Baixada Santista avança na integração do sistema de abastecimento
A Baixada Santista passa por uma transformação na forma como produz, armazena e distribui água para a população. Obras que vêm sendo implantadas em diferentes pontos da região passam a integrar uma estratégia conjunta para ampliar a reservação, aumentar a capacidade de transferência de água entre os municípios e criar novas alternativas de produção.
A transformação conta com investimentos de R$ 10,6 bilhões em água e esgoto entre 2024 e 2029. Entre 2024 e 2025, foram investidos R$ 2,5 bilhões na região, e outros R$ 8,1 bilhões estão previstos entre 2026 e 2029. Do total, mais de R$ 2,5 bilhões estão sendo destinados exclusivamente a recursos hídricos até 2029.
A mudança reúne projetos como a Travessia Santos–Guarujá, a ampliação do sistema Mambu-Branco, novos reservatórios sendo construídos em diversas cidades da região e o futuro sistema Itatinga–Perequê. Juntas, essas estruturas ajudam a formar um sistema mais integrado e preparado para responder a diferentes condições de abastecimento, períodos de maior consumo e eventos climáticos extremos.
“Não estamos falando de uma obra isolada. Estamos ampliando a capacidade de armazenar água, criando novas interligações e aumentando as alternativas de abastecimento da Baixada. Quando essas estruturas passam a trabalhar de forma integrada, o sistema ganha mais flexibilidade para responder às diferentes condições de cada município e da região como um todo. Ou seja, ao se conectarem, aumentamos as possibilidades de operação e a segurança hídrica da região”, afirma Roberval Tavares, diretor-executivo de Engenharia e Operações da Sabesp.
Obras em conjunto
Uma das principais estratégias é a ampliação da capacidade de armazenar água tratada. Novos reservatórios estão sendo implantados em diferentes pontos da Baixada para dar maior autonomia aos sistemas e ajudar a enfrentar oscilações na produção e picos de consumo. Serão 23 novos reservatórios que devem ser entregues até 2028.
Desse total, no sistema Mambu-Branco, em Itanhaém, por exemplo, haverá quatro novos reservatórios, que representarão 40 milhões de litros adicionais de água armazenada. A conclusão está prevista para novembro 2026. Além deles, serão cinco em Cubatão, cinco em Guarujá, seis em Itanhaém, dois em Praia Grande, um em Peruíbe e quatro em Santos.
Vale destacar ainda que outros seis reservatórios já foram concluídos e entregues nas cidades de Bertioga, Guarujá, Itanhaém, Peruíbe, Santos e São Vicente.
Outra estrutura estratégica é a Travessia Santos-Guarujá, uma das obras mais complexas em execução para ampliar a segurança hídrica da Baixada Santista. Com investimento de R$ 134,7 milhões, a nova tubulação terá 5,6 quilômetros de extensão e permitirá acrescentar até 500 litros por segundo à capacidade de transferência de água para Guarujá.
O maior desafio do projeto está na passagem da tubulação pelo Canal do Porto de Santos: serão 1,7 quilômetro de tubulação submersa, instalada a cerca de 35 metros de profundidade – uma operação que exige precisão e integração com diferentes estruturas urbanas e portuárias. A obra está na reta final e, quando concluída, ampliará a flexibilidade do sistema, beneficiando mais de 450 mil pessoas.
Também faz parte dessa transformação o projeto Itatinga–Perequê, que prevê uma nova alternativa de produção para reforçar o abastecimento de Guarujá e Bertioga. O projeto está em fase de licenciamento ambiental.
Por que muita chuva também pode afetar o abastecimento?
Portanto, a preparação do sistema para diferentes condições climáticas é outra frente da estratégia para aumentar a segurança hídrica da Baixada Santista. Embora pareça contraditório, tanto a falta quanto o excesso de chuva podem afetar a produção.
Em períodos prolongados de estiagem, diminui a disponibilidade de água bruta nos mananciais. Já com chuvas intensas, a enxurrada carrega terra, folhas e outras partículas para os rios e altera rapidamente as características da água captada que entra nas estações de tratamento. O trabalho se torna mais complexo, exige ajustes operacionais e maior frequência de limpeza de filtros e decantadores. A consequência pode ser a redução temporária da capacidade de produção, mesmo com os mananciais cheios.
“Ter água no manancial não significa automaticamente conseguir produzir água tratada na mesma velocidade. Quando chove muito, a qualidade da água bruta pode mudar em poucas horas. Nosso desafio é tratar essa água dentro dos padrões de qualidade e, ao mesmo tempo, manter o máximo possível da capacidade de produção. Por isso, infraestrutura, operação e preparação para os extremos climáticos precisam caminhar juntas”, afirma Samanta Souza, diretora-executiva de Relações Institucionais e Sustentabilidade da Sabesp.
Segurança hídrica
A segurança hídrica passa justamente por preparar a Baixada para os cenários diferentes. “Estamos avançando com obras estruturantes e, ao mesmo tempo, fortalecendo a capacidade de resposta da Companhia diante das mudanças do clima e das características de uma região que recebe milhões de visitantes durante a temporada”, afirma Samanta Souza.
Por isso, a combinação entre obras estruturantes, manutenção e preparação operacional ganha ainda mais importância na Baixada Santista, onde a demanda por água cresce fortemente durante a temporada de verão.
“Estamos construindo uma Baixada mais preparada para o futuro. Isso significa não depender de uma única solução, mas contar com mais reservação, novas fontes de produção e sistemas cada vez mais conectados. É uma transformação que amplia a segurança hídrica e a capacidade de resposta de uma região que tem características únicas e uma demanda que muda muito ao longo do ano”, finaliza a diretora-executiva de Relações Institucionais e Sustentabilidade da Sabesp.
Sobre a Sabesp
Desse modo, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) é responsável pelo fornecimento de água e pela coleta e tratamento de esgoto em 376 municípios paulistas e atende 30 milhões de habitantes. É uma das maiores empresas de saneamento ambiental do mundo e a maior do Brasil.
Além disso, a Companhia vai avançar cinco décadas em cinco anos, ampliando o acesso à água potável e ao saneamento básico para milhões de pessoas. Seu compromisso é antecipar em quatro anos as metas estabelecidas pelo Marco Legal do Saneamento, com isso, planeja proporcionar dignidade, saúde e desenvolvimento sustentável para milhões de brasileiros enquanto preserva os recursos naturais para as futuras gerações.
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