Tecnologia segue quebrando paradigmas e coloca profissões em xeque
O aplicativo Uber tem figurado no noticiário nos últimos dias. A nova ferramenta, um intermediário entre passageiros e um serviço de transporte individual, gerou sentimento de revolta entre os taxistas. Afinal, além de outras questões, a iniciativa traz uma disrupção para o ofício destes profissionais. Não é de hoje que esse mercado tem sido impactado pelas novas tecnologias. Recentemente, aplicativos como Easy Taxi e 99Taxis mexeram com as cooperativas, já que possibilitam a eliminação desse intermediário.
Desde sempre, profissões e carreiras nascem e morrem ao passo do desenvolvimento de novas tecnologias. Isto é, em busca da eficiência mudam-se as ferramentas. Esse foi o mote da Revolução Industrial. Nascida na Inglaterra durante o século XVIII, ela foi marcada pela criação de máquinas com o objetivo de poupar o tempo de trabalho humano.
Trabalhos repetitivos foram substituídos por máquinas e muitos tentaram resistir à mudança, como o inglês Ned Ludd, que cunhou o movimento intitulado ludismo, quando trabalhadores invadiam as fábricas e destruíam o maquinário. Apesar de problemas trabalhistas sérios, a Revolução Industrial fez a economia girar e foi o pico do desenvolvimento social, onde a população mundial e qualidade de vida deram um salto, conforme apresentado no livro do historiador americano Ian Morris, O Domínio do Ocidente.
Empregos em xeque?
Basta puxar pela memória que percebemos que muitos ofícios desapareceram com o tempo. Telefonista, datilógrafo, quebradores de gelo estão com os dias contados – alguns já nem existem mais. Segundo estudo O futuro do emprego: Como as profissões estão suscetíveis à informatização? (The Future of Employment: How suscetible are jobs to computerisation?) dos doutores da Universidade de Oxford, na Inglaterra, Carl Frey e Michael Osborne, 47% das atuais ocupações correm risco de desaparecer.
O levantamento feito a partir da avaliação de mais de 700 tarefas chegou a conclusão que as profissões que envolvem funções intelectualmente repetitivas são mais suscetíveis à extinção. Composto de índice que varia de 0 e 100% (confira algumas profissões no quadro ao lado), o estudo considerou identificar o que uma máquina poderá fazer melhor que os humanos nas próximas duas décadas.
“É muito provável que muitos profissionais que não estiverem preparados para manter-se no mercado de trabalho percam espaço para a tecnologia, mas quanto a extinção de profissões é arriscado afirmar”, diz o professor Rodrigo da Rosa, diretor da Área de Ciências Exatas e Tecnológicas da Universidade de Guarulhos.
Em sua opinião, ocupações que estão relacionadas, principalmente, com a vida das pessoas de modo geral, como trabalhos nas áreas da saúde, educação e programação, não correm risco de desaparecer. “É difícil pensar que alguém poderá aprender 100% dos aspectos essenciais da vida com uma máquina. Operações cirúrgicas, diagnósticos psicológicos e venda de remédios são outros exemplos, mesmo que recebam auxílio de recursos tecnológicos para isso”, conclui.
Homem x máquina
Os computadores atuais estão ficando mais inteligentes. Atividades onde reinávamos já são feitas por computador e sem chance para os humanos. Principalmente aquelas que demandam capacidade de processamento e técnica matemática. Hoje, o robô Cubestormer 3 detém o recorde mundial de solução de cubo mágico em 3.2 segundos.
Desde 1997, a partida entre o então melhor enxadrista do mundo, Gary Kasparov e o Deep Blue a maestria em xadrez é de uma inteligência artificial. Um supercomputador de 1,4 tonelada que só sabia jogar xadrez e que custaria o equivalente a U$ 15 milhões venceu Kasparov. À época, o Deep Blue era uma das 500 máquinas mais potentes do mundo. Hoje, um smatphone tem mais de quatro vezes o seu desempenho.
Depois disso muitos pensaram que torneios de xadrez seriam fechados para humanos, mas pelo contrário, o campeonato de estilo livre de 2005 mostrou um resultado diferente. Os times que competiram podiam ser formados por qualquer combinação entre humanos e computadores. Quem venceu o torneio foram dois amadores munidos de três computadores simples. Um conjunto da capacidade de processamento das máquinas em conjunto com a criatividade e abstração humana.
Hoje nenhum computador ou tecnologia tem capacidade de idealizar, refletir, persuadir e negociar, improvisar, interpretar como os humanos. Por isso, profissões que priorizam essas habilidades aparecem mais abaixo na tabela de Frey.
Em seu artigo, ele diz que um trabalhador com alto risco de substituição não perderá, necessariamente, o emprego. Mas seu horizonte profissional será limitado. Há ainda o reconhecimento do surgimento de nova mão-de-obra responsável por design e manutenção das novas tecnologias.
