Trabalhador confia na geração de empregos na Baixada
Quase sete em cada 10 trabalhadores da Baixada Santista estão otimistas com a possibilidade de geração de empregos na região para os próximos anos. Porém, a maioria admite que a falta de qualificação profissional é o principal obstáculo para conseguir uma vaga nesse promissor mercado de trabalho. Essa é uma das constatações da pesquisa de opinião “Emprego na Baixada Santista”, realizada pelo Instituto de Pesquisas A Tribuna (IPAT) para o projeto “Baixada Santista 2021 – os desafios para a próxima década”, idealizado pelo Instituto Impacto.
A iniciativa tem a parceria das nove prefeituras da região, de 16 instituições de ensino superior, da Agência Metropolitana da Baixada Santista (Agem-BS) e do Sistema A Tribuna de Comunicação. O projeto também conta com o apoio da Ecovias e da R Amaral Consultoria.
No levantamento feito com 1.200 pessoas nos dias 14 e 15 deste mês, com margem de erro de 3,5 pontos, 25,5% dos entrevistados avaliaram “com muito otimismo” o mercado de trabalho da Baixada para os próximos anos. Outros 42,1% declararam otimismo, “mas sem exageros” quando o assunto é geração de empregos. Apenas 9,2% dos moradores da região demonstram pessimismo. Em Santos, o percentual de pessimistas é maior: 15,8%.
Apesar da grande confiança na criação de mais vagas, o que poderá facilitar uma eventual mudança profissional, 82,3% garantem que estão satisfeitos com o seu emprego ou ocupação atual. Entre os insatisfeitos, o baixo salário (57%) e a falta de reconhecimento profissional (14,8%) são as principais justificativas para o descontentamento.
O serviço público (18,6%) e a área petróleo e gás (16,8%) são as mais desejadas entre os que pretendem mudar de emprego. No rol de profissões com maiores possibilidades de emprego, a de técnico em petróleo e gás e a de engenheiro foram as consideradas mais promissoras, com 20,4% e 17,4%, respectivamente das respostas. O trabalho de pedreiro teve 17,4% das citações. A maioria (30,6%), no entanto, não soube indicar a profissão que deverá gerar mais contratações.
Qualificação – O despreparo para o mercado de trabalho é um dos pontos mais preocupantes apontados na pesquisa. Ao todo, 39,8% afirmaram que a falta de qualificação profissional é a principal dificuldade para conseguir um emprego hoje na Baixada.
Mesmo diante da perspectiva de criação de 30 mil vagas pela Petrobras e por outras empresas do setor do petróleo e gás na região, 51,3% dos entrevistados reconhecem que estão despreparados para disputar esse concorrido mercado de trabalho. Entre os moradores do Litoral Sul, o índice é de quase 60%.
Para o presidente do Instituto Impacto, Paulo Alexandre Barbosa, o resultado da pesquisa deve servir como um “alerta” para a necessidade urgente de ampliar a qualificação profissional na Baixada. Recém-nomeado para o cargo de secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Paulo Alexandre defendeu a abertura imediata de novos cursos técnicos e de curta duração pelo Centro Paula Souza.
“É uma das prioridades do governador Geraldo Alckmin. Já temos vagas que deixaram de ser preenchidas por moradores locais em razão da falta de profissionais habilitados às exigências do mercado. Com o apoio das prefeituras e da iniciativa privada, vamos atacar esse problema com investimentos em cursos e a abertura de novas Etecs e Fatecs. O Via Rápida para o Emprego – que prevê cursos profissionais de curta duração – terá uma unidade na Baixada”, explicou.
O secretário também adiantou que os Restaurantes Bom Prato também vão oferecer cursos do Via Rápida em suas unidades. As capacitações devem começar no início do segundo semestre na área de gastronomia e manipulação de alimentos. Os participantes que estiverem desempregados e não tiverem outra fonte de renda receberão auxílio financeiro de R$ 330,00 durante o período do curso.
“Vamos priorizar as pessoas com baixa qualificação profissional e em situação de vulnerabilidade social. É esse o segmento mais afetado pelo desemprego e que demanda maior atenção”, justificou Paulo Alexandre.
O que é – O projeto “Baixada Santista 2021 – desafios para a próxima década” tem por finalidade reunir informações e análises a respeito das oportunidades, impactos e eventuais ameaças sociais, urbanísticas e ambientais na região, a partir das tendências previstas para a próxima década. Serão ainda feitas projeções estatísticas e avaliações de situações potenciais que poderão influenciar o mercado de trabalho nas nove cidades e a qualidade de vida da população daqui a dez anos.
Para cada um dos sete seminários previstos serão convidados especialistas para apresentar experiências adotadas em outras regiões que também tiveram um grande crescimento econômico. Os eventos terão a participação de sindicatos, entidades de classe e outros representantes de segmentos da sociedade.
Ao final do projeto, previsto para maio de 2012, ocorrerá a conferencia com a presença de prefeitos, secretários estaduais e autoridades de âmbito nacional e internacional. Juntos com os responsáveis pelos estudos, eles vão debater medidas que poderão ser implantadas com base no diagnóstico apresentado no projeto.
O primeiro simpósio será o “Mercado de Trabalho na Região Metropolitana da Baixada Santista”, confirmado para 12 de maio, na Universidade Santa Cecília – Unisanta (Rua Cesário Mota, 8, 4º andar, no Boqueirão, em Santos). Nessa data, haverá a apresentação dos resultados completos da pesquisa do Instituto de Pesquisas A Tribuna (IPAT) e do relatório analítico produzido pelo consultor e jornalista Rodolfo Amaral.