As Vias da Independência – Pedro Américo, a imagem do 7 de setembro | Boqnews
29 de setembro de 2026

As Vias da Independência – Pedro Américo, a imagem do 7 de setembro

Desde 2024, quando iniciamos esta série sobre a transformação do Brasil em nação autônoma, sempre trouxemos personagens que estão ligados direta ou indiretamente ao fato, a data ou aos momentos de consolidação de país independente.

No entanto, o personagem desta coluna em nada tem ligação com esta efeméride, pois seu nascimento e morte se deu após o início do segundo reinado.

Porém, quando se fala na independência do Brasil, a primeira frase que vêm na cabeça é “Independência ou morte!” e quando se fala em uma imagem deste fato, automaticamente somos transportados para a pintura de mesmo nome da nossa via de hoje.

Assim, Pedro Américo de Figueiredo e Melo foi um dos principais artistas brasileiros do século XIX, um dos nomes mais importantes da pintura histórica nacional.

Autor de obras que ajudaram a construir a imagem de episódios marcantes da história do Brasil.

QUEM FOI PEDRO AMÉRICO?

Pedro Américo de Figueiredo e Melo nasceu em 29 de abril de 1843, em Areia, na então província da Paraíba do Norte.

Filho do violinista Daniel Eduardo de Figueiredo, desde criança demonstrou talento para o desenho.

Em 1852, quando tinha apenas nove anos, foi convidado a acompanhar a expedição como desenhista do naturalista francês Louis Jacques Brunet.

Durante cerca de vinte meses, percorreu diferentes regiões, passando por áreas da Paraíba e de outras províncias nordestinas.

A experiência contribuiu para revelar seu talento e abriu caminho para sua formação artística.

RUMO AO RIO DE JANEIRO

No final de 1854, Pedro Américo deixou a Paraíba e seguiu para o Rio de Janeiro.

Matriculou-se no Colégio Pedro II e, em 1855, ingressou na Imperial Academia de Belas Artes, onde rapidamente se destacou. Durante sua formação, recebeu diversos prêmios e medalhas.

Seu desempenho chamou a atenção do imperador D. Pedro II, que apoiou seus estudos no exterior.

Em 1859, partiu para a Europa, onde aperfeiçoou sua formação artística na França. Estudou na Escola de Belas Artes de Paris e também frequentou instituições voltadas às ciências e à filosofia.

Entre seus mestres estavam nomes importantes da pintura acadêmica, como Jean-Auguste-Dominique Ingres, Léon Cogniet e Horace Vernet.

O PINTOR DA HISTÓRIA

De volta ao Brasil, Pedro Américo passou a atuar como professor da Academia Imperial de Belas Artes.

Sua produção ganhou destaque especialmente na pintura histórica, gênero que buscava representar acontecimentos considerados importantes para a formação da identidade nacional.

Entre suas obras estão Batalha de Campo Grande, Batalha do Avaí, Tiradentes Esquartejado, Cristo Morto e o mais famoso de sua carreira, Independência ou Morte!, que retrata o momento da independência do Brasil.

O GRITO DO IPIRANGA

O grito do Ipriranga. Reprodução/Tela de Pedro Américo

Foi, porém, com Independência ou Morte!, também conhecida como O Grito do Ipiranga, que Pedro Américo entrou definitivamente para o imaginário nacional.

A obra foi encomendada em 1886 e concluída em 1888, em Florença, décadas depois do episódio representado.

A tela mostra D. Pedro I acompanhado de sua comitiva no momento simbólico da proclamação da Independência.

Assim, a pintura não é um registro fotográfico do acontecimento de 7 de setembro de 1822. Trata-se de uma interpretação artística produzida dentro dos padrões da pintura histórica do século XIX.

A obra foi exposta inicialmente em Florença e posteriormente trazida ao Brasil. Desde 1895, encontra-se no Museu Paulista, no bairro do Ipiranga em São Paulo.

BATALHA DO CAMPO GRANDE

Batalha do Avaí na tela de Pedro Américo. Reprodução

Concluída na década de 1870, a Batalha do Avaí tornou-se uma de suas obras de maior reconhecimento internacional.

