América Latina caminha para a direita e Brasil pode ficar isolado, destaca advogado
A vitória da direita na Colômbia, com Aberlardo de la Espriella, assim como no Peru, com a provável conquista por Keiko Fukjimori, a despeito do candidato de esquerda Roberto Sánchez questionar os votos vindos do exterior, revelam uma mudança no mapa geopolítico da América do Sul.
Afinal, o novo cenário político traz o Brasil, Venezuela, Uruguai e Guiana como países com uma visão mais à esquerda.
Enquanto os demais trilham por um espectro ideológico oposto (casos da Argentina, Chile, Paraguai, Equador, Bolívia, Peru e Colômbia). Além dos Estados Unidos, com Donald Trump.
E este cenário poderá influenciar nas eleições de outubro do Brasil, como acredita o advogado, escritor e palestrante Claudio Luis Caivano.
Em entrevista ao Jornal Enfoque nesta segunda (22), ele relatou que a opção por lideranças de direita reflete o direito do cidadão em fazer escolhas.
“A direita conseguiu demonstrar que não é só de pauta social que vive a economia”, destacou.
“Eu diria que é uma tendência até americana, de todas as Américas, de voltar à direita. O Peru já está aí praticamente solidificado, mas aconteceu em Honduras, no Equador, no Paraguai, no Chile e na Bolívia. Além da Colômbia no domingo. Se o Brasil não o fizer, vai ficar completamente isolado e vai ter muito mais problemas por isso”, destacou.
“Deve-se focar menos no Estado e mais indivíduo”, salientou o profissional, autor do livro 8/01 – a História não Contada, sobre a situação das pessoas que estiveram nos atos em Brasília em 8 de janeiro de 2023.
8/01 – CPMI A Verdade Confiscada
Com toda a edição esgotada, ele lançará na segunda quinzena de julho uma edição ampliada: 8/01 – CPMI A Verdade Confiscada.
Especialista em Direito Corporativo, Tributário e Compliance, ele acabou sendo chamado para defender presos que estiveram nos atos de 8 de janeiro de 2023 diante de pedidos que familiares das vítimas.
Assim, acabou fazendo da ponte São Paulo -Brasília algo frequente.
Além disso, participou diretamente da elaboração do PL da Anistia na Câmara Federal.
“Fui o único não assessor parlamentar a participar”, destaca.
Dessa forma, durante o programa, ele relatou a situação dos presos que participaram dos atos.
Segundo ele, foram 2.400 pessoas detidas, sendo 1.980 processadas pelo Supremo Tribunal Federal.
Deste total, 750 condenadas até o momento.
Campo de concentração
Apaixonado pela literatura sobre a 2ª Guerra Mundial, Caivano comparou a situação dos presos a um campo nazista
“Parecia um campo de concentração moderno. Isso é tortura”, lembra o advogado, que atuou, “pro-bono”, para pelo menos 20 réus.
Assim, questionado sobre as imagens divulgadas sobre atos provocados pelos presos contra o patrimônio público, Caivano destacou que é por isso que as pessoas devem responder e não por tentativa de golpe.
“Vamos nos ater rapidamente às pessoas que entraram (no Palácio do Planalto e STF) e que porventura tenham participado do dano ao patrimônio”, resumiu.
“A conduta deve ser definida pelo Estado, que precisa provar que o indivíduo cometeu um crime. Isso é básico no Direito e no Estado de Direito. E no Brasil isso foi suprimido pelo STF – Supremo Tribunal Federal. Assim, é a pessoa que está tendo que provar sua inocência. Isso é inconcebível! É típico de estados de exceção”, lamentou o advogado, pré-candidato a deputado federal pelo Republicanos.
“Procurei o PL, mas o partido disse não para mim”, explicou.
Confira o programa completo
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