As Vias da Independência – Marquês de Olinda
Com a chegada do mês da independência, damos uma pausa em nossa série “Os Cochranes” e retornamos com nossa série sobre a Vias que contam a história da Independência do nosso país, de forma direta ou indireta.
Assim, nesta coluna falaremos sobre Marquês de Olinda, uma pessoa que não teve uma participação direta no dia 7 de setembro de 1822.
No entanto, esteve nas Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa, que como causa final seria tornar o Brasil um país independente.
Por isso, posteriormente viria a governar a nação no período da Regência Trina até que D. Pedro II assumisse o trono.
QUEM FOI MARQUÊS DE OLINDA?
Pedro de Araújo Lima nasceu no Engenho Antas, então distrito de Serinhaém (atual Gameleira), em Pernambuco,em 22 de dezembro de 1793.
Era filho do capitão Manuel de Araújo Lima e de Ana Teixeira Cavalcanti.
Portanto, descendia por parte de pai de famílias tradicionais ligadas à formação histórica de Pernambuco, como o donatário Duarte Coelho.
Assim, ainda jovem, estudou Humanidades no Recife, onde aprendeu latim, geometria e filosofia.
Dessa forma, seguiu em 1813 para Portugal e ingressou na Universidade de Coimbra.
Formou-se em Cânones em 1819 e retornou naquele mesmo ano ao Brasil.
Entretanto, a formação em Coimbra seria fundamental para a sua carreira.
O conhecimento jurídico e a experiência adquirida em Portugal o colocariam em contato direto com as ideias e disputas políticas que antecederam a Independência.
DA CORTE A INDEPENDÊNCIA
Assim, de volta ao Brasil, Araújo Lima ingressou no jornalismo e na política. Inicialmente nomeado ouvidor da comarca de Paracatu (MG), não chegou a exercer a função.
Em 1821, foi eleito por Pernambuco para representar as comarcas de Olinda e Recife nas Cortes Gerais, Extraordinárias e Constituintes da Nação Portuguesa, reunidas em Lisboa.
Esta Corte tinha como objetivo abolir a monarquia portuguesa e foi composta por membros de todas as províncias do Império Português – inclusive as brasileiras.
A experiência o colocou no centro da crise política que culminaria na separação entre Brasil e Portugal.
Em 1823, já depois da Independência, participou da Assembleia Geral Constituinte e Legislativa do Império.
PRIMEIRO REINADO
Assim, durante o Primeiro Reinado e os primeiros anos da Regência, Araújo Lima tornou-se uma das principais figuras do Parlamento brasileiro.
Foi eleito deputado por Pernambuco em sucessivas legislaturas e chegou à presidência da Câmara dos Deputados. Ocupou o cargo em diferentes períodos, entre 1827 e 1837, tornando-se uma das figuras mais experientes do Parlamento.
Paralelamente, foi ministro do Império em diferentes momentos e, em 1832, comandou o Ministério da Justiça, acumulando interinamente a pasta dos Estrangeiros.
Em 1827, foi nomeado diretor da Academia de Direito de Olinda, instituição que fazia parte do processo de formação da elite jurídica brasileira.
Sua influência crescia justamente quando o país começava a enfrentar as dificuldades políticas que marcaram os últimos anos do Primeiro Reinado.
REGÊNCIA DO BRASIL
Em 1837, o Brasil vivia o turbulento período da Regência. D. Pedro I havia abdicado em 1831 e seu filho ainda era menor de idade.
Dessa forma, o país enfrentava revoltas em diferentes províncias, ameaçando a estabilidade e até mesmo a unidade territorial do Império.
Cabanagem, Sabinada, Balaiada e Revolução Farroupilha estavam entre os movimentos que marcaram aquele período.
Em setembro daquele ano, o regente Diogo Antônio Feijó renunciou. Araújo Lima, então ministro do Império, assumiu a Regência interinamente.
No ano seguinte, foi eleito regente único, permanecendo à frente do governo até 23 julho de 1840.
Paralelamente a tudo isso, foi escolhido senador vitalício por Pernambuco. No dia 18 de julho de 1841, recebeu o título de Visconde de Olinda. Treze anos depois, em 2 de dezembro de 1854, tornou-se Marquês de Olinda. Em 1842, tornou-se também Conselheiro de Estado.
LEGADO E MORTE
Seu período no poder também coincidiu com a criação ou organização de instituições que teriam enorme importância para o Brasil.
Assim, em 1838, houve a fundação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, dedicado ao estudo e à preservação da história nacional.
Também foi criado o Imperial Colégio Pedro II, que se tornaria uma das mais tradicionais instituições de ensino do país.
Portanto, outro marco foi a criação do Arquivo Público do Império, antecessor do atual Arquivo Nacional. O próprio Arquivo Nacional reconhece Pedro de Araújo Lima como seu fundador.
Presidiu o Conselho de Ministros (cargo equivalente ao de Primeiro-ministro) quatro vezes em diversos períodos entre 1848 e 1866.
Morreu no Rio de Janeiro em 7 de junho de 1870.
A RUA
Com cerca de 140m, ligando a R. D. Pedro I e a Rua Carvalho de Mendonça, na Vila Belmiro, foi criada pelo prefeito José de Sousa Dantas em 12 de janeiro de 1929.
A via substituiu a antiga Rua Aprovada 332.
Na Baixada Santista, Itanhaém, Praia Grande e Peruíbe também homenageiam o Marquês.
