Especialista aborda sobre a violência sexual contra crianças e adolescentes | Boqnews
Foto: Elza Fiuza/ Arquivo Agência Brasil
4 de agosto de 2023

Especialista aborda sobre a violência sexual contra crianças e adolescentes

A violência contra criança e o adolescente é um tema que precisa ser amplamente debatido na sociedade, visto os altos números registrados pelo Ministério da Saúde.
Durante sete anos de análise, houve um crescimento nas notificações de casos de violência sexual contra crianças e adolescentes, totalizando 202.948 casos, dos quais 41,2% foram cometidos contra crianças e 58,8% contra adolescentes.

Para ter noção somente em 2015, houve notificação de 21.122 casos, e em 2019 este número subiu para 34.208 casos. Assim, no ano de 2020 caiu para 29.265, porém, a pandemia de Covid-19 pode ter impactado estes dados, já que em 2021 o número de casos aumentou para mais de 35 mil notificações.

Sinais

Coordenadora da Comissão Municipal de Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-Juvenil (CEVISS), Christiane Andréa, enfatiza como notar os sinais que uma criança ou adolescente pode estar sofrendo violência sexual, como observar qualquer mudança repentina de comportamento. Além de regressões cognitivas e psicológicas, como utilização de fraldas, chupetas, enurese (urinar) noturna, excesso de choro, desânimo e introversão.

Portanto, outra questão importante é a necessidade em conversar com as crianças e adolescentes sobre essa violência. “ É preciso estabelecer um diálogo aberto com crianças e adolescentes. Devemos falar sempre a verdade, obedecendo a faixa etária”.

Consequências

Segundo informações do Ministério da Saúde, na violência sexual contra crianças, estima-se que 76,9% das notificações aconteceram entre meninas. Os maiores índices de ocorrência, tanto do sexo feminino quanto do masculino, foram entre a faixa etária de 5 a 9 anos (55,1%), com índices de 53,6% e 60,1%, respectivamente.

Portanto, já para os adolescentes, a faixa etária que mais sofreu algum tipo de violência sexual foram entre 10 e 14 anos. Assim, 35% das meninas e 41,6% dos meninos afirmam já terem sido violentados mais de uma vez, somando-se ao todo 52.968 adolescentes.

Dessa forma, a coordenadora conta que as principais consequências são traumas e transtornos psicológicos como bulimia, anorexia, depressão, ansiedade e transtorno da reversão (automutilação), às vezes, chegando ao suicídio. Ela também lembra ressalta a rede de atendimento SGD (Sistema de Garantias de Direitos) acionados quando necessário para garantir a proteção de crianças e adolescentes.

Ajuda dos pais

Christiane comunica que os pais podem ajudar identificando e prevenindo os riscos. “Atentando-se a qualquer mudança repentina. A prevenção se faz por meio da educação em casa, com atitudes simples como ensinar a criança a se autohigienizar sozinha, não sentar no colo de qualquer pessoa, não abraçar nem beijar quando não se sentir à vontade. São atitudes de prevenção”.

Além disso, existem alguns mitos relacionados a violência sexual das crianças e adolescentes. A coordenadora cita que um deles é de que somente as meninas são abusadas sexualmente. Em segundo lugar, que o maior número de abusos é cometido por desconhecidos. Por último e não menos grave, de que o maior índice dos abusos acontece fora da casa das vítimas. Ela ainda reforça que para combater é preciso muita informação segura e de “qualidade” dos meios de comunicação.

Tecnologia

A tecnologia e as redes sociais podem afetar a exposição das crianças e adolescentes à violência sexual. Segundo Christiane, na internet há um “submundo”, onde ocorrem todo o tipo de perversão e violências. Há uma rede de pedofilia, de aliciamento e tráfico de mulheres e meninas e as crianças sem monitoramento de um adulto, o que acaba deixando-as expostas as estas redes e sofrendo todo os tipos de violências cibernéticas.

Desafios

Conforme Christiane, a escola tem o papel de promover o diálogo com rodas de conversa com informações seguras, palestras de informação com temáticas de sexualidade. Assim como dar oportunidade da escuta especializada e acolhimento em casos de revelação espontânea. “O grande desafio neste momento é criar estratégias e programas tecnológicos para auxiliar no enfrentamento das violências sexuais infantojuvenil”.

Portanto, a busca por um mundo livre de violência sexual infantil e cada esforço, por menor que seja, contribui para um panorama mais seguro e compassivo. Assim, com recursos e esforços existe a capacidade de moldar uma realidade mais segura e melhor para as crianças e adolescentes.

Vinícius Dantas, Da Redação
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