José Carlos Clemente confirma apoio do PSC a Paulo Alexandre Barbosa (PSDB)
Presidente do PSC em Santos, o médico José Carlos Clemente confirmou, em vista à redação do Jornal Boqnews, que a legenda apoiará a pré-candidatura de Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) a Prefeitura nas eleições deste ano. Segundo Clemente – que em 2004 concorreu ao Executivo pelo PSB e à ocasião obteve pouco mais de 7 mil votos – a proximidade entre preceitos dos estatutos do PSDB e do PSC e a avaliação de que Paulo Alexandre é o nome mais preparado para dar sequência ao governo de João Paulo Tavares Papa (PMDB) foram pontos decisivos para a escolha do partido. Na entrevista ao Boqnews, o médico, que é diretor da clínica radiológica Multimagem, fala também sobre o cenário da saúde em Santos e as perspectivas políticas do PSC para 2012.
Por que o partido optou pelo apoio ao Paulo Alexandre Barbosa?
Nós tivemos uma reunião na semana passada para formalizar esse apoio. Ouvimos nossos 40 pré-candidatos, que preencherão as 32 vagas da legenda. E a escolha do apoio ao PSDB, pensando na pré-candidatura do Paulo, foi unânime. Uma razão é que o estatuto do PSC é muito próximo daquele do PSDB. Além disso, o Paulo é uma pessoa muito fácil para se conversar, e vários pontos que consideramos importantes tiveram a mesma abordagem da parte do Paulo e do PSDB.
Que pontos são esses?
Um é a valorização do servidor de uma forma geral. Gostaríamos que fosse implementado um sistema de metas, por exemplo, que premiasse o melhor profissional e não deixasse o marasmo que existe hoje. É um sistema usado em países desenvolvidos, nos Estados Unidos em especial. Além disso, dar condição ao servidor para que ele atue de uma maneira melhor, com maior humanização dos serviços públicos e, principalmente, na área da saúde, que é onde, pelo menos, esse ponto é mais perceptível. Outra questão importante, e que faz parte da cartilha do PSC, é que não se aumente os cargos de confiança. Isso gera aumento de custos e reduzir verbas para atuação em outras áreas. E há mais dois pontos fundamentais. Um é o governador Geraldo Alckmin, que tem feito um belo trabalho na região. Foi o governador que mais investiu na região, não apenas em Santos. Para o túnel (Santos-Guarujá), por exemplo, já são R$ 1,3 bilhões. Mais R$ 1,4 bilhões para saneamento básico do litoral. Mais R$ 690 milhões para a primeira fase do VLT. Já foram investidos R$ 56,2 milhões no Poupatempo, mais R$ 24,6 milhões no AME. E muitas verbas para ciclovias, reformas dos teatros, Museu da Pesca… Uma infinidade de trabalhos que aparecem como parte da administração municipal e que, na verdade, foram oriundas do Estado. O Paulo já tem um relacionamento bom com o Alckmin, e com ele aqui em Santos certamente haverá uma aproximação ainda maior. Pelo quinto ano consecutivo, o Paulo foi o deputado que mais trouxe verbas para a região, em uma média de R$ 12,5 milhões ao ano. Considerando todos esses aspectos, fica fácil o apoio ao Paulo como pré-candidato. Não teríamos um acesso tão bom junto ao (Sérgio) Aquino. A Telma (de Souza) não sabemos se sairá como vice do Aquino ou não, mas o PT é um partido complicado para se fazer aliança. O Beto (Mansur) é também uma pessoa complicada de se fazer aliança, e já falei isso para ele no passado. E os demais candidatos a gente sabe que ainda não há uma plataforma muito definida.
Para Clemente, PSC não teria, com o PMDB de Sérgio Aquino, a mesma aproximação que possui com o PSDB de Paulo Alexandre. Revela também dificuldade em formar parcerias com o PT de Telma e o PP de Beto Mansur |
Em 2004, o senhor concorreu a Prefeitura como candidato do PSB. O que aquela experiência representou nessa carreira política?
Foi muito importante. Nunca tinha sido candidato a cargos eletivos. E tive uma votação muito boa, a maior fora candidatos ligados a algum governo. Concorri sem dinheiro e até sem apoio de partido, já que os três vereadores da legenda apoiaram a Telma. Foi um pleito significativo em termos políticos e de vivência. Conheci os bastidores da política, e isso me ajudou a ver outros rumos possíveis. Não faço política por necessidade, dinheiro ou cargos. Sou uma pessoa bem sucedida. A Multimagem é uma das dez maiores clínicas do País. Na verdade, vejo a política como o melhor meio de se atingir objetivos sociais.
Qual avaliação que o senhor faz do governo Papa?
