As Vias da Independência – Visconde de Cayru
José da Silva Lisboa, o Visconde de Cayru, não participou diretamente do 7 de setembro de 1822.
Contudo, esteve ligado a algumas das principais transformações que antecederam e culminaram com a Independência do Brasil.
Economista, jurista, professor, escritor e político, participou da administração portuguesa no Brasil após a chegada da Corte.
Assim, defendeu a liberdade comercial e teve influência nas medidas que marcaram a abertura dos portos brasileiros.
Mais tarde, participou da Assembleia Constituinte e tornou-se senador do Império.
QUEM FOI VISCONDE DE CAYRU?
José da Silva Lisboa nasceu em Salvador, na Bahia, em 16 de julho de 1756.
Era filho de Henrique da Silva Lisboa, português, e de Helena Nunes de Jesus, brasileira.
Assim, ainda jovem, dedicou-se aos estudos e, em 1774, seguiu para Portugal, onde ingressou na Universidade de Coimbra.
Dessa forma, estudou Direito Canônico e Filosofia e retornou à Bahia, onde passou a lecionar Filosofia Racional e Moral.
Também implantou e ministrou aulas de grego.
No entanto, deixou o magistério em 1797 para assumir funções na administração da Bahia, entre elas a de deputado e secretário da Mesa de Inspeção.
Portanto, além do Direito e da Filosofia, Silva Lisboa passou a se dedicar cada vez mais à Economia, influenciado pelas ideias do escocês Adam Smith e pelo pensamento iluminista da época.
CHEGADA DA CORTE
Assim, quando a família Real chegou ao Brasil, em 1808, o então futuro Visconde já era reconhecido por seus conhecimentos econômicos.
Dessa forma, passou a ocupar funções de maior importância junto ao governo.
Em 28 de janeiro, D. João VI assinou a Carta Régia que determinou a abertura dos portos brasileiros às nações amigas.
No entanto, apesar de Silva Lisboa não ser autor desta decisão, suas ideias sobre liberdade comercial fizeram com que seu nome ficasse diretamente associado ao processo.
Com isso, a medida rompeu com parte das restrições do antigo sistema colonial, permitindo ao Brasil ampliar suas relações comerciais com outras nações.
A abertura dos portos não significou a Independência naquele momento, mas representou uma das mudanças que contribuíram para o enfraquecimento das antigas estruturas coloniais.
NOVAS FUNÇÕES
Assim, com a instalação da Realeza no Rio de Janeiro, o economista passou a exercer novas funções na administração.
Em 23 de fevereiro de 1808, foi nomeado professor de Economia Política.
Posteriormente, ocupou diversos cargos públicos, entre eles funções na Real Junta do Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegação.
Sua atuação se deu na Casa de Suplicação e em órgãos ligados à administração e à censura régia.
A proximidade com a administração joanina fez de Silva Lisboa uma das figuras intelectuais mais importantes do período de permanência da Corte portuguesa no Brasil.
A INDEPENDÊNCIA
A Revolução Liberal do Porto, em 1820, colocou em crise a estrutura política criada com a transferência da Corte para o Brasil.
No entanto, o jurista tinha suas posições políticas favoráveis à monarquia defendendo a estrutura existente
Assim após a separação entre Brasil e Portugal, porém, continuou atuando na construção política do novo Império.
BARÃO E VISCONDE
Em 1823, Silva Lisboa foi eleito deputado pela Bahia e participou da Assembleia Geral Constituinte e Legislativa do Império. Foi amigo incondicional de d. Pedro I e adversário político de José Bonifácio. Em 1825, recebeu o título de Barão de Cayru.
No ano seguinte, em 1826, foi escolhido senador pela Bahia. O mandato era vitalício, e permaneceu no Senado até sua morte, em 20 de agosto de 1835.
Em 1826, o senador recebeu o título de Visconde de Cayru, passando a ser conhecido por esse nome.
A grafia “Cayru” aparece nos registros parlamentares e históricos da época, embora a forma “Cairu” também seja encontrada em publicações posteriores.
CAYRU OU CAIRU
É possível encontrar as duas formas em registros históricos e ambas são consideradas corretas.
A alteração é uma representação das mudanças da língua portuguesa ao longo da história que tentou abrasileirar nomes e sobrenomes, retirando letras que até então não existiam no nosso alfabeto, caso de “K,W e Y”.
A RUA
Localizada no bairro Campo Grande, tem cerca de 870 metros e liga a Rua Carvalho de Mendonça e a Avenida General Francisco Glycerio.
Criada pelo então vice-prefeito Arnaldo Ferreira de Aguiar, em 1922, substituindo a então Rua 119.
Na Baixada Santista, apenas Praia Grande homenageia o Visconde, mas no município a forma escrita adotada é Cairu.
