Há duas semanas, ganhou espaço na mídia um triste ato dentro de uma sala de aula, quando um aluno de oito anos agrediu uma professora com uma cadeira na Escola Municipal Pedro Crescenti. O caso, porém, não é isolado e acontece tanto em escolas públicas como em particulares.
Os educadores, outrora respeitados, estão perdendo gradualmente o poder e a autonomia na sala de aula, sendo vítimas tanto de um sistema que prioriza apenas o aluno como pelos próprios estudantes.
Segundo pesquisa do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), de 2013, 44% dos professores já sofreram algum tipo de violência dentro das instituições. O estudo apontou ainda que mais da metade dos alunos (57%) consideram a sua escola violenta. Entre os professores e pais, o percentual foi ainda maior: 70% e 78%. A maior parte dos familiares entrevistados, no entanto, não soube mencionar casos concretos, o que indica pouco envolvimento direto com a escola.
De acordo com o presidente do Sinpro (Sindicato dos professores de Santos e Região) da rede particular, Walter Alves, atualmente os professores sofrem pressão de todos os lados. "Existe a família que há alguns anos deixou de estar ao lado do professor e ainda o dá mais uma tarefa de educar o filho, não com a matéria que leciona, mas no aspecto social, em um simples pedido de desculpas ou obrigado", diz. "Da escola, e no caso das particulares que visam apenas o lucro, pressionando o professor a ter os melhores resultados e dando a razão sempre ao consumidor, neste caso, o aluno. E, por último, os próprios estudantes que perderam o respeito", ressalta.
Para Alves, a sociedade como um todo precisa parar e conversar para analisar possíveis soluções. A consequência desta realidade, de acordo com Wagner, é o número cada vez menor de jovens que optam pela licenciatura e o crescimento no volume de professores que abandonam a sala de aula. "O número de professores jovens tem diminuído ano a ano. Afinal, sabendo a realidade das escolas, fica difícil escolher os bancos escolares. A média de idade é cada vez mais alta", explica.
Pedro Crescenti
No recente caso, a professora agredida foi encaminhada ao Pronto Socorro e no momento está em casa e afastada do trabalho, com licença médica. De acordo com Cássio Canhoto, diretor do Sindserv - Sindicato dos Servidores, todo o processo está sendo acompanhado de perto pelo sindicato para que os direitos dela sejam assegurados. "Estamos em reuniões constantes com a escola e queremos que a equipe indique as necessidades para que ações efetivas aconteçam no intuito de melhorar a realidade", explica.
O problema é grande. Em nota no site, o Sindserv aponta que a "média de 32 alunos por sala, falta de professores e funcionários, estrutura caindo aos pedaços e apenas dois funcionários de uma equipe técnica que deveria ter quatro é a realidade da escola".
Em nota, a prefeitura Municipal de Santos ressaltou que ainda este mês a Pedro Crescenti iniciará o projeto Ser Presente para resgate da família na escola. Consiste em encontros mensais, especialmente voltados aos pais, para debater responsabilidades, educação, valores e qualidade de vida. Na classe onde ocorreu o recente episódio haverá o primeiro encontro ainda este mês. O objetivo é melhorar a convivência e o aproveitamento escolar. Outro projeto com o mesmo foco é o Presença em Ação, dirigido aos cerca de 40 professores da escola. Serão reuniões pedagógicas temáticas semanais, durante as quais serão repensados planos de ação para melhorar a convivência escolar e a aprendizagem. Em relação à infraestrutura, a prefeitura nada comentou.
Justiça Restauradora
O programa será aplicado inicialmente em sete escolas na cidade (Ayrton Senna, Florestan Fernandes Cidade de Santos, Lourdes Ortiz, José Carlos de Azevedo, Leonardo Nunes e Pedro Crescenti). O intuito, de acordo com a secretária-adjunta e integrante do grupo técnico, Audrey Kleys, é envolver todos os agentes da escola para inserir a cultura da não-violência e pacificar o ambiente escolar com ações específicas para cada unidade. Enquanto o projeto da Justiça Restaurativa não é implementado, serão realizados os Círculos Restaurativos, que utilizam como base os princípios da Justiça Restaurativa.
