Saúde mental nas escolas: quem cuida de quem cuida?
As escolas brasileiras enfrentam um desafio que vai além da sala de aula: como proteger a saúde mental de quem trabalha diariamente para garantir a aprendizagem?
Em 10 de outubro, o Dia Mundial da Saúde Mental e o Dia Nacional de Segurança e Saúde nas Escolas colocam esse debate em evidência. Além disso, a proximidade com o Dia dos Professores, celebrado em 15 de outubro, reforça a discussão sobre as condições de trabalho na educação.
Ao mesmo tempo, a inclusão dos riscos psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais pela Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) amplia a atenção sobre o tema. A nova regra entrou em vigor em maio de 2026.
Professores enfrentam diferentes fontes de estresse
A rotina dos professores reúne diversas situações que podem aumentar a pressão no trabalho. Entre elas estão a cobrança por resultados, a manutenção da disciplina, o excesso de tarefas e as interrupções durante as aulas.
Nesse sentido, os dados da TALIS 2024, pesquisa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), ajudam a dimensionar o problema.
Segundo o levantamento, 66% dos professores brasileiros apontam a responsabilização pelo desempenho dos alunos como fonte de estresse. Além disso, 64% citam a manutenção da disciplina em sala de aula.
O excesso de trabalho também aparece entre os principais fatores de pressão. 60% dos professores apontam o excesso de correções como fonte de estresse.
Por outro lado, a rotina em sala de aula traz outros desafios. 44% dos professores relatam perder bastante tempo de aula por causa de interrupções dos estudantes.
Além disso, 46,6% relatam estresse provocado por intimidação ou abuso verbal de estudantes. Entre os países com dados disponíveis para esse indicador, o Brasil apresenta um dos percentuais mais altos.
Saúde mental envolve toda a equipe escolar
Por isso, a discussão sobre saúde mental não deve ficar restrita aos professores.
Diretores, coordenadores, profissionais administrativos, equipes de atendimento às famílias, trabalhadores da alimentação, limpeza, portaria e segurança também fazem parte da rotina escolar.
Consequentemente, a organização do trabalho pode afetar diferentes profissionais.
Jornada, volume de tarefas, pressão por resultados, conflitos, disciplina e falta de suporte formam um conjunto de fatores que pode aumentar o desgaste das equipes.
Para Renata Conrado, sócia-diretora Regional da Great People Mental Health (GPMH), a escola precisa olhar para todos os profissionais que participam da rotina.
“Quando a escola cuida da saúde mental de todos os seus profissionais, toda a instituição se beneficia. Um ambiente de trabalho mais saudável melhora as relações e a rotina de quem faz a escola funcionar.”
Gestores também enfrentam sobrecarga
Além dos professores, os gestores enfrentam desafios próprios.
Uma revisão publicada em 2025 na revista School Mental Health analisou 38 estudos realizados em 18 países. O levantamento identificou a sobrecarga administrativa e a falta de apoio e recursos entre os principais fatores relacionados ao estresse de diretores escolares.
Além disso, os pesquisadores apontaram uma lacuna na produção científica. Os estudos sobre saúde mental de gestores ainda são menos numerosos do que aqueles dedicados aos professores.
Portanto, compreender a realidade dos gestores também ajuda as escolas a construir estratégias de prevenção.
Condições de trabalho influenciam a permanência
Outro ponto importante envolve a permanência dos profissionais nas escolas.
Quando uma instituição perde professores e outros trabalhadores, ela também perde experiência, conhecimento e vínculos construídos ao longo do tempo.
Para Paulo Gaspar, sócio-diretor da GPMH, as condições de trabalho têm relação direta com a permanência dos profissionais.
“A retenção docente está diretamente relacionada às condições em que o trabalho acontece. Quando a escola perde profissionais, perde experiência, vínculo e conhecimento acumulado. Olhar para os fatores que levam ao desgaste é também olhar para a continuidade do processo de aprendizagem.”
Dessa forma, cuidar da saúde mental também significa olhar para a continuidade das equipes.
Mapeamento ajuda a identificar riscos
Nesse cenário, as escolas podem começar pela identificação dos fatores que geram desgaste.
A GPMH trabalha com o mapeamento dos riscos psicossociais e a análise dos fatores relacionados à organização do trabalho. A partir desses dados, a empresa desenvolve planos de ação e acompanha os resultados das medidas adotadas.
Assim, a organização consegue transformar informações sobre o ambiente de trabalho em ações de prevenção.
Além disso, a empresa oferece soluções relacionadas à adequação às exigências da NR-1, incluindo mapeamento de riscos psicossociais, elaboração de matrizes de risco e apoio à implementação do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
Saúde mental precisa entrar na rotina escolar
Portanto, o debate sobre saúde mental nas escolas não trata apenas de ações individuais.
A organização do trabalho também importa.
Quando a escola identifica fontes de pressão, acompanha os indicadores e cria medidas preventivas, consegue atuar antes que o desgaste comprometa as equipes.
Por isso, outubro traz uma oportunidade para ampliar essa conversa. O Dia Mundial da Saúde Mental, o Dia Nacional de Segurança e Saúde nas Escolas e o Dia dos Professores colocam uma questão no centro do debate:
Antes de celebrar quem ensina, como as escolas estão cuidando de quem faz a aprendizagem acontecer?
Sobre a Great People Mental Health
Fundada em 2021, a Great People Mental Health (GPMH) surgiu a partir da Great Place to Work (GPTW), organização com mais de 30 anos de atuação em cultura organizacional.
A GPMH atua na gestão da saúde mental no ambiente de trabalho. Para isso, combina neurociência, inteligência artificial, ciência de dados e prática clínica.
A empresa oferece soluções para diagnóstico organizacional, mapeamento de riscos psicossociais, elaboração de matrizes de risco e apoio à implementação do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
Além disso, oferece programas de capacitação para lideranças e equipes, Certificação em Saúde Mental e Trilhas de