A pintura foi apresentada em Florença e contribuiu para consolidar a reputação de Pedro Américo no cenário artístico europeu.

Dessa forma, aproveitando a onda de patriotismo desencadeada pela vitória brasileira na Guerra do Paraguai, e incentivado pelo imperador, pintou em 1871 a tela Batalha do Campo Grande, uma composição de grandes dimensões em que buscou enaltecer a monarquia e o principal herói na batalha, o Conde d’Eu, marido de princesa Isabel.

Batalha de Campo Grande. Reprodução tela de Pedro Américo

A REPÚBLICA

Assim, apesar de ter construído grande parte de sua carreira durante o Império, Pedro Américo também participou da vida pública depois da Proclamação da República.

Foi eleito deputado federal pela Paraíba em 1890 e durante seu mandato defendeu a criação de museus, galerias e universidades pelo país.

Entretanto, sua atuação política não apagou sua trajetória artística. Mesmo durante esse período, continuou ligado à produção intelectual e às artes.

ÚLTIMOS ANOS

Nos últimos anos de vida, Pedro Américo voltou a se dedicar intensamente à produção artística na Europa.

Estabelecido em Florença, na Itália, continuou pintando e escrevendo.

Morreu na cidade italiana em 7 de outubro de 1905, aos 62 anos, vítima de “cólica de chumbo”, suposta intoxicação pelas tintas que usava.

A RUA

Com cerca de 1.100 metros, cruzando os bairros Campo Grande e Encruzilhada, a via substituiu em 17 de abril de 1923, pelo vice-prefeito em exercício Arnaldo Ferreira de Aguiar, a Rua 134 que também era conhecida popularmente como Rua dos Japoneses.

Na Baixada Santista, Praia Grande e Itanhaém também homenageia o pintor.

 

Ronaldo Tarallo Jr.
Ronaldo Tarallo Jr. , jornalista
Compartilhe:
✕

Quem Somos

Boqnews.com é um dos produtos da Enfoque Jornal e Editora, que edita o Boqnews, jornal em circulação em Santos, no litoral paulista, desde 1986.

Fundado pelo jornalista Jairo Sérgio de Abreu Campos, o veículo passou a ser editado pela Enfoque desde 1993, cujos sócios são os jornalistas Humberto Challoub e Fernando De Maria dos Santos, ambos com larga experiência em veículos de comunicação e no setor acadêmico, formando centenas de gerações de jornalistas hoje atuando nos mais variados veículos do País e do exterior.

Seguindo os princípios que nortearam a origem do Jornal do Boqueirão nos anos 80 (depois Boqueirão News, sucedido pelo nome atual Boqnews) como veículo impresso, o grupo Enfoque mantém constante atualização com as novas tendências multimídias garantindo ampliação do leque de conteúdo para os mais variados públicos diversificando-o em novas plataformas, mas sem perder sua essência: a credibilidade na informação divulgada.

A qualidade do conteúdo oferecido está presente em todas as plataformas: do jornal impresso ou digital, dos programas na Boqnews TV, como o Jornal Enfoque - Manhã de Notícias, e na rádio Boqnews, expandido nas redes sociais.

Aliás, credibilidade conquistada também na realização e divulgação de pesquisas eleitorais, iniciadas em 1996, e que se transformaram em referência quanto aos resultados divulgados após a abertura das urnas.

Não é à toa que o slogan do Boqnews sintetiza o compromisso do grupo Enfoque com a qualidade da informação: Boqnews, credibilidade em todas as plataformas.

✕

Expediente

Boqnews.com é parte integrante da Enfoque Jornal e Editora (CNPJ 08.627.628/0001-23), com sede em Santos, no litoral paulista.

Contatos - (13) 3326-0509/3326-0639 e Whatsapp (13) 99123-2141.

E-mail: [email protected]

Jairo Sérgio de Abreu Campos - fundador / Humberto Iafullo Challoub - diretor de redação / Fernando De Maria dos Santos - diretor comercial/administrativo.

✕

Atenção

Material jornalístico do Boqnews (textos, fotos, vídeos, etc) estão protegidos pela Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610 de 1988). Proibida a reprodução sem autorização.

Este site usa cookies para personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Conheça a nossa Política de Cookies.