformas

Ginásio reformado da Igreja Pompéia. Foto: Ronaldo Tarallo Jr.
As melhorias não ficaram restritas à igreja, o ginásio de esportes, utilizado para atividades e eventos, também passou por reforma.
Portanto, a intervenção preparou o espaço para receber a programação comemorativa e os encontros promovidos ao longo do ano.
100 anos em números
A transformação pode ser medida pelos números atuais.
Portanto, são 28 pastorais e aproximadamente 430 catequizandos, entre crianças, jovens e adultos.
Somente a igreja da Pompéia, recebe cerca de 70 casamentos por ano.
As missas de fim de semana chegam a receber aproximadamente 1.000 fiéis por celebração, totalizando quase 5.000 pessoas entre sábado à noite e domingo.
Dessa forma, a Associação São João Bosco, mantida pela paróquia, atende mais de 100 pessoas com cursos gratuitos diversos.
A manutenção conta com seis funcionários registrados, além de terceirizados, e é sustentada principalmente por mais de 400 dizimistas ativos, benfeitores, doações e eventos.
Atualmente, além do pároco, integram o clero que atua na comunidade os padres Felipe Monteiro Gonzalez e Elcio Antonio Ramos.
Novidades
Dessa maneira, a gestão atual ampliou a oferta de celebrações, incluindo as missas das 17h de terça-feira e quinta-feira.
“Estamos celebrando 100 anos de fé, de pessoas que têm fé em Jesus Cristo e esse amor, essa devoção à Virgem Maria, Nossa Senhora do Rosário de Pompéia. Ao mesmo tempo, são 100 anos de missão de uma igreja que marcou a história não somente do bairro, mas da cidade”, afirma padre Cláudio.
Programação
As atividades incluem apresentações, quermesse e outras ações abertas à comunidade.
Sendo assim, nesta próxima quinta-feira (1), data do aniversário, após a missa das 19h, haverá uma com a cantora Eliana Ribeiro na igreja Nossa Senhora do Rosário de Pompéia.
O último evento programado será o Baile do Centenário, marcado para 13 de novembro, na Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Santos.
Desse modo, os convites estão à venda na secretaria paroquial, localizada na lateral da paróquia, na Praça Benedito Calixto, 01.
Além disso, depois de um século de mudanças, a Igreja Nossa Senhora do Rosário de Pompéia mantém sua presença no cotidiano de Santos, cada dia mais viva, mantendo seu legado histórico e de transformação.
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