Laserterapia

Santos amplia uso de laser para tratamento de feridas e queimaduras

Expectativa é que, a partir de abril, 20 unidades de saúde da Cidade realizem atendimento. Atualmente, ele existe no Complexo Hospitalar da Zona Noroeste

27 de janeiro de 2020 - 11:36

Da Redação

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Após 20 anos de curativos, lesão cicatriza em poucos meses com laserterapia.

Paciente com cirurgia agendada para amputação de dedo do pé recupera a área afetada após aplicação de laser e o procedimento cirúrgico é cancelado.

Estes e vários outros casos de sucesso testemunhados pela equipe do Complexo Hospitalar da Zona Noroeste desde fevereiro de 2019 levaram a Secretaria de Saúde de Santos a adquirir 22 novos aparelhos de laser e ampliar esse tipo de tratamento de feridas e queimaduras para toda a Cidade.

A expectativa é de que o procedimento, hoje restrito a três salas do Complexo Hospitalar da Zona Noroeste, esteja disponível em abril no Ambesp Zona Noroeste; Hospital de Pequeno Porte e nas policlínicas Alemoa; Piratininga; São Manoel; Aparecida; Bom Retiro; Conselheiro Nébias; Embaré; Gonzaga; Jabaquara; José Menino/Pompeia; Marapé; São Jorge/Caneleira; Caruara; Monte Cabrão; Valongo; Vila Mathias; Rádio Clube e Ponta da Praia.

A equipe que realiza atendimento domiciliar também terá um equipamento.

Atualmente, todos os que necessitam da laserterapia vão ao Complexo Hospitalar da Zona Noroeste, que presta atendimento às quartas e quintas-feiras, das 7h ao meio-dia.

O objetivo é que os pacientes, geralmente com dificuldades de locomoção, passem a ter esse atendimento mais próximo de onde moram.

“Atualmente, atendemos cerca de 50 pacientes por dia, vindos de todas as partes do Município. Desde fevereiro do ano passado, mais de 300 pessoas já foram atendidas. Com a descentralização da laserterapia, o Município terá uma excelente cobertura”, afirma Graziela de Paula Povrezan, enfermeira dermatológica e responsável pelo Grupo Técnico de Curativos da Prefeitura de Santos.

A distribuição dos aparelhos foi realizada com base nas localidades que apresentam maior demanda por curativos. Mas pacientes que residam em bairros não contemplados terão acesso na unidade mais próxima.

Treinamento

O treinamento dos profissionais que utilizarão o laser está previsto para março. Serão três dias de programação teórica e prática.

Ao final, os profissionais terão habilitação em laserterapia, com certificado reconhecido em todo o País.

Investimento

Foram investidos quase R$ 78 mil na aquisição dos 22 equipamentos de laser de baixa potência marca DMC, modelo terapy EC e R$ 20 mil nos treinamentos, a partir de emendas parlamentares dos vereadores Audrey Kleys e Fabiano da Farmácia.

Ainda no Complexo Hospitalar da Zona Noroeste, o laser também é aplicado em pacientes da Maternidade Silvério Fontes. Para, sobretudo, atuar nas fissuras e feridas nos mamilos das mães que amamentam, para edemas de pós-parto e em eventuais lesões causadas por medicações abaixo da pele de bebês, por exemplo.

Como é

Totalmente sem dor, a terapia com o laser torna mais rápida a cicatrização de lesões crônicas, como aquelas comuns em diabéticos e que muitas vezes geram infecção e levam o paciente à amputação.

O laser emite dois tipos de radiação: infravermelha, que tem poder analgésico e anti-inflamatório (reduzindo a dor em ossos e articulações); e vermelha, que potencializa a cicatrização.

Elas podem ser usadas separadamente ou ao mesmo tempo, dependendo da necessidade.

Quando a lesão apresenta tecido morto (partes da lesão na cor preta), este material é removido com bisturi, para que se possa chegar ao tecido vivo (vermelho), que tem capacidade de regeneração.

Essa remoção não dói, pois, antes de o bisturi entrar em ação, é jogado o raio infravermelho, cuja analgesia permite ao paciente passar por esse momento sem sofrimento.

Posteriormente, depois dessa preparação inicial, a lesão está pronta para a terapia em si.

A quantidade de sessões necessárias até a alta do paciente varia de acordo com o tamanho e grau de comprometimento da lesão e também se o paciente segue à risca a recomendação dos profissionais de saúde.

A enfermeira Priscyla Sotelo destaca que 90% do sucesso da terapia depende dos cuidados do paciente consigo mesmo.

“Ele precisa usar corretamente a medicação, estar bem nutrido, controlar a glicemia e estar com o rim em bom funcionamento. Assim, temos uma condição melhor para a evolução da terapia com laser”, explica.

 

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Foto: Susan Hortas/PMS

Duas décadas

Ela se emociona ao lembrar de alguns pacientes que passaram por seus cuidados.

“Tive uma paciente que recebeu alta após 20 anos de lesão e saiu daqui chorando aliviada pela solução. Já houve pacientes que se sentiram alvo de preconceito por usar faixas para proteger as feridas. Trazer a dignidade das pessoas de volta não tem preço”, destaca a enfermeira.

O aposentado Jó Gonçalves Macedo, 54 anos, é diabético há 15 anos, e faz laserterapia no Complexo Hospitalar da Zona Noroeste há quatro meses.

Neste período, a lesão que atinge o seu pé e parte da perna direta, reduziu substancialmente. O inchaço que tanto o incomoda reduziu em mais de 50%, de acordo com a sua percepção.

Há cerca de dois anos e meio, ele luta contra uma lesão que já o levou a amputar três dedos do pé direito.

“Estou gostando do laser porque vejo resultado. Vale a pena e as enfermeiras são muito cuidadosas. Acredito que logo estarei bem”, afirma.

O tratamento de Jó tem ainda uma particularidade: antes da aplicação do laser, a lesão é coberta por azul de metileno, uma substância de coloração azul que, ao receber o raio vermelho, age no combate às bactérias que causam a infecção.

Já o porteiro Edson da Cruz Pereira, 52 anos, está na fase das expectativas. Diabético, teve parte do pé direito recém-amputado e passou pela primeira sessão de laserterapia na última quarta-feira (22).

“Estou achando ótima a aplicação do laser. Não dói. Eu já conhecia a equipe daqui, pois fiquei três meses internado no ano passado. Eles sempre foram muito atenciosos e sinceros comigo. Eu vou voltar a andar logo”, comemora.