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Entenda a CMT, uma doença desconhecida que causa atrofia

A Síndrome de Charcot Marie Tooth (CMT) é uma patologia que ataca o sistema nervoso

04 de setembro de 2015 - 18:55

Rodrigo Bertolino

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O pé cavo é uma característica da maioria dos  portadores da doença.

O pé cavo é uma característica da maioria dos portadores da doença.

Setembro começa e com ele um viés importante sobre conscientização de uma doença desconhecida do público vem à tona. A Síndrome de Charcot Marie Tooth (CMT) é uma patologia que ataca o sistema nervoso, principalmente sobre os nervos extremos e periféricos, como mãos e pés.

Este mês foi intitulado como Setembro Azul pela Associação Brasileira dos Portadores de Charcot-Marie-Tooth (ABCMT) e a entidade fará uma série de ações e campanhas para divulgar alguns dados e detalhes sobre essa enfermidade.

Serão realizadas atividades em pelo menos dez estados brasileiros – São Paulo está incluso na campanha – além de países como Estados Unidos e Portugal. Em algumas, monumentos históricos serão iluminados de azul para gerar maior destaque ao tema.

A CMT afeta cerca de uma a cada 2,5 mil pessoas pelo mundo e é a neuropatia (doença de sistema nervoso) hereditária mais comum. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil conta com cerca de 80 mil portadores da enfermidade.

Fernando Martins tem a Síndrome de Charcot-Marie-Tooth (CMT). Ele descobriu a doença há três anos por intermédio de uma médica que desconfiou das dores em tendões da mão e dos pés e pediu exames mais específicos

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 Fernando e sua irmã Rita  engajados em uma das ações em prol do Setembro Azul.

“Depois de um ano, chegou o resultado em minha casa, por carta, dizendo que eu era mesmo portador de CMT. Eu sofria com quedas e notava que cansava mais rápido que outras pessoas. Minhas dores dependem do momento. A falta de sensibilidade nas mãos, por exemplo, me deixa preocupado, pois posso ter um corte ou até mesmo uma queimadura e não perceber na hora”, explicou Martins.

Este distúrbio do sistema nervoso é transmitido geneticamente e tem sintomas lentos, mas progressivos, sendo que seu desenvolvimento varia de pessoa para pessoa. A CMT causa alterações motoras nas pernas, nos pés, nos braços e nas mãos. Entre os sintomas mais presentes estão alterações, atrofias e perda de força nos membros inferiores e superiores. Em alguns casos pode ser necessário o uso de órteses, andadores ou cadeiras de rodas.

Se o paciente tiver alguns destes sintomas, o recomendado é procurar um neurologista o quanto antes para o mesmo diagnosticar o estágio e o tipo da síndrome. Também será feito um levantamento do histórico familiar, buscando identificar outros quadros semelhantes.

A responsável pelo Serviço de Neurologia Clínica do Hospital Ana Costa, Cristiane Serra, comenta que a CMT é desencadeada principalmente na primeira e segunda década de vida do paciente. Ela também explica os sintomas que podem ser indícios da enfermidade.

“A fraqueza muscular e a alteração de sensibilidade indicam que a pessoa pode ter a síndrome. Ou seja, o indivíduo tem dificuldade de sentir toques, cortes e até mesmo as temperaturas”.

A neurologista também ressalta a falta de equilíbrio que a CMT ocasiona. Os pés cavos e deformidade nos dedos das mãos são outras situações que a patologia proporciona devido a atrofia muscular. Em casos extremos, a cirurgia é a única solução para reparar os danos.

Não existe tratamento para a patologia, porém os portadores devem buscar auxílio médico para minimizar os sintomas. A fisioterapia aparece como grande aliada neste aspecto, já que ajuda no fortalecimento muscular e em um maior equilíbrio. Alongamentos, terapia ocupacional e aparelhos ortopédicos também colaboram com o indivíduo.

Outro objetivo da campanha Setembro Azul é aumentar o número de cadastros de portadores e familiares da doença, além de profissionais da área da saúde no site da associação (www.abcmt.org.br) para que se busquem novas alternativas para a CMT. Apesar do crescimento nos últimos meses, o número de cadastrados ainda é baixo.

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