Com Temer, São Paulo volta ao poder presidencial após 110 anos | Boqnews
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12 de maio de 2016

Com Temer, São Paulo volta ao poder presidencial após 110 anos

Temer terá o desafio de colocar o País na retomada do desenvolvimento

Temer terá o desafio de colocar o País na retomada do desenvolvimento

Considerado o principal cacique do PMDB, Michel Temer é filiado à sigla desde 1981 e assume a presidência da República por até 180 dias diante do afastamento da presidenta Dilma Rousseff, que responde a processo de impeachment no Congresso Nacional. O distanciamento da chefe do Executivo foi definido após votação, na madrugada desta quinta-feira (12), no Plenário do Senado Federal, e referendada por 55 senadores.

Aos 75 anos, Temer é filho de libaneses e caçula de uma família de oito irmãos. Paulista de Tietê, o professor de direito e advogado comanda a máquina peemedebista e conta com a representatividade das maiores bancadas da Câmara dos Deputados (68) e do Senado Federal (18). Ou seja, dos 594 parlamentares no Congresso Nacional, 86 são peemedebistas, o que equivale a 14,47%.

Mas não é só no governo federal que os números peemedebistas são expressivos. Nos estados, o PMDB elegeu sete governadores e quatro vice-governadores, dentre as 27 unidades da federação – o que equivale a 25,92% –, além de 996 prefeitos e 142 deputados estaduais.

Advogado formado pela Universidade de São Paulo (USP), constitucionalista e estudioso das questões jurídicas, Temer escreveu várias obras sobre direito, entre elas “Elementos do Direito Constitucional”, referência nas faculdades de Direito. Em 1987, participou da Assembleia Nacional Constituinte. Após o episódio, foi reeleito deputado federal e exerceu seis mandatos – todos pelo PMDB.

Licenciou-se do Poder Legislativo somente para assumir, pela segunda vez em sua carreira, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. O episódio ocorreu na gestão do ex-governador Antônio Fleury Filho, quando Temer recebeu a missão de debelar uma das maiores crises da segurança pública paulista, deflagrada com a chacina dos 111 presos do Centro de Detenção do Carandiru, na capital paulista.

Na Câmara dos Deputados, Michel Temer foi eleito três vezes para Presidência da Casa (1997, 1999 e 2009). Na condição de presidente, assumiu a Presidência da República, interinamente, por duas vezes: de 27 a 31 de janeiro de 1998 e em 15 de junho de 1999.

Em 2009, o Departamento Intersindical de Assistência Parlamentar (Diap) apontou Temer como o mais influente congressista. Já em 2011, Temer assumiu a Vice-Presidência da República no primeiro governo Dilma. Cargo que ocuparia pela segunda vez a partir de 2015.

Enquanto na primeira gestão o papel desenvolvido por Temer no Executivo não foi marcado por episódios de destaque, no segundo mandato o peemedebista passou a figurar com um pouco mais de espaço, chegando a assumir, inclusive, a articulação política da gestão Dilma.

No fim de março deste ano, no entanto, o PMDB oficializou o rompimento com o governo petista. Os sinais de afastamento, no entanto, começaram antes. Um dos momentos mais marcantes dessa distância tornaram-se públicos depois que o vice, Michel Temer, enviou uma carta com uma série de descontentamentos para a presidenta. O documento se tornou público, e ambos acabaram abafando o impasse.

Relembre desenrolar da relação entre Temer e Dilma no atual mandato

Posteriormente, em abril, o vazamento de uma gravação em que o então vice-presidente discursava como se Câmara já tivesse aprovado o processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff, o que não havia ocorrido até então, voltou a acirrar os ânimos.

No início da gravação, Temer afirma se dirigir ao povo brasileiro para falar sobre temas que devem ser “enfrentados” por ele. Dilma reagiu e, na ocasião, sem citar nomes, chegou a se referir a Temer como “golpista” e “conspirador”.

Todo esse processo, somado ao desenrolar dos questionamentos ao governo petista no Congresso Nacional, aos desdobramentos da Operação Lava Jato e às acusações por pedaladas fiscais, levaram ao afastamento de Dilma do Executivo temporariamente e à inclusão, no currículo de Temer, do cargo de presidente da República Federativa do Brasil.

Da Redação
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