Por reajuste, médicos cruzam os braços em dez estados
Médicos credenciados em operadoras de planos de saúde interrompem hoje (25), por um período de 24 horas, as consultas e outros
procedimentos eletivos em dez estados – Acre, Bahia, Espírito Santo,
Maranhão, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Santa
Catarina e Sergipe. Além desses, haverá paralisação na Paraíba, com
suspensão do atendimento apenas pela manhã, e no Piauí, onde a ação deve
durar 72 horas.
Os atos marcam o Dia Nacional de Advertência aos Planos de Saúde. Nos
demais estados, estão previstas manifestações, entre elas uma passeata
na Avenida Paulista, em São Paulo; protestos em frente à sede da
Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), no Rio de Janeiro; e
panfletagem para esclarecimentos na rodoviária de Brasília.
A paralisação vai prejudicar boa parte da população brasileira, já
afetada pela falta de qualidade dos planos de saúde. Em coletiva à
imprensa, o vice-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM),
Aloísio Tibiriçá, estimou que 47 milhões de brasileiros utilizam algum
tipo de plano de saúde, o que representa um total de 25% da população.
Em termos de valores, os planos são responsáveis por cerca de 55% de
tudo o que é gasto com saúde no país, segundo o CFM. “Com um
financiamento desses, era para estar tudo melhor”, disse Tibiriçá. “Mas
essa não é a percepção dos consumidores e dos médicos”, completou.
De acordo com o diretor da Federação Nacional dos Médicos (Fenam),
Márcio Bichara, em torno de 1,2 milhão de pessoas contrataram um plano
de saúde entre dezembro de 2010 e dezembro de 2011. “O país está
crescendo, a economia está crescendo e, cada vez mais, é um anseio da
população ter um plano de saúde. Mas esse plano tem que ser digno,
porque ele não é barato”, disse. “O usuário está sendo enganado quando
compra o plano, porque não tem uma rede adequada para o seu
atendimento”, concluiu.
Segundo o CFM, o crescimento no acesso aos planos de saúde não veio
acompanhado do aumento no número de médicos, leitos e hospitais
credenciados. A situação, de acordo com Aloísio Tibiriçá, faz com que o
tempo médio de espera para uma simples consulta chegue a três semanas.
“Insatisfeitos com os honorários, os médicos estão selecionando ou
deixando os planos de saúde. É menos gente ainda para atender”,
destacou.
Uma proposta de negociação oficial será apresentada amanhã pela
categoria à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Entre os
principais itens estão reajuste anual, multa para atraso no pagamento
dos profissionais de saúde e abertura para negociação com entidades
médicas.
O diretor da Associação Médica de Brasileiro (AMB), José Luiz
Mestrinho, avaliou que o Dia Nacional de Advertência aos Planos de Saúde
pode estar se tornando uma realidade repetitiva, já que chegou a
acontecer duas vezes no ano passado. “Fica parecendo que estamos criando
essa situação”, avaliou.