nacional

Rei das vendas

Santos é conhecida por particularidades únicas no cenário internacional. O maior jardim de orla de praia do mundo, o mais…

28 de julho de 2008 - 15:17

Da Redação

Compartilhe


Santos é conhecida por particularidades únicas no cenário internacional. O maior jardim de orla de praia do mundo, o mais importante Porto do Hemisfério Sul e o melhor time de futebol de todos os tempos nas Américas são alguns dos títulos que atestam este destaque.


O município também é lembrado como a terra da caridade e da liberdade, fato comprovado pelo número de imigrantes e brasileiros que o escolheram para viver e prosperar. Hoje, esses anônimos ajudam a multiplicar os números de uma Cidade tão cheia de recordes e curiosidades.


Valcir Zatti é uma dessas pessoas. Aos 16 anos, ele deixou a distante Constantina, localizada no interior do Rio Grande do Sul, e tentou a sorte grande pelo imenso Brasil. Seguindo a tradição gaúcha, ele foi trabalhar numa rede de churrascarias, onde exerceu as mais variadas funções.


Passou pelo Mato Grosso, Rio de Janeiro e estados do Nordeste. Em 1990 chegou a Santos, de onde não saiu mais. “Já morei em várias cidades do País, mas aqui é o lugar mais maravilhoso que já conheci. Sou santista de coração”, afirma com poucas saudades da terra natal.


Hoje, Zatti ocupa o cargo de gerente e tem a missão de administrar a estrutura operacional num dos principais restaurantes da Cidade. Na baixa temporada, a churrascaria Tertúlia serve cerca de oito mil rodízios por mês. Nas férias de verão, este número salta para 12 mil unidades, o que representa 8,5 toneladas de carnes saboreadas mensalmente.


Ele explica que este número é referente a todos os tipos de carnes, mas que um deles tem característica especial. “A picanha tem um consumo de 2,5 toneladas a cada 30 dias, algo difícil de acontecer em outro local da Cidade”.


Com 1.100 rodízios servidos, o Dia das Mães é a data campeã de movimento no ano, seguida do Dia dos Pais e dos Namorados. Ele lembra que nestas ocasiões, todo o profissionalismo e os anos de experiência são colocados à prova. “São cerca de 70 colaboradores preocupados em atender os clientes, sem contar com os cuidados no manuseio de aproximadamente 1200 pratos, três mil talheres e 800 copos e taças que temos aqui”.


Além do buffet com saladas, pratos quentes e queijos, a churrascaria serve cerca de 20 mil pasteizinhos no mês, tudo consumido no couvert de entrada. Com 120 quilos servidos no mesmo período, o salmão é outro item que chama atenção.


Os vinhos também têm números curiosos. Zatti conta que são 450 garrafas na adega, divididas em 110 rótulos de 12 países. São vendidas 550 unidades por mês. “Os argentinos e chilenos lideram as vendas. As uvas Malbec, Cabernet Sauvignon e Calmenere são as mais apreciadas”.


O preço pode variar de R$ 40 a R$ 250 por garrafa. Ele garante que algumas receitas são exclusividades da casa. Por R$ 14 é possível provar a caipirinha com o Hpnotiq, licor francês à base de vodka, conhaque e suco natural de frutas.


Como um bom gaúcho, ele revela a carne de sua preferência. “Eu gosto mais do fraldão. Depois de maturada, ela apresenta um sabor magnífico”. Perguntado sobre o time do coração, Zatti revela duas paixões. “Quando Santos e Grêmio jogam, o coração fica dividido. O mais importante é a Cidade que não troco por nenhum lugar do Brasil”, revela.


Rei do coco


Há 26 anos, quando ainda morava em Pinhão, município do semi-árido sergipano, José Costa dos Santos não imaginava que seria o principal vendedor de água de coco das praias de Santos.


