Ansiedade e depressão afastam milhares de pessoas do trabalho
Cansaço que não melhora com o descanso, dificuldade de concentração, irritabilidade, alterações no sono e perda de interesse por atividades que antes faziam parte da rotina.
Em meio às pressões do dia a dia, nem sempre é fácil perceber quando esses sinais deixam de ser consequência de um período mais intenso e passam a indicar que a saúde mental precisa de atenção.
Dados
O cenário também aparece nos números. Em 2025, foram registrados 157.235 afastamentos do trabalho relacionados a transtornos ansiosos. Assim como, 122.222 por episódios depressivos. Esses dados fazem parte do levantamento da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT), com base em dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A proximidade do Dia do Psiquiatra, celebrado em 13 de agosto, abre espaço para uma discussão que vai além da data: em que momento o estresse e o cansaço deixam de ser uma reação esperada diante de uma rotina exigente e passam a sinalizar adoecimento?
Alerta
Segundo a psiquiatra Ana Paula Ruocco Nonato Matsumota, períodos de preocupação, estresse ou maior desgaste fazem parte da vida. E, isoladamente, não significam a presença de um transtorno mental. O alerta surge quando há mudanças persistentes no comportamento, no humor ou na rotina da pessoa.
“É importante perceber quando aquele cansaço começa a ser diferente, quando descansar já não parece suficiente ou quando atividades que antes eram realizadas normalmente passam a exigir um esforço muito maior. Mudanças no sono, no humor, na concentração e na disposição também precisam ser observadas”, explica.
Formas
No trabalho, o sofrimento emocional pode se manifestar de diferentes formas. Queda no rendimento, dificuldade para organizar tarefas ou tomar decisões, esquecimentos frequentes, irritabilidade e ansiedade diante de situações que antes eram enfrentadas com naturalidade são alguns exemplos.
Os reflexos, porém, nem sempre ficam restritos ao ambiente profissional. Eles podem atingir os relacionamentos, o convívio familiar e até os momentos de lazer.
“Quando a pessoa chega em casa, mas continua mentalmente ligada ao trabalho, não consegue descansar, começa a se afastar das pessoas ou perde o prazer por coisas que costumavam fazer bem, é um sinal de que vale parar e olhar com mais cuidado para o que está acontecendo”, afirma a psiquiatra.
Obstáculos
Para a especialista, um dos obstáculos ainda é a tendência de minimizar o sofrimento e adiar a procura por ajuda. Desse modo, acreditando que a situação irá melhorar sozinha.
“Muita gente tenta seguir a rotina acreditando que precisa dar conta de tudo ou que aquilo vai passar sozinho. Não é preciso chegar ao limite para procurar atendimento. Quanto antes conseguimos entender o que está acontecendo, mais cedo é possível iniciar o cuidado adequado”, destaca.
A avaliação profissional permite identificar se os sintomas estão relacionados a um momento pontual de sobrecarga ou se fazem parte de um quadro que necessita de acompanhamento e tratamento. Também permite compreender outros fatores que podem estar envolvidos e indicar a abordagem mais adequada para cada caso.
“Procurar ajuda não significa que a pessoa fracassou ou não conseguiu lidar com a própria rotina. É uma forma de cuidado. Muitas vezes, reconhecer que algo mudou e buscar orientação é justamente o primeiro passo para recuperar o equilíbrio e a qualidade de vida”, conclui.
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