Monitoramento

Fundo de olho pode diagnosticar doenças como hipertensão

Fundo do olho é o único local do corpo humano onde se examina diretamente os nervos, vasos e artérias

10 de novembro de 2015 - 16:03

Da Redação

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O ideal é que o paciente se submeta ao procedimento uma vez ao ano, se não tiver nenhum problema de saúde

O ideal é que o paciente se submeta ao procedimento uma vez ao ano, se não tiver nenhum problema de saúde

Uma consulta oftalmológica pode revelar muito mais da sua saúde do que pode imaginar. O exame de fundo de olho mostra, por exemplo, se o paciente apresenta hipertensão arterial, diabetes, sífilis, lúpus, citomegalovírus e até a presença de parasitas no corpo. Além, é claro, problemas oculares, como glaucoma ou tumores na retina.

O diagnóstico é possível porque o fundo do olho é o único local do corpo humano onde se  examina diretamente, sem método invasivo, os nervos, vasos e artérias. Se o paciente tiver alguma alteração que envolva artérias, veias ou nervos,  pode aparecer no fundo do olho. Chamado também de fundoscopia, é realizado com a ajuda de um oftalmoscópio.

Por meio deste, é projetada uma luz dentro do olho do paciente e, mediante a reflexão dessa luz, é possível observar as estruturas presentes no fundo do olho. Em geral, para facilitar e ampliar a visão da retina, o médico utiliza colírio para dilatar a pupila (menina dos olhos).

Segundo o professor doutor em Oftalmologia pela Universidade Federal de São Paulo, Marcello Colombo Barboza, diretor do Hospital Oftalmológico Visão Laser, o exame de fundo de olho é fundamental em qualquer fase da vida. “Desde o recém-nascido até o idoso, é importante que se faça o exame, que pode apontar precocemente problemas, oculares ou não, facilitar o tratamento e evitar a cegueira e outras complicações”.

O ideal é que o paciente se submeta ao procedimento uma vez ao ano, se não tiver nenhum problema de saúde. Se tiver, a visita ao oftalmologista deve se repetir mais vezes. “O tratamento oftalmológico deve ocorrer em paralelo ao acompanhamento dos demais especialistas que cuidam, por exempo, da diabetes ou da hipertensão do paciente”, destaca o médico.

Conhecida como pressão alta, a hipertensão é uma doença em que a pressão arterial é, sistematicamente, igual ou maior que 14 por 9. Como a hipertensão arterial é silenciosa e assintomática, poucas queixas são relatadas pelos pacientes. Quando a pessoa está com a pressão alta, os vasos ficam contraídos, muitas vezes com estreitamentos e formas tortuosas, além de pequenos edemas ou hemorragias, podendo gerar, ainda, a oclusão (entupimento) dos vasos que irrigam a retina e, dependendo do vaso afetado, causar até a perda parcial da visão.

Além disso, em aumentos muito extremos da pressão podem ocorrer também inchaço do nervo óptico e até deslocamento de retina. Já a diabetes afeta a vascularização da retina. Provoca hemorragias, edema e formação de neovasos que levam à cegueira.

A diferença é nítida entre um olho normal e o de uma pessoa com diabetes. Em uma pessoa que não tenha problema, as artérias e as veias estão perfeitas, não tem nenhuma hemorragia. Numa pessoa com diabetes, o fundo de olho mostra várias manchas de sangue.

Quando a doença está descontrolada, pode afetar também os vasos dos olhos, desenvolvendo retinopatia diabética. Os vasos ficam lesionados e o sangue extravasa. Sem sangue, falta oxigênio e a retina começa a sofrer. Se o diabetes não for controlado nesse estágio, o problema pode se agravar. “Aquela máxima de que os olhos são a janela da alma pode ser ampliada para a janela do corpo. Através deles, conseguimos ver literalmente como está a saúde do paciente”, finaliza Colombo Barboza.

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