As Vias da Independência – Pedro Américo, a imagem do 7 de setembro
Desde 2024, quando iniciamos esta série sobre a transformação do Brasil em nação autônoma, sempre trouxemos personagens que estão ligados direta ou indiretamente ao fato, a data ou aos momentos de consolidação de país independente.
No entanto, o personagem desta coluna em nada tem ligação com esta efeméride, pois seu nascimento e morte se deu após o início do segundo reinado.
Porém, quando se fala na independência do Brasil, a primeira frase que vêm na cabeça é “Independência ou morte!” e quando se fala em uma imagem deste fato, automaticamente somos transportados para a pintura de mesmo nome da nossa via de hoje.
Assim, Pedro Américo de Figueiredo e Melo foi um dos principais artistas brasileiros do século XIX, um dos nomes mais importantes da pintura histórica nacional.
Autor de obras que ajudaram a construir a imagem de episódios marcantes da história do Brasil.
QUEM FOI PEDRO AMÉRICO?
Pedro Américo de Figueiredo e Melo nasceu em 29 de abril de 1843, em Areia, na então província da Paraíba do Norte.
Filho do violinista Daniel Eduardo de Figueiredo, desde criança demonstrou talento para o desenho.
Em 1852, quando tinha apenas nove anos, foi convidado a acompanhar a expedição como desenhista do naturalista francês Louis Jacques Brunet.
Durante cerca de vinte meses, percorreu diferentes regiões, passando por áreas da Paraíba e de outras províncias nordestinas.
A experiência contribuiu para revelar seu talento e abriu caminho para sua formação artística.
RUMO AO RIO DE JANEIRO
No final de 1854, Pedro Américo deixou a Paraíba e seguiu para o Rio de Janeiro.
Matriculou-se no Colégio Pedro II e, em 1855, ingressou na Imperial Academia de Belas Artes, onde rapidamente se destacou. Durante sua formação, recebeu diversos prêmios e medalhas.
Seu desempenho chamou a atenção do imperador D. Pedro II, que apoiou seus estudos no exterior.
Em 1859, partiu para a Europa, onde aperfeiçoou sua formação artística na França. Estudou na Escola de Belas Artes de Paris e também frequentou instituições voltadas às ciências e à filosofia.
Entre seus mestres estavam nomes importantes da pintura acadêmica, como Jean-Auguste-Dominique Ingres, Léon Cogniet e Horace Vernet.
O PINTOR DA HISTÓRIA
De volta ao Brasil, Pedro Américo passou a atuar como professor da Academia Imperial de Belas Artes.
Sua produção ganhou destaque especialmente na pintura histórica, gênero que buscava representar acontecimentos considerados importantes para a formação da identidade nacional.
Entre suas obras estão Batalha de Campo Grande, Batalha do Avaí, Tiradentes Esquartejado, Cristo Morto e o mais famoso de sua carreira, Independência ou Morte!, que retrata o momento da independência do Brasil.
O GRITO DO IPIRANGA

O grito do Ipriranga. Reprodução/Tela de Pedro Américo
Foi, porém, com Independência ou Morte!, também conhecida como O Grito do Ipiranga, que Pedro Américo entrou definitivamente para o imaginário nacional.
A obra foi encomendada em 1886 e concluída em 1888, em Florença, décadas depois do episódio representado.
A tela mostra D. Pedro I acompanhado de sua comitiva no momento simbólico da proclamação da Independência.
Assim, a pintura não é um registro fotográfico do acontecimento de 7 de setembro de 1822. Trata-se de uma interpretação artística produzida dentro dos padrões da pintura histórica do século XIX.
A obra foi exposta inicialmente em Florença e posteriormente trazida ao Brasil. Desde 1895, encontra-se no Museu Paulista, no bairro do Ipiranga em São Paulo.
BATALHA DO CAMPO GRANDE

Batalha do Avaí na tela de Pedro Américo. Reprodução
Concluída na década de 1870, a Batalha do Avaí tornou-se uma de suas obras de maior reconhecimento internacional.
A pintura foi apresentada em Florença e contribuiu para consolidar a reputação de Pedro Américo no cenário artístico europeu.
Dessa forma, aproveitando a onda de patriotismo desencadeada pela vitória brasileira na Guerra do Paraguai, e incentivado pelo imperador, pintou em 1871 a tela Batalha do Campo Grande, uma composição de grandes dimensões em que buscou enaltecer a monarquia e o principal herói na batalha, o Conde d’Eu, marido de princesa Isabel.

Batalha de Campo Grande. Reprodução tela de Pedro Américo
A REPÚBLICA
Assim, apesar de ter construído grande parte de sua carreira durante o Império, Pedro Américo também participou da vida pública depois da Proclamação da República.
Foi eleito deputado federal pela Paraíba em 1890 e durante seu mandato defendeu a criação de museus, galerias e universidades pelo país.
Entretanto, sua atuação política não apagou sua trajetória artística. Mesmo durante esse período, continuou ligado à produção intelectual e às artes.
ÚLTIMOS ANOS
Nos últimos anos de vida, Pedro Américo voltou a se dedicar intensamente à produção artística na Europa.
Estabelecido em Florença, na Itália, continuou pintando e escrevendo.
Morreu na cidade italiana em 7 de outubro de 1905, aos 62 anos, vítima de “cólica de chumbo”, suposta intoxicação pelas tintas que usava.
A RUA
Com cerca de 1.100 metros, cruzando os bairros Campo Grande e Encruzilhada, a via substituiu em 17 de abril de 1923, pelo vice-prefeito em exercício Arnaldo Ferreira de Aguiar, a Rua 134 que também era conhecida popularmente como Rua dos Japoneses.
Na Baixada Santista, Praia Grande e Itanhaém também homenageia o pintor.
