Brasil lidera desinformação sobre vacina na América Latina, diz estudo | Boqnews
Brasil lidera desinformação sobre vacina na América Latina, diz estudo
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
26 de outubro de 2025

Brasil lidera desinformação sobre vacina na América Latina, diz estudo

Um estudo divulgado no Dia Nacional da Vacinação (17), apontou que o Brasil lidera a desinformação sobre vacinas na América Latina, concentrando 40% de todo esse tipo de material que circula pela rede social Telegram.

Chamado de Desinformação Antivacina na América Latina e no Caribe (Anti-vaccine Disinformation in Latin America and the Carribean) o estudo mapeou 81 milhões de mensagens que foram publicadas em 1.785 comunidades de teorias da conspiração do Telegram. Aliás, circularam entre 2016 e 2025 em 18 países da América Latina e do Caribe. E identificou 175 supostos danos que teriam sido atribuídos às vacinas e 89 falsos antídotos que estavam sendo vendidos como uma forma de neutralizar seus efeitos.

Elaborado pelo Laboratório de Estudos sobre Desordem Informacional e Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas, o levantamento apontou que o Brasil lidera o volume de mensagens e o número de usuários ativos que participam de comunidades conspiratórias sobre vacinas. Sendo responsável por mais de 580 mil conteúdos falsos ou com desinformação sobre imunização.

Para Ergon Cugler, coordenador do estudo e pesquisador do Laboratório de Estudos sobre Desordem Informacional e Políticas Públicas (DesinfoPop/FGV), o Brasil aparece na liderança porque ainda carece de regulação.

“Temos um ambiente digital ainda pouco regulado, com plataformas que lucram com o engajamento por meio do medo. Temos também uma sociedade polarizada, o que cria um terreno fértil para o discurso conspiratório”, disse à Agência Brasil.

Entre os líderes desse ranking também estão a Colômbia, com 125,8 mil mensagens falsas; o Peru, com 113 mil. Entretanto, o Chile com 100 mil publicações com conteúdos falsos.

Conteúdos falsos mais comuns

Entre as alegações falsas mais comuns que circularam nesses grupos de conspiração estava a de que a vacina provoca morte súbita (15,7% do total das mensagens mencionavam isso) ou altera o DNA de quem a toma (8,2%). Também houve falsas menções de que a vacina provoca Aids (4,3%), envenenamento (4,1%) ou câncer (2,9%).

Além disso, os grupos de teorias conspiratórias apontam possíveis “antídotos” contra as vacinas, misturando pseudociência, espiritualidade e consumo. Entre essas falsas alegações estavam a de que era preciso ficar descalço no solo para limpar energias do corpo (2,2% das mensagens mencionavam isso). Ou comprar dióxido de cloro (1,5%) ou outras substâncias químicas.

Segundo o Ministério da Saúde, essas informações são totalmente erradas e podem, inclusive, provocar danos à saúde da população.

A Anvisa controla a venda do dióxido de cloro e o classifica como saneante, destinado à higienização, desinfecção ou desinfestação domiciliar, em ambientes coletivos e públicos, e ao tratamento de água.

Substâncias sem eficácia comprovada

“Durante a pandemia de covid-19, muitas pessoas propagaram a substância — também conhecida como MMS, CDS e Solução Mineral Milagrosa — usada em produtos de limpeza, mesmo sem qualquer eficácia comprovada. Dessa maneira, o importante é entender o perigo de usar a substância. Que é altamente reativa e tóxica, podendo levar as pessoas a graves riscos à saúde”. Informou o ministério da saúde em uma publicação feita no ano passado, alertando que essa substância pode, inclusive, levar à morte.

Segundo Cugler, a desinformação é um mercado lucrativo e uma grande ameaça à saúde pública.

“Ela [a desinformação] funciona como um funil de vendas. Primeiro, espalha medo com alegações falsas sobre vacinas e, depois, oferece produtos, cursos e terapias como supostas ‘curas’. O antivacinismo virou um mercado, onde o pânico é transformado em lucro. Essas comunidades exploram o medo, misturam pseudociência com espiritualidade e vendem soluções milagrosas sem base científica”, disse ele.

 

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Da Redação
Elaine Patricia Cruz, Da Redação
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