Relações externas

Como a diplomacia chinesa atua em meio à nova vacina contra covid-19

China lidera produção do medicamento e usa isso a seu favor geopoliticamente

13 de outubro de 2020 - 16:44

Da Assessoria

Compartilhe

As disputas geopolíticas envolvendo potências mundiais têm afetado o desenvolvimento e a possível distribuição da vacina contra o novo coronavírus.

A China, um dos países que está na dianteira para produzir a vacina, tem feito imposições para aderir ao programa da OMS (Organização Mundial da Saúde) para distribuir o medicamento mundialmente.

Junto com a China, Estados Unidos e a Rússia, que também desenvolveram programas para criar vacinas contra a covid-19, também estiveram ausentes de a lista de 156 países que se inscreveram no programa da OMS, conhecido como instalação COVAX.

Os países participantes – que incluem 64 nações de maior renda e cobrem cerca de dois terços da população global – foram anunciados pela OMS em meados de setembro.

O sucesso da COVAX depende da adesão das nações mais ricas e do compromisso dos fabricantes de vacinas para cumprir sua meta de fornecer 2 bilhões de doses de vacinas, divididas proporcionalmente, aos países participantes até o final de 2021.

Apesar dos movimentos dúbios, a OMS tem esperança de que a China e outros países onde as vacinas estão sendo desenvolvidas venham a aderir o pacto.

Ou então que as empresas desses países possam fornecer doses do medicamento à organização.

Além disso, o cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan, disse que as conversas com a China estão “em andamento e ainda abertas”.

As novidades sobre a produção chinesa da vacina contra o coronavírus podem ser acompanhadas em sites como Jornal365.com.

 

‘Bem público global’

Assim, líderes do Partido Comunista Chinês têm dito repetidamente que as vacinas fabricadas na China serão um “bem público global”, mas já indicou que planeja seguir seu próprio caminho quando se trata de disponibilizar doses internacionalmente.

Portanto, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Hua Chunying, disse no início deste mês que o plano da China de contribuir para a acessibilidade e disponibilidade de vacinas nos países em desenvolvimento “é essencialmente o mesmo com a COVAX”.

“A China está usando abordagens bilaterais onde podem buscar concessões ou obter vantagens em futuras negociações comerciais e econômicas”, disse Drew Thompson, pesquisador da Escola de Políticas Públicas da Universidade Nacional de Cingapura.

Natasha Kassam, pesquisadora do Lowy Institute think tank em Sydney, afirma que a China tem preferência por fazer acordos bilaterais, e que isso é um pouco do que está desenhado nas movimentações do país no que diz respeito a vacina contra a covid-19.

“Pequim geralmente prefere se envolver com os países bilateralmente e vai querer usar qualquer vacina bem-sucedida para promover esses objetivos”, disse a pesquisadora.

Dessa forma, parte do cálculo de Pequim também pode ser prático.

Assim, uma grande economia como a China quer proteger seus próprios interesses e os de seus parceiros próximos, ao invés de aderir um programa mundial de vacinação que não tem regras bem definidas e que sofre ingerência de uma organização externa, que é a OMS.