Prático Fábio Mello Fontes ganha biografia
Apaixonado pelo mar desde criança, Fábio Mello Fontes entrou na Praticagem em janeiro de 1969 e continua conduzindo navios com a mesma paixão, habilidade e técnica. Pela oitava vez na presidência da entidade, ele é uma figura querida e respeitada e tem orgulho de contar que passou por muitos desafios e já fez cerca de 30 mil manobras em todas essas décadas.
Sobre a biografia, desde o início diz que sua vida é comum e que não acha que pode interessar. Será? Quando Fontes começa a contar histórias – e olha que são muitas – não há quem resista. Ele acompanhou as principais mudanças nos portos de Santos e São Sebastião, fez três viagens para a Antártica a bordo do navio Professor Besnard, contribuiu para ampliar a comunicação da praticagem com a comunidade e enfrentou vários desafios e riscos assessorando os comandantes na entrada e saída dos navios nos portos. E ainda tem um acervo de mais de 120 maquetes de navios de todo o mundo.
Bruno Tavares, Vice-presidente da Praticagem de São Paulo, comenta na apresentação da biografia. “Esse livro é o fechamento de um ciclo, é a cereja do bolo que faltava na história de Fábio Mello Fontes. Ele é uma lenda para a cidade de Santos e para as praticagens do Brasil. Tem nome de ponte, é reconhecido como presidente vitalício, é conhecido mundialmente e, certamente, é um dos mais antigos em tempo de praticagem no mundo.
Na comunidade portuária, seja nos terminais, amarradores, rebocadores, pessoal do porto em geral, todos conhecem o Fontes. O livro é um legado histórico para os novos práticos, para a cidade, para o setor portuário. Sua trajetória é um exemplo para os jovens, ele faz toda a diferença por onde passa. Pessoas como ele fazem a humanidade melhor.”
A obra
O livro foi preparado a partir de muitas entrevistas com o biografado, conversas com seus familiares, amigos e práticos. A excelente memória de Fontes facilitou a tarefa para narrar sua vida, as mudanças, o encontro com a esposa Ed d’ El-Rei Berbert Fontes, a chegada dos três filhos e a vida profissional recheada de casos interessantes. A morte do filho e da esposa foram as maiores tristezas de sua trajetória.
Sendo assim, o amor pelo mar sempre esteve presente, como ele conta: “Desde garoto, por volta dos 10, 11 anos de idade, quando ainda morava na Euclides da Cunha, vinha para a Ponta da Praia ficar na ponte dos práticos olhando fascinado a entrada e saída de navios. Sempre pensava que um dia queria muito estar dentro deles. enquanto os meninos da minha idade jogavam taco e bola, eu só queria ver os navios passando. Fui marinheiro nos navios à vela. Fiz a escolha certa. Passei pela Marinha Mercante e depois prestei concurso para prático para ficar mais perto da família. Adoro meu trabalho.”
Em seu início na Praticagem, Fontes quis apresentar um trabalho o mais próximo da perfeição em cada um dos navios que manobrava, para compensar a desconfiança que sua aparência excessivamente jovem causava nos comandantes. “Eu tinha que caprichar ao extremo, percebia que os comandantes faziam muitas perguntas. Eu tinha 30 anos, mas com cara de 23, 25, e eles não entendiam como alguém tão jovem poderia fazer um bom trabalho e que ainda tivesse a habilidade necessária. Foi meu maior desafio”, revela na obra.
Falar de praticagem é falar de motivação: “Nossa função é assessorar o comandante de navio, de carga ou de passageiros, nas áreas restritas de navegação (entrada e saída dos portos), locais de grande risco de acidentes. Nessas áreas é fundamental o conhecimento das condições locais, como ventos, correntes, variações de marés, assoreamentos, entre outras interferências, em permanente mutação. Uma manobra que fazemos em uma hora, o comandante demoraria três horas. Os comandantes, que falam inglês, não teriam como falar com o rebocador. O nosso grau de prontidão no atendimento aos navios é um dos mais altos do mundo, além da segurança”, informa.
Depois de tantos anos, ser feliz é uma prioridade: “Quero continuar em atividade, ter o propósito de me manter saudável e ativo e reservar tempo para a família e o que me dá prazer, como fotografia e manejo de drones”.
Além disso, para os mais jovens, fica o conselho: “Nunca seguir a escolha profissional por dinheiro. Já vi muitas pessoas ricas e infelizes com seu trabalho. Ter bom senso, se atualizar sempre, ter humildade para trabalhar em equipe, conhecimento, dedicação e intuição para entregar sempre o melhor trabalho.”
Onde fica?
Fabio Mello Fontes, uma lenda do mar
Lançamento Pinacoteca Benedito Calixto
Endereço: Avenida Bartolomeu de Gusmão, 15, Santos
Dia: 29/08
Local: Pinacoteca Benedito Calixto
Horário: a partir das 17 horas
Estacionamento no local, com entrada pela Epitácio Pessoa, 100.
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