Uma Questão de Gênio
Na Universidade da Vida tenho observado que muitos relacionamentos, mormente os afetivos, tem se desgastado por incompatibilidade de gênios, aqui traduzido como personalidade. Mas, essa questão ultrapassa nosso cotidiano doméstico e avança nas relações internacionais, pois o poder da caneta está em mãos eleitas, aqui no sentido de escolhidas e não, necessariamente, votadas. Vou me deter apenas na análise humana.
O mau gênio ou pessoa geniosa, radicaliza posições. Sua cabeça é sua sentença. Tem posições bem definidas e, politicamente, incorretas, pois o traço conservador é forte. Tem capacidade de ser ótima profissional e administradora de seus recursos, mas a “cabeça dura” a faz custar “quebrar a cara” naquilo que acredita.
Já o de personalidade polida pelo esmeril da vida e instruída na sã sabedoria converge os pontos divergentes. Busca racionalizar os conflitos até o ponto de “deixar quebrar a cara” o intransigente. Antes, planifica, estabelece metas a curto, médio e longo prazo. Cede vantagens em prejuízo próprio.
Oferece, graciosamente, seus préstimos como ponto de partida na solução da pendência. Colaborativo. Mostra os prós e contras. Enfim vai ao limite.
Quantas guerras evitadas. Vidas poupadas. Natureza preservada. Famílias unidas. Amizades consolidadas. Obras bem feitas. Caridade elevada a dignidade da pessoa humana através do trabalho bem remunerado. E amores eternizados, enquanto durarem e se transmutarem numa bela amizade. Ou o inverso.
Não se trata jamais de impor verdades. Tão somente estar aberto ao diálogo. Saber ceder para agregar. O desenho de nossas fronteiras que o diga. Até cavalos e, respeitosamente ao contexto das negociações do Barão do Rio Branco, mulheres foram moedas de troca na mesa de negociação.
Até Deus transige. Prova maior é a vida de Jesus Cristo. E tantas religiões que tentam ensinar o Amor aos seus adeptos, apesar dos fundamentalistas que nelas se infiltram.
José R. da S. Vasconcelos. – [email protected]