Foto: Divulgação

Política

04 DE SETEMBRO DE 2021

Polarização na política brasileira traz riscos de conflito entre grupos

Atos pró e contra o Governo Federal no dia 7 de setembro trarão consequências ao futuro da política no País

Por: João Pedro Bezerra

array(1) {
  ["tipo"]=>
  int(27)
}

Um verdadeiro ‘Fla x Flu’. Essa é a melhor definição para explicar o cenário político brasileiro.

A polarização que já acontece há alguns anos no País se agravou ao longo da pandemia e chega ao seu estopim, em pleno feriado da Independência do Brasil, que acontece na próxima terça-feira (7).

Neste dia, está marcada uma grande manifestação, em apoio ao presidente Jair Bolsonaro pelas principais cidades do País.

O evento foi organizado com antecedência pelos apoiadores e conta com um amplo engajamento e divulgação nas redes sociais.

Por outro lado, os grupos de esquerda também devem realizar manifestações contrárias ao presidente.

Com receio de um possível confronto entre os grupos, o governador do Estado de São Paulo João Doria (PSDB) permitiu apenas a manifestação de apoio a Bolsonaro, a medida que o pedido foi realizado primeiro às autoridades. Entretanto, a Justiça de São Paulo autorizou as duas manifestações.

Uma das maiores preocupações ocorre na capital paulista, pois a manifestação em apoio a Bolsonaro acontecerá na Av. Paulista, enquanto o protesto da esquerda deverá ser realizado no Vale do Anhangabaú, a uma distância de aproximadamente 2,5 km entre os pontos.

O grande problema é que os manifestantes podem se encontrar nas estações de metrô protagonizando assim cenas de violência.

Divisão

De acordo com a analista política e professora universitária, Clara Versiani, a polarização política no Brasil teve início nas manifestações de 2013 marcadas pela insatisfação da população com a política do governo de um modo geral, seja federal ou estadual.

“A polarização se intensificou com a crise econômica, a reeleição de Dilma Roussef (PT) e o avanço da Operação Lava-Jato”, relembrou Clara. Por essas circunstâncias, a polarização ficou cada vez mais intensa, pois os brasileiros tiveram opiniões distintas sobre os acontecimentos políticos, como por exemplo, a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A analista política ressalta que a eleição do atual presidente Jair Bolsonaro em 2018 foi uma consequência desta divisão. “A polarização não é apenas no Brasil, conseguimos ver os mesmos fatos em grande parte dos países ocidentais. Os efeitos da crise econômica de 2008 ainda são evidentes”.

Clara cita que políticos se alimentam desta radicalização para propagar suas ideias de pensamento, como o próprio presidente Jair Bolsonaro. “A polarização é prejudicial para o País, pois cada vez mais a possibilidade do diálogo está sendo minada”, finalizou.

Terceira Via

Clara Versiani enfatizou que ainda é cedo para pensar numa terceira via concreta. “Estamos em setembro de 2021. No meio de 2017, por exemplo, poucas pessoas apostariam que o Bolsonaro fosse eleito o presidente da República”.

“Há um grande percentual da população que já escolheu seu voto: em Bolsonaro ou no Lula, que está na frente nas pesquisas divulgadas, porém outra parte considerável dos brasileiros vão avaliar o voto até a eleição”, complementou. A analista política cita o esforço de Ciro Gomes e João Doria para a eleição de 2022, contudo ela explica que no atual momento está difícil a terceira via se firmar, o que não quer dizer que este panorama será mantido.

Além da política

A polarização no Brasil chegou ao ponto da divisão que não se limitar à política.

Isso ficou evidente na pandemia da Covid-19.

Em todos os setores, existe uma questão para o debate.

Um dos melhores exemplos aconteceu na Copa América, realizada no País entre junho e julho. Muitas pessoas chegaram a torcer contra a Seleção Brasileira na final diante da Argentina por conta do presidente Jair Bolsonaro. A divisão política também tem causado brigas entre familiares e amigos.

A psicóloga Luíza Dacal Corrêa explica que a posição política se constrói mutuamente com nossos valores e as vivências, o que faz com que opiniões diferentes acabem ferindo quem somos e invadindo profundezas da nossa subjetividade.

“Quando o diferente faz parte da nossa família, torna tudo mais profundo e complexo, já que construímos expectativas em relação a essas figuras que, por vezes, foram pessoas que projetamos conteúdos que as tornam referência”.

Questionada sobre como lidar com opiniões políticas distintas dentro do ciclo familiar e de amizade, Luíza ressaltou que é necessário entender que todo ser humano é constituído de pontos “positivos” e “negativos”. Ou seja, resumi-lo faz com que se deixe de olhar para diversos aspectos da sua individualidade, assim como fazem as crianças que dividem o mundo entre o bem e o mal.

Todavia, alertou que não pode haver complacência nas opiniões que ferem a integridade humana.

Notícias relacionadas

ENFOQUE JORNAL E EDITORA © TODOS OS DIREITOS RESERVADOS

desenvolvido por:
Este site usa cookies para personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Conheça a nossa Política de Cookies.