A Petrobras investiu, nos últimos 12 meses, R$ 200 milhões em compras corriqueiras só para atender as demandas da Unidade de Operações de Exploração e Produção da Bacia de Santos e a Refinaria Presidente Bernardes de Cubatão. Desse total, cerca de 5% ficaram com pequenas empresas fornecedoras da Região Metropolitana da Baixada Santista. Para diminuir os custos com operações logísticas e, principalmente, estimular a inserção das empresas locais na cadeia de suprimentos de bens e serviços, a meta da estatal é dobrar este índice até 2020.
Com o objetivo de orientar as micro e pequenas empresas (MPEs) da região a se aprimorarem para atender estas necessidades do setor, o Sebrae-SP desenvolveu o Programa da Cadeia Produtiva Petróleo, Gás e Energia que tem como objetivo capacitar as MPEs paulistas para fornecer seus produtos e serviços para as empresas do setor. Para isso, a entidade elaborou, com o apoio da Petrobras, o “Mapeamento da Demanda e Oferta de Bens e Serviços da Cadeia de Petróleo e Gás na Baixada Santista”, um estudo inédito que traça um perfil das reais demandas das grandes empresas que atuam no segmento de petróleo e gás, bem como as dificuldades encontradas pelas MPEs para realizar negócios com esta cadeia, informando quais serão as ações de capacitação do Sebrae-SP para capacitar os empresários para este fornecimento.
O processo de levantamento de dados incluiu a realização de 600 entrevistas com MPEs que apresentam potencial para fornecer bens e serviços, 120 entrevistas com empresas que já são cadastradas como fornecedoras da Petrobras, além de 37 entrevistas com executivos das unidades da estatal, empresas sistemistas e parceiros institucionais.
Dos potenciais fornecedores estão divididos em Serviços (54,83%), Comércio (43,17%) e Indústria (2%). O estudo apontou que estas empresas registram uma média de funcionamento de 15 anos (sendo 61,3% há mais de dez anos) e uma evolução na força de trabalho de aproximadamente 5% durante o período analisado, empregando uma média de 11 funcionários atualmente (43,3% nas micro e 56,6% nas pequenas). Além disso, 60% das MPEs apresentam crescimento médio de 13,72% nas atividades.
A pesquisa identificou também melhoras significativas no desempenho das pequenas empresas que já conseguiram tornar-se clientes do setor: a maioria registrou um crescimento médio de faturamento da ordem de 19% e de 14% na expansão de sua força de trabalho.
Potencial – A informação reveladora da pesquisa é essa: 85,2% das MPEs entrevistadas têm interesse em fornecer para a cadeia, aquelas que demonstraram desinteresse nesse sentido (14,77%) alegam não possuir tamanho, potencial ou estrutura para fornecer. No entanto, 80% afirmaram conhecer o alto volume de investimentos que cerca a cadeia – aproximadamente US$25 bilhões de dólares no estado de São Paulo, para os próximos três anos-, mas apenas 45% delas conseguem se enxergar como fornecedoras desta cadeia atualmente.
O estudo identificou ainda que um total de 86,5% das MPEs não buscou informações sobre como se tornar potenciais fornecedoras.
Otimismo – A pesquisa mostra que este quadro pode ser alterado em um futuro próximo, pois 80,67% das MPEs têm interesse de vir a fornecer à cadeia de petróleo e gás e apontam em quais áreas precisam de auxílio: capacitação de mão-de-obra foi apontada por 38% dos entrevistados, orientação sobre gestão por 31,5% e acesso a financiamentos por 17,8%.
Impacto do Pré-Sal no desenvolvimento das MPEs da Baixada Santista
Mais de 6 mil micro e pequenas empresas localizadas na região da Baixada Santista que compreende os municípios de Bertioga, Cubatão, Guarujá, Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe, Praia Grande, Santos e São Vicente, foram identificadas como potenciais fornecedoras da cadeia de petróleo e gás, já que produzem 87 bens e serviços agregados em 30 “famílias” de atividades presentes nas compras do setor. São 44 demandas de bens e 43 de serviços
Dentre as empresas ouvidas na pesquisa, aproximadamente 86% manifestaram interesse em fornecer para esta cadeia e, dentre o percentual das que não se interessaram (14,77%), mas da metade (53%) disseram que a empresa não possuía tamanho, potencial ou estrutura para atender à Petrobras e seus parceiros.
De acordo com o estudo, 44% das empresas que já fornecem para a cadeia registraram crescimento no faturamento bruto anual e 43% identificaram a entrada de novos clientes, depois que passaram a integrar o cadastro de fornecimento da Petrobras. 80% delas receberam cotações depois de se cadastrarem, 76% conseguiram enviar propostas e 59% efetivaram vendas. Em média, as MPEs cadastradas vencem 37% das cotações enviadas.
Dentre as vantagens apontadas pelos fornecedores, os destaques são: 65% acreditam que fornecer para a Petrobras gera referência positiva no mercado, 26% acham vantajoso pelo fato de executarem trabalhos de maior aporte financeiro e 22% por terem fluxo constante de trabalho.