Eu julgo que o Papa fez um bom trabalho, tanto que a população de maneira geral o aprovou. Acho que ele foi no rumo certo. Mas é preciso dar continuidade, e é por essa continuidade é que fizemos a opção pelo Paulo. Julgamos que, de todos os pré-candidatos, é quem tem o melhor perfil melhor para isso. Além de atuante, é alguém experiente, apesar da baixa idade. Já foi duas vezes deputado estadual e hoje é secretário de Estado. É o mais bem relacionado, pode dar continuidade ao governo Papa e melhorá-lo em alguns aspectos importantes, como na saúde e na educação. Nessa semana, por exemplo, foram divulgadas as pesquisas de satisfação na saúde (ID-SUS), e a nota de Santos foi baixa.
E como vê a saúde na Cidade, considerando essa questão do atendimento público e da ausência de médicos?
Realmente, é complicado. Os salários são baixos e acaba ocorrendo duas coisas. No primeiro momento, o profissional entra no serviço público pela necessidade. Excetuando-se os que querem se manter no serviço pela aposentadoria, a maioria dos atuam hoje no segmento são jovens que estão entrando no mercado de trabalho agora, e que ainda não podem abrir um consultório porque até o escritório deslanchar, lá se vão dez anos. Mas também são jovens que saem do cargo na primeira oportunidade, porque têm a chance de dar um plantão de R$ 1 mil por semana e ganhar pelo menos R$ 4 mil no mês, contra R$ 2 mil e pouco que se recebe no serviço público, por exemplo. Acho que daria para resolver de outra forma. De repente, identificar os médicos particulares disponíveis para atender SUS. A consulta é cinco? Vou pagar dez, quinze, para que o paciente seja atendido no consultório. É um exemplo, que poderia ser estudado.
Ainda em relação à questão da saúde, o que pensa sobre a aquisição do Hospital dos Estivadores?
Acho que a Prefeitura não vai ter dinheiro para tocar o hospital. É uma realidade. Precisa-se de verbas para a reforma do local. Já está com o Alckmin, faltando só assinar, uma verba de R$ 25 milhões para isso. Mas, além disso, terá que se ajustar o hospital para atendimento. Melhorar a parte estrutural e o aparelhamento. Mesmo com os recursos, a Prefeitura terá dificuldades para isso, e terá que fazer parcerias para tocar o hospital. Particularmente, não vejo problema nisso, que é algo comum no mundo todo. Sei que tem as pessoas que são radicais, que acham que isso (parcerias) dará lucro para outra pessoa. Mas é melhor alguém que tem lucro e administra bem o serviço do que, por exemplo, o setor público administrando mal. Vimos críticas desse tipo na época das privatizações do Fernando Henrique (Cardoso, ex-presidente do Brasil). A Companhia Siderúrgica Nacional, por exemplo, dava um prejuízo de US$ 2 milhões ao dia. Com a privatização, ela passou a dar lucro. Lucro pressupõe pagamento de impostos. Ou seja: o governo deixou de ter prejuízos e ainda gerou dinheiro de impostos. Vejo da mesma forma uma parceria aqui em Santos. Se ela der um retorno importante a saúde, por que não fazer?
O PSC tem a perspectiva de fazer pelo menos dois vereadores. Como avalia ser isso possível?
Fizemos uma avaliação e acreditamos que a linha de corte deste ano (do coeficiente eleitoral) para a Câmara será de 12 mil votos. Até menos. O número de cadeiras aumentou para 21, então mesmo que não façamos os 24 mil votos e cheguemos a 18 mil, por exemplo, ainda há as vagas que vão sobrar, e que serão distribuídas pelos partidos que atingiram o coeficiente. Há exemplos práticos. O Carabina, quando virou vereador, se elegeu com 1.350 votos. O Ademir Pestana já entrou com 2.030.
Hoje, o PSC está com a chapa pura para a disputa do Legislativo. O partido está definido em seguir assim para o pleito?
Não. Estamos abertos a coligações, mas também não queremos fazer muitas concessões. Na coligação, são 42 vagas a pré-candidatos, mas muitas vezes um partido quer 30 dessas vagas para os seus candidatos. Se for para fazermos coligação, será com partidos menores, e com um consenso de se dividir as vagas de forma equânime. Caso contrário, preferimos manter uma chapa pura.
O PSC ainda é um partido pequeno em Santos, com poucos filiados. Qual a perspectiva da legenda para 2012?
Tentar chegar a pelo menos 1.200 filiados até a época da eleição. Cada pré-candidato a vereador tem uma meta de trazer pelo menos 30 nomes para filiação. Estamos trabalhando nesse sentido, de filiar mais gente para fortalecer a legenda em nível regional. É importante frisar que o PSC, embora pequeno aqui na Baixada Santista, não é tão pequeno assim em nível nacional. Temos prefeitos em diversas cidades, um senador da República e boa força no Nordeste. A perspectiva que o PSC tem para as eleições deste ano, que é bem próxima da realidade, é fazer quatro mil vereadores e 300 prefeitos.