Covid-19

Eventual explosão de infectados revela risco de falta de profissionais de saúde

Médico alerta sobre risco de existirem leitos disponíveis, mas faltarem profissionais habilitados para lidar com pacientes com a Covid-19.

22 de dezembro de 2020 - 19:40

Fernando De Maria

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A concentração de pessoas neste final de ano, seja em encontros de confraternização, em aglomerações em centros comerciais para compras, ou  em reuniões familiares nas festas de Natal e Ano Novo, potencializa as chances de uma ‘explosão’ de casos de Covid-19 nas próximas semanas.

E pior: há a possibilidade de sobrarem leitos, mas faltarem profissionais qualificados para atender o eventual aumento de demanda em casos delicados como os de pacientes de Covid-19.

O alerta é do médico infectologista e professor universitário, Evaldo Stanislau, que  teme uma explosão de casos neste final de ano e, em especial, em janeiro, se as pessoas insistirem em se confraternizarem ou se aglomerarem em festas privadas e públicas, como no Réveillon.

Coincidentemente (a entrevista foi concedida na segunda, dia 21), a preocupação de Stanislau também foi referendada pelo coordenador executivo do Centro de Contingência do Covid-19, João Gabbardo, durante coletiva realizada hoje (22) quando foram anunciadas novas medidas no Estado.

Um dos motivos é que antes da pandemia, o foco era exclusivo para os casos Covid.

Agora, com maior circulação de pessoas, cresceram os acidentes de trânsito e as pessoas estão necessitando de tratamento de outras doenças.

“Os hospitais estão enfrentando dificuldades para cobrir os plantões”, salientou Gabbardo.

 

O infectologista teme os reflexos das confraternizações nas festas de final de ano com a alta de casos do Covid-19. Foto: Divulgação

Números em alta

Afinal, os números atestam uma elevação de casos, representando um aumento de pessoas infectadas.

No Brasil e no Estado de São Paulo, o total de mortes pela doença até o último dia 20 já superava o volume de mortes ao longo dos 30 dias de novembro.

No entanto, é necessário tomar cuidados e seguir os protocolos de segurança até a chegada de uma vacina.

É importante frisar que só em Santos já foram confirmados 868 óbitos até terça-feira (22).

Isso equivale a 0,2% da população santista que já morreu pela doença em um espaço inferior a 8 meses,  colocando Santos na liderança proporcional de mortes – média de quase 200 santistas/100 mil habitantes.

O médico infectologista Evaldo Stanislau concedeu entrevista ao programa Notícias do Dia, na Boqnews TV, ressaltando o atual momento da pandemia neste fim de ano e os riscos existentes em eventuais confraternizações familiares.

Nesta entrevista, ele fala das dificuldades dos hospitais encontrarem profissionais, sobre os riscos da doença entre os jovens, analisa a preocupação com as confraternizações familiares nas festas de fim de ano, fala também as vacinas e a nova cepa da doença que surgiu no Reino Unido, entre outros assuntos.

Confira alguns trechos e assista a entrevista em nosso canal no youtube (se preferir e tiver Smart TV, basta acessar no canal Boqnews TV).

 

Entrevista

Boqnews –  O cenário preocupa?

Evaldo Stanislau –  A gente vê que os números são preocupantes. Infelizmente, a média móvel de óbitos voltou a acelerar. É lamentável, uma consequência esperada, quantos mais casos, mais mortes. As pessoas não querem enxergar a realidade da doença. Nós, médicos, estamos vendo as enfermarias e as UTI’s enchendo, com pacientes buscando atendimento. Trabalhamos todos os dias!

Boqnews – O sr acredita que há um problema maior da propagação do vírus pela população mais jovem?

Evaldo Stanislau – Parece que o egoísmo é generalizado em todas as idades. Mas os jovens têm essa sensação que podem tudo. O jovem muitas vezes se infecta e tem poucos sintomas ou assintomático e acabam passando o vírus para os demais. Aqui em Santos temos os quiosques na praia e as ruas de vida noturna. Quando passamos pelo local, parece que está tudo normal, com jovens sem máscara e consumindo bebida alcoólica. É preciso que essas pessoas tenham consciência.

Boqnews – Corremos o risco de faltarem profissionais para atender esta alta de casos?

Evaldo Stanislau – Além de aumento de casos, continuamos tendo as doenças não infecciosas que precisam ser tratadas. Podemos até aumentar o número de leitos, mas não temos profissionais para atender os pacientes, caso haja uma explosão de casos, com qualidade. Os profissionais estão esgotados. Teremos que colocar muita gente jovem, inexperiente na linha de frente e isso impactará na qualidade no atendimento. Por isso, pedimos que as pessoas fiquem em casa e não se aglomerem.

Assista a entrevista coletiva

 

 

 

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