Tenda Oxum debate preservação do patrimônio em Santos
A preservação da memória, da ancestralidade e do patrimônio das tradições afro-brasileiras será tema de um encontro na próxima terça-feira (18), em Santos. A Tenda Espírita de Umbanda Imaculada Conceição Oxum receberá autoridades, representantes da comunidade e convidados para discutir a proteção do espaço, que reúne mais de cinco décadas de história.
O encontro começa às 14h e contará com a participação de Danilo Nunes, superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) no Estado de São Paulo. A programação também reunirá outras autoridades para uma conversa sobre memória, patrimônio, ancestralidade e preservação.
Atualmente, a Tenda Oxum busca o reconhecimento e a proteção de seu patrimônio histórico e cultural. Nesse sentido, a iniciativa não envolve apenas a conservação do prédio. A proposta também contempla saberes, ritos, objetos, vivências e relações comunitárias construídas ao longo de décadas.
Além disso, o dossiê histórico da Casa destaca o valor histórico, cultural, ritual, social e simbólico da Tenda. Dessa forma, o espaço representa uma referência para a preservação dos saberes Congo-Angola e da memória afro-brasileira em Santos e na Baixada Santista.
Tenda Oxum reúne mais de cinco décadas de história
Localizada na Rua Dona Luísa Macuco, 97, na Vila Matias, em Santos, a Tenda Oxum, também conhecida como Nzo Nkisi Ndandalunda, representa uma importante referência das tradições de matriz africana na Baixada Santista.
A história da Casa começou na década de 1970, com a atuação de Magnólia dos Santos Fonseca, conhecida como Mam’etu Maza Kessy. A instituição registrou oficialmente sua constituição em 22 de maio de 1972.
Antes de chegar ao endereço atual, a Tenda funcionou em outros dois locais: na Rua Campos Sales e na Rua da Constituição. Pouco depois de sua fundação, a instituição também conquistou reconhecimento público. Em 1974, recebeu o título de Utilidade Pública Municipal. No ano seguinte, ganhou o título de Utilidade Pública Estadual.
Maza Kessy deixou legado na cultura afro-brasileira
A trajetória da Tenda Oxum está diretamente ligada à sua fundadora. Nascida no Nordeste, Mam’etu Maza Kessy manifestou sua mediunidade ainda na infância. Mais tarde, construiu sua trajetória religiosa entre a Umbanda e as tradições do Candomblé Congo-Angola.
Na década de 1970, Maza Kessy recebeu a consagração ao Nkisi Ndanda Lunda. A partir daí, dedicou décadas à formação de filhos e filhas de santo. Segundo o dossiê histórico da Casa, mais de 500 médiuns aprenderam com sua orientação.
Ao mesmo tempo, sua atuação ultrapassou o campo religioso. Maza Kessy participou de ações sociais, promoveu acolhimento, estimulou debates e apoiou iniciativas de valorização das tradições afro-brasileiras.
Por sua dedicação e trajetória, recebeu diferentes homenagens. Entre elas estão o Prêmio Dandara dos Palmares, em 2009, e o Prêmio Tereza Benguela.
Maza Kessy morreu em 18 de outubro de 2021. No entanto, seu legado permanece presente na Tenda Oxum e na comunidade que mantém viva sua história.
Por isso, a preservação do espaço representa também a proteção de conhecimentos, práticas, memórias e referências ancestrais. A iniciativa busca garantir que esse patrimônio continue acessível às próximas gerações.
O encontro é gratuito e aberto ao público.
Serviço
Evento: Tenda Oxum – Encontro de Memória e Resistência
Data: 18 de agosto de 2026
Horário: 14h às 17h
Local: Tenda Oxum – Rua Dona Luísa Macuco, 97, Vila Matias, Santos-SP
Valor: Gratuito
Informações: Instagram @tendaoxum