Há duas semanas, ganhou espaço na mídia um triste ato dentro de uma sala de aula, quando um aluno de oito anos agrediu uma professora com uma cadeira na Escola Municipal Pedro Crescenti. O caso, porém, não é isolado e acontece tanto em escolas públicas como em particulares.
Os educadores, outrora respeitados, estão perdendo gradualmente o poder e a autonomia na sala de aula, sendo vítimas tanto de um sistema que prioriza apenas o aluno como pelos próprios estudantes.
Segundo pesquisa do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), de 2013, 44% dos professores já sofreram algum tipo de violência dentro das instituições. O estudo apontou ainda que mais da metade dos alunos (57%) consideram a sua escola violenta. Entre os professores e pais, o percentual foi ainda maior: 70% e 78%. A maior parte dos familiares entrevistados, no entanto, não soube mencionar casos concretos, o que indica pouco envolvimento direto com a escola.
De acordo com o presidente do Sinpro (Sindicato dos professores de Santos e Região) da rede particular, Walter Alves, atualmente os professores sofrem pressão de todos os lados. “Existe a família que há alguns anos deixou de estar ao lado do professor e ainda o dá mais uma tarefa de educar o filho, não com a matéria que leciona, mas no aspecto social, em um simples pedido de desculpas ou obrigado”, diz. “Da escola, e no caso das particulares que visam apenas o lucro, pressionando o professor a ter os melhores resultados e dando a razão sempre ao consumidor, neste caso, o aluno. E, por último, os próprios estudantes que perderam o respeito”, ressalta.
Para Alves, a sociedade como um todo precisa parar e conversar para analisar possíveis soluções. A consequência desta realidade, de acordo com Wagner, é o número cada vez menor de jovens que optam pela licenciatura e o crescimento no volume de professores que abandonam a sala de aula. “O número de professores jovens tem diminuído ano a ano. Afinal, sabendo a realidade das escolas, fica difícil escolher os bancos escolares. A média de idade é cada vez mais alta”, explica.
Pedro Crescenti
No recente caso, a professora agredida foi encaminhada ao Pronto Socorro e no momento está em casa e afastada do trabalho, com licença médica. De acordo com Cássio Canhoto, diretor do Sindserv – Sindicato dos Servidores, todo o processo está sendo acompanhado de perto pelo sindicato para que os direitos dela sejam assegurados. “Estamos em reuniões constantes com a escola e queremos que a equipe indique as necessidades para que ações efetivas aconteçam no intuito de melhorar a realidade”, explica.
O problema é grande. Em nota no site, o Sindserv aponta que a “média de 32 alunos por sala, falta de professores e funcionários, estrutura caindo aos pedaços e apenas dois funcionários de uma equipe técnica que deveria ter quatro é a realidade da escola”.
Em nota, a prefeitura Municipal de Santos ressaltou que ainda este mês a Pedro Crescenti iniciará o projeto Ser Presente para resgate da família na escola. Consiste em encontros mensais, especialmente voltados aos pais, para debater responsabilidades, educação, valores e qualidade de vida. Na classe onde ocorreu o recente episódio haverá o primeiro encontro ainda este mês. O objetivo é melhorar a convivência e o aproveitamento escolar. Outro projeto com o mesmo foco é o Presença em Ação, dirigido aos cerca de 40 professores da escola. Serão reuniões pedagógicas temáticas semanais, durante as quais serão repensados planos de ação para melhorar a convivência escolar e a aprendizagem. Em relação à infraestrutura, a prefeitura nada comentou.
Justiça Restauradora
O programa será aplicado inicialmente em sete escolas na cidade (Ayrton Senna, Florestan Fernandes Cidade de Santos, Lourdes Ortiz, José Carlos de Azevedo, Leonardo Nunes e Pedro Crescenti). O intuito, de acordo com a secretária-adjunta e integrante do grupo técnico, Audrey Kleys, é envolver todos os agentes da escola para inserir a cultura da não-violência e pacificar o ambiente escolar com ações específicas para cada unidade. Enquanto o projeto da Justiça Restaurativa não é implementado, serão realizados os Círculos Restaurativos, que utilizam como base os princípios da Justiça Restaurativa.