Levy diz que ‘não há fórmula mágica’ para crescimento do país

O governo tenta evitar um novo rebaixamento da nota brasileira, a exemplo do que ocorreu no início do mês, quando a agência de classificação de risco Standard & Poor´s cumpriu a promessa e retirou o selo de bom pagador do país
O ministro Joaquim Levy (Fazenda) disse nesta terça-feira (22) que não se deve ter a ilusão de que há “fórmulas mágicas e heterodoxas para se chegar a um crescimento mais acelerado” do país.
Na abertura do seminário da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), em Brasília, ele afirmou que é preciso “estar muito antenado no que está acontecendo no mundo e não só querendo reviver o passado”.
“Vou usar uma expressão que diz que o nosso desafio não é restaurar o passado, mas facilitar o futuro. Um futuro que proporcione de maneira sustentável o bem-estar e a satisfação da nossa população”, frisou em seu discurso.
“A gente não pode viver só do cartão de crédito, gastando colchão fiscal que a gente tem. Temos que crescer, uma nova fase para ter através da produtividade um crescimento sólido.”
Para Levy, as pessoas, aos poucos, vão se dando conta da nova realidade do país e o que ela exige para que seja possível voltar a ter crescimento.
“Certamente é preciso haver uma certa convergência de visão, uma conjugação de esforços para a gente superar essa fase, que é a mais forte do ajuste”, disse Levy.
“Temos que ter humildade de reconhecer que obviamente há um esforço. As pessoas têm de entender a razão desse esforço e se motivarem. Essa transição vai nos levar a uma economia mais aberta, mais dinâmica, mais vigorosa e a gente realmente vai ter desenvolvimento econômico”, defendeu Levy.
Ainda nesta terça, Levy vai receber no Ministério da Fazenda representantes da agência Fitch Ratings.
O governo tenta evitar um novo rebaixamento da nota brasileira, a exemplo do que ocorreu no início do mês, quando a agência de classificação de risco Standard & Poor´s cumpriu a promessa e retirou o selo de bom pagador do país.
Na ocasião, a decisão foi justificada pela “falta de habilidade” e “vontade” do governo Dilma Rousseff ao submeter um orçamento deficitário ao Congresso.
Com o rebaixamento, o país passou de BBB- para BB+ e passou a ter a mesma avaliação da Rússia, que sofreu embargo internacional devido à guerra na Crimeia e foi duramente afetada pela baixa do petróleo.
Até o momento, o Brasil segue como grau de investimento nas agências Moody´s e Fitch.
Na Moody´s, a classificação é Baa3 (a apenas um passo de perder o selo de bom pagador) e na Fitch a nota é “BBB” (a dois degraus de se tornar grau especulativo).