Luta contra a desigualdade deve ser objetivo de todos, diz PHD em Educação | Boqnews
22 de abril de 2022

Luta contra a desigualdade deve ser objetivo de todos, diz PHD em Educação

É possível solucionar o problema da desigualdade no Brasil?

Para a ex-ministra de Assistência Social do governo Fernando Henrique Cardoso e PHD em Educação, Wanda Engel, são várias as formas que a sociedade pode agir com o objetivo de proporcionar uma vida melhor aos mais pobres e reduzir a desigualdade social.

Wanda foi uma das palestrantes do último debate realizado no auditório techware, dentro da 48ª edição do Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas (CONARH), em São Paulo.

Para a especialista em educação, a pobreza e a desigualdade não são fenômenos naturais.

“Eles são produtos de uma sociedade que concentra a riqueza do país na mão de poucos”, afirmou Wanda no evento.

Um dos fatores apontados no discurso da ex-ministra é que a reprodução da pobreza entre as gerações ocorre quando surgem fatores que impedem o desenvolvimento dos membros de uma família pobre.

Wanda lembrou ainda que a desigualdade é fruto de mecanismos culturais e estruturais, baseada na crença de inferioridade dos grupos que diferem dos padrões socialmente valorizados.

Evento atraiu milhares de pessoas em São Paulo. Foto; Eduardo Russo

Cronologia

Wanda Engel destacou que o Brasil já foi referência na luta contra a desigualdade social desde a implantação da Constituição Federal de 1.988, que garantiu a assistência social como direito.

E ainda:  organizou o Sistema Único de Assistência Social (por meio dos Centro de Referência da Assistência Social e Centro de Referência Especializada de Assistência Social- CRAS e CREAS respectivamente-).

E também: criou os Programas de transferência não condicionada- considerados estratégias de promoção social que têm como meta promover o desenvolvimento social e humano.

Assim, todos esses avanços foram unificados no Bolsa Família e no programa Brasil sem Miséria, criados no governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Porém, Wanda ressaltou que os avanços não foram realizados somente no mandato de um presidente, mas vieram desde 1.988.

A crise de 2015, a pandemia e o descaminho na política foram apontados como retrocessos nos últimos tempos.

Assim, eles  causaram o aumento da extrema pobreza e o aumento da desigualdade.

Por fim, a ex-secretária mostrou possibilidades de contribuição que podem ser realizadas pelas empresas, escolas e políticos na busca da redução da desigualdade social.

As empresas podem expandir os programas voltados a oportunidades de inclusão para jovens do ensino médio.

Além disso, mudar a forma de recrutamento, podendo ocorrer parcerias com escolas ou ONGS e criar programas de treinamento e de mentoria.

As escolas devem ter a obrigação de desenvolver programas de responsabilidade social, apoiar a formação técnica e profissional, definir prioridades locais, contribuir na definição de conteúdos e capacitar instrutores.

Evasão escolar

Um dos grandes desafios que as escolas precisam enfrentar e reduzir é a evasão escolar.

“O Brasil gasta R$ 214 bilhões  por ano por causa da evasão. Cada 1% de diminuição dessa taxa corresponde a redução de 550 homicídios”, afirmou Wanda.

E uma das novas oportunidades pode ser o novo Ensino Médio.

Ou seja, ele é composto por um currículo básico e cinco itinerários formativos, incluindo a possibilidade de uma formação técnica.

Além disso, o estudante poderá não estudar todas as matérias durante os três anos do ensino médio, sendo somente o português e a matemática obrigatórios.

Dessa forma,  a sociedade também pode contribuir neste processo, por meio de sugestões para a agenda de lideranças políticas.

Por isso, Wanda disse que todos devem verificar com atenção quem será o responsável pela educação na União, nos estados e nos municípios.

 

(*) Eduardo Russo é jornalista e colaborador do Boqnews

Eduardo Russo (*), Da Redação
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