Eleições 2014

Dilma Rousseff é reeleita presidente do Brasil, com 51,6%, em disputa histórica

Na Baixada Santista, Dilma Rousseff ganhou apenas em Cubatão

26 de outubro de 2014 - 22:35

Informações FolhaPress e AgBrasil

Da Redação

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Na disputa presidencial mais acirrada desde o segundo turno das eleições de 1989, Dilma Rousseff (PT) é reeleita presidente do Brasil, com 51,6%, junto com o vice-presidente Michel Temer (PMDB), com o apoio da coligação formada por PT, PMDB, PDT, PCdoB, PR, PP, PRB, PROS e PSD. A petista derrotou o tucano Aécio Neves (PSDB).

Dilma liderou em 15 estados (AL, BA, CE, MA, PB, PE, PI, RN, SE, AM, AP, PA, TO, MG, RJ). Já o candidato Aécio esteve na liderança em 11 estados (SP, ES, RR, RO, AC, MT, MS, GO, SC, RS, PR), além do Distrito Federal. Na Baixada Santista, Dilma obteve vitória apenas em Cubatão, seguindo os números do estado de São Paulo, onde Aécio obteve mais votos, com 64,3%.

Em seu discurso, Dilma Rousseff ressaltou que o diálogo será primordial em seu segundo mandato. “Convoco a todos os brasileiros para nos unirmos pelo nosso país. Não acredito que estas eleições tenha dividido este país ao meio. Entendo sim que elas mobilizaram ideias e emoções às vezes contraditórias, mas movidas por um sentimento comum, a busca por um futuro melhor para o país (…) Minhas primeiras palavras são, portanto, de chamamento pela paz e união. As democracias maduras não necessitam de uma unidade de ideias. Pressupõe, em primeiro lugar, a abertura e disposição para o diálogo. Esta presidente aqui está disposta ao diálogo. Este é o meu primeiro compromisso do segundo mandato: o diálogo. (…) Entre as reformas a primeira e mais importante deve ser a reforma política. No plebiscito vamos encontrar a força e a legitimidade para levar a frente a reforma política. Quero discutir com o novo congresso e o povo brasileiro. Tenho convicção que haverá interesse de todas as forças ativas na nossa sociedade para abrir uma discussão e encaminhar as medidas concretas”, declarou a presidente reeleita.

Já Aécio Neves em seu discurso agradeceu aos eleitores e pronunciou que parabenizou a presidente Dilma em telefonema após o resultado oficial das eleições. “Profundo agradecimento em especial aos mais de 50 milhões de brasileiros que apontaram o caminho da mudança. As cenas que vivi ao longo destes meses jamais sairá da minha mente e coração. Cumprimentei há pouco a presidente reeleita e desejei um bom governo (…) Uma palavra de agradecimento especial a todos os companheiros, em especial a Aloysio Nunes. Muito obrigado a todos os brasileiros”, concluiu o candidato tucano.

Governo

O governo Dilma Rousseff é aprovado por 44% dos eleitores, segundo o Datafolha. O percentual é mais que o dobro daqueles que desaprovam seu governo: 19% o consideram ruim ou péssimo, enquanto 36% o avaliam como regular. A taxa de aprovação de Dilma é inferior aos 52% que o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tinha ao final de seu primeiro mandato, em 2006, mas superior ao índice de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em 1998, quando o tucano foi reeleito à Presidência.

Primeiro Turno

No primeiro turno, Dilma teve quase 43,268 milhões de votos, ou 41,6% do total de válidos. Aécio recebeu 34,897 milhões de votos, ou 33,5%. Dilma largou atrás na corrida pelo segundo turno, segundo pesquisas eleitorais, mas virou na última semana, ficando à frente do tucano desde segunda-feira (20).

Baixada Santista
Veja as propostas e os principais desafios do partido para a região, de acordo com o representante do partido do PT na Baixada Santista Emerson Santos:

Biografia

Mineira de Belo Horizonte, Dilma Rousseff, tem 66 anos, é economista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), tem uma filha e um neto. Filha de um imigrante búlgaro e de uma professora do interior do Rio de Janeiro, Dilma viveu em Belo Horizonte, capital mineira, até 1970, onde integrou organizações de esquerda, como o Comando de Libertação Nacional (Colina) e a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares). Foi presa em 1970 pela ditadura militar e passou quase três anos no Presídio Tiradentes, na capital paulista, onde foi torturada.

Em 1973, mudou-se para Porto Alegre, onde construiu sua carreira política. Na capital gaúcha, Dilma dedicou-se à campanha pela anistia, no fim do regime militar, e ajudou a fundar o PDT no estado. Em 1986, assumiu seu primeiro cargo político, o comando da Secretaria da Fazenda de Porto Alegre, convidada pelo então prefeito Alceu Collares.

Com a redemocratização, Dilma participou da campanha de Leonel Brizola à Presidência da República em 1989. No segundo turno, apoiou o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em 1993, Dilma assumiu a Secretaria de Energia, Minas e Comunicação do Rio Grande do Sul, cargo que ocupou nos governos de Alceu Collares (PDT) e Olívio Dutra (PT).

Em 2000, Dilma filiou-se ao PT e, em 2002, foi convidada a compor a equipe de transição entre os governos Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. Quando Lula assumiu, em janeiro de 2003, Dilma foi nomeada ministra de Minas e Energia, onde comandou a reformulação do marco regulatório do setor. Em 2005, ainda no primeiro governo Lula, Dilma assumiu a chefia da Casa Civil, responsável até então por projetos como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o Minha Casa, Minha Vida.

Dilma deixou a Casa Civil em abril de 2010 e, em junho do mesmo ano, teve sua candidatura à Presidência da República oficializada. Venceu sua primeira eleição no segundo turno, contra o candidato do PSDB, José Serra, com mais de 56 milhões de votos.

Em um governo de continuidade, Dilma manteve e ampliou programas sociais da gestão Lula e implantou iniciativas que levaram à redução da pobreza, da fome e da desigualdade. Criou o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) e ampliou programas de empreendedorismo. Também implantou um programa de concessões para obras de infraestrutura e logística, muitas ligadas à realização da Copa do Mundo. Em um governo marcado por episódios de corrupção, Dilma chegou a demitir seis ministros em dez meses, em 2011. A presidenta reeleita também enfrentou problemas com a economia, com queda no ritmo do crescimento do país e avanço da inflação.

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