Polêmica

Para ex-ministro, trocas no Ministério da Saúde são uma ‘tragédia para o País’

Ex-ministro da Saúde, Arthur Chioro, enfatiza o risco que o País passa em razão das trocas no ministério em meio à pandemia do Covid-19.

15 de maio de 2020 - 20:46

Da Redação

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Ex-ministro da Saúde entre 2014 e 2015, o médico e professor universitário da Unifesp, Arthur Chioro (foto), teme pelos rumos do País em relação à pandemia do Covid-19 após duas sucessivas trocas de ministros na pasta a qual ele ocupou durante o governo Dilma Rousseff.

“É uma tragédia”, resume.

“A troca em si já seria um grave problema, mas no atual momento é uma atitude criminosa, que terá gravíssimas consequências para o País”, salientou Chioro em entrevista concedida ao jornalista Fernando De Maria, durante o programa Notícias do Dia, divulgado nas redes sociais do Boqnews (facebook, instagram e youtube).

 

 

Apesar de discordar das ações implementadas pelo atual governo em relação ao primeiro ministro da pasta, Luiz Henrique Mandetta “que não preparou o Brasil para  a testagem, nem leitos de UTIs”, a primeira troca já foi um problema para o funcionamento da máquina administrativa do ministério, pois foi necessário recomeçar um  novo ciclo com a chegada do médico Nelson Teich para substitui-lo em meados de abril.

Teich, porém, pediu demissão do cargo nesta sexta (15).

Há quem garanta que o presidente Jair Bolsonaro o demitiu por não aceitar o uso pleno da cloroquina como solução para o combate ao covid-19 em casos graves, além de ser contrário ao isolamento social, defendendo o isolamento vertical – onde apenas as pessoas com morbidades e idosos não sairiam de casa.

“Teich também não tinha contato com a área pública de saúde ao assumir, mas nem dá para fazer qualquer avaliação pelo curto espaço de tempo que ele ficou na pasta”, acrescentou Chioro.

 

Interferência

O ex-ministro  teme a interferência do presidente Bolsonaro na escolha do futuro ministro pelo uso do medicamento para o combate à doença, algo não recomendado pelos médicos em decorrência dos graves efeitos colaterais.

Apesar de achar difícil, ele espera que o sucessor de Teich seja alguém da área médica.

Conforme ele, haverá dificuldade, porém, em encontrar algum profissional que acate plenamente as ideias do presidente, contrariando a área médica e até de organismos internacionais, como a Organização Mundial de Saúde.

“Há uma profunda irresponsabilidade do presidente da República”, disparou.

Confira a entrevista concedida pelo ex-ministro ao programa Notícias do Dia neste link.

 

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