Novembro Azul

Câncer de próstata é o segundo que mais mata entre homens

Conforme a Sociedade Brasileira de Urologia, 47% dos homens nunca se consultaram em um urologista

13 de novembro de 2015 - 18:57

Rodrigo Bertolino

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O maior desconforto entre o público masculino é o exame de toque retal. Apesar de durar alguns segundos e ajudar a diminuir as chances de um diagnóstico tardio, o assunto ainda gera uma apreensão grande

O maior desconforto entre o público masculino é o exame de toque retal. Apesar de durar alguns segundos e ajudar a diminuir as chances de um diagnóstico tardio, o assunto ainda gera uma apreensão grande

Após o outubro rosa, que conscientiza as mulheres sobre o câncer de mama, o Novembro Azul simboliza a necessidade de prevenção ao câncer de próstata aos homens. A campanha ganhou força nos últimos anos, mas a falta de informação e o preconceito ainda provocam dúvidas nas pessoas.

Durante todo o mês serão realizadas ações para que o público masculino entenda a importância dos exames rotineiros. A próxima terça (17) é o dia mundial do combate à doença.Tal enfoque é preciso, pois, segundo estudo feito este ano pela Sociedade Brasileira de Urologia, cerca de 47% dos homens nunca se consultaram com um urologista.

O maior desconforto entre o público masculino é o exame de toque retal. Apesar de durar alguns segundos e ajudar a diminuir as chances de um diagnóstico tardio, o assunto ainda gera uma apreensão grande.

No entanto, existem outros métodos para descobrir a doença. A ultrassonografia do local e a medição do Antígeno Prostático Específico, feito a partir de um exame de sangue, são alternativas que também podem obter um diagnóstico preciso. A consulta com o urologista se torna essencial, já que o mesmo que vai definir qual prática será mais adequada para o paciente.

O urologista do Hospital Ana Costa, Fábio Atz Guino, explica que o câncer pode ter cura, mas que é fundamental que seja tratado logo no estado inicial. “É uma doença que não apresenta sintomas no começo, portanto o acompanhamento é essencial para a recuperação. Um diagnóstico cedo possibilita a cura em mais de 90% dos casos”.

Guino também afirma que os homens precisam se conscientizar de que, a partir dos 50 anos, o exame deve ser anual. Para as pessoas com incidência familiar ou com a pele negra, as consultas são necessárias a partir dos 45 anos.

De acordo com o INCA (Instituto Nacional do Câncer) esse tipo de câncer é o segundo que mais mata entre os homens, ficando atrás apenas ao de pele. A entidade ainda estimou que, em 2014, cerca de 68 mil novos casos foram registrados no Brasil.

Os idosos têm que ficar mais atentos ao problema. Com a idade avançada, aumentam as chances de um desenvolvimento do câncer de próstata. Este público, inclusive, é o mais receoso em realizar os exames de prevenção à doença.

Superação

O paciente R. – não quis se identificar – soube que estava com câncer há um ano e três meses. Aos 60 anos atualmente, viu sua vida mudar completamente neste período de recuperação.

Quando viu que estava com câncer, R. comenta que se sentiu desinformado. “Eu não procurei informações suficientes e não sabia como agir. Nunca achamos que algo assim fosse acontecer com a gente. É complicado”.

Por ser diagnosticado ainda no início, ele pôde fazer a cirurgia e começar o tratamento sem prolongamentos. “O fato de eu ter feito a operação me conforta, pois se a pessoa não se tratar, as consequências são bem piores. Posso dizer que nasci de novo”.

R. explica que teve dois grande questionamentos em sua cabeça ao longo da recuperação: a incontinência urinária e a dificuldade em realizar relacionamentos sexuais.

“A recuperação é rápida, o que mais me perturbou foi não ter o controle para urinar. Incomodou-me o fato de precisar usar fralda, mas temos que nos adaptar. Quanto às relações sexuais, quando precisamos de estimulantes para fazer sexo, realmente é difícil. Se não estivermos com uma cabeça boa, o psicológico é abalado”.

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