Depois de trabalhar como copeiro em bares e restaurantes da Cidade, este simpático nordestino descobriu a fórmula do sucesso. Hoje, conhecido como Zé do Coco, ele movimenta números expressivos e mata a sede de milhares de santistas e turistas que passam pelo movimentado quiosque no Canal 6.


Ele conta que o veranico deste inverno está sendo o melhor em 20 anos de trabalho. “Antes das férias, vendíamos cerca de 900 cocos por dia, o que já era bom demais para a baixa temporada. Com a chegada do mês de julho, o movimento dobrou. Estamos vendendo aproximadamente dois mil cocos a cada jornada”.


Nos meses de verão, Zé do Coco chega a comercializar até quatro mil unidades diariamente. Para atender a demanda e atingir o estágio atual do seu negócio, ele investiu numa estrutura profissional e criativa.


O comerciante dispõe de quatro funcionários e um depósito para armazenar até 36 mil cocos. Deste total, duas câmaras frigoríficas têm capacidade para refrigerar até 16 mil unidades.


Assim, o produto já chega gelado à praia. “Conforme o estoque diminui no quiosque, vamos abastecendo com um veículo utilitário”. Na alta temporada, ele costuma receber dois carregamentos por semana. Os caminhões rumam de fazendas no Nordeste e levam até três dias para chegar. Eles transportam cerca de nove mil cocos em cada viagem.


Zé diz que o trabalho, a qualidade e o preço baixo são os segredos do sucesso. “O nosso valor está congelado há anos. Por R$ 1,50 é possível provar a água de coco mais gelada da orla santista”, garante.


Ele também revela a recompensa recebida e os frutos colhidos ao longo desta trajetória. “Vendendo cocos, eu melhorei de vida, realizei o sonho da casa própria e estou investindo nos estudos das minhas filhas”.


Rei da baguete


Este título pertence ao português Fernando Alves Patrício. Natural da cidade do Porto, ele chegou a Santos em 1962. Durante 29 anos comandou um restaurante no Centro Velho, na esquina das ruas General Câmara e Constituição. Na década de 60, o título de maior vendedor de cerveja caía-lhe bem.


“Vendia 100 caixas por noite. Os trabalhadores portuários eram os grandes responsáveis pelo movimento. Atualmente, o imóvel onde funcionava o estabelecimento está fechado”, lembra com saudades da época.


O tempo passou e o foco do comerciante foi modificado. Já são 12 anos atuando no ramo da panificação. Hoje, o carro-chefe do seu negócio são as baguetes recheadas.


No Empório Nova Era, na Encruzilhada, ele vende cerca de quatro mil unidades por dia. São mais de dez tipos, com destaque para os sabores de atum, quatro queijos, azeitonas e bacon. Filas se formam para comprar o produto. O estabelecimento funciona das 5 à meia-noite e o movimento é constante a qualquer hora do dia ou noite. “A mais vendida é a de peito de peru”, revela.


As baguetes são comercializadas em dois tamanhos. A pequena pesa cerca de 180 gramas e custa R$ 1,30. A grande é vendida por peso. São R$ 8 o quilo e cada unidade pode chegar até 500 gramas. Segundo o comerciante, uma média de 3.500 pessoas entra diariamente do local.


Para dar conta do movimento, são necessários 96 funcionários revezados em três turnos de trabalho. É possível perceber que sócios, família, padeiros, balconistas, caixas e motoristas fazem parte de uma espécie de força tarefa. Uma gestão empresarial também é observada na estrutura operacional do negócio.


Com os óculos pendurados no pescoço, no velho estilo dos tradicionais donos de padaria, Patrício está sempre atento aos detalhes do estabelecimento.


Ele só não revela a fórmula das saborosas baguetes recheadas. “A fabricação começa por volta da meia-noite e servimos durante todo o dia. Já tentaram copiar, mas não conseguiram fazer igual. A receita original é segredo guardado com a minha mulher”, destaca.

LEIA TAMBÉM: