Queda

Intenção de consumo cai ao menor nível desde 2010

As famílias com renda até 10 salários mínimos tiveram queda menor que as de maior renda

20 de abril de 2015 - 14:38

Folhapress

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Apesar da queda, o índice continua no patamar considerado favorável (acima dos 100 pontos), com 102,9 pontos.

Apesar da queda, o índice continua no patamar considerado favorável (acima dos 100 pontos), com 102,9 pontos.

O índice de Intenção de Consumo das Famílias caiu 6,9% em abril e atingiu o menor nível da série histórica, de acordo com pesquisa divulgada nesta segunda (20) pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). O recuo é de 17,8% em relação ao mesmo mês do ano passado. As informações são da Agência Brasil.

De acordo com a assessora econômica da CNC, Juliana Serapio, o indicador deste mês foi o primeiro da série histórica em que todos os componentes atingiram o menor patamar já registrado. A medição é feita desde janeiro de 2010.

A queda foi mais forte na intenção de comprar bens duráveis, chegando a 14,3% na comparação com março e a 32,5% em relação a abril do ano passado.

Para a CNC, a queda está relacionada ao encarecimento do crédito. “Quando o crédito fica mais caro, isso afeta diretamente a intenção de consumo desses bens, que, muitas vezes, dependem de financiamento”, explica a economista.

Apesar da queda, o índice continua no patamar considerado favorável (acima dos 100 pontos), com 102,9 pontos. Três componentes, no entanto, já recuaram para o patamar negativo: Momento para Duráveis, com 78,9 pontos, Nível de Consumo Atual, com 79,5 pontos, e Perspectiva de Consumo, com 95,3 pontos.

O Nível de Consumo Atual caiu 8% em relação ao mês de março e 17,1% comparado a abril do ano passado. As Perspectivas de Consumo tiveram queda ainda maior, de 9% na comparação com março e de 28,1% em relação a 2014.

Para Juliana Serapio, a inflação registrada em março, de 1,32% segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, contribuiu para esse cenário.

“Ela voltou a ficar pressionada pelos itens alimentação e habitação. Isso é algo que explica bastante a redistribuição do orçamento das famílias”.

As famílias com renda até 10 salários mínimos tiveram queda menor que as de maior renda, registrando redução na intenção de consumo de 6,4%, contra 9% das demais.

As perspectivas profissionais medidas pela CNC também estão em queda, apesar de a maior parte das famílias considerá-las positivas. Segundo a pesquisa, 53,7% estão otimistas para os próximos seis meses, enquanto 38,7% estão pessimistas. O indicador que mede essa expectativa teve queda de 5,9% em relação a março, e de 9,8% na comparação com abril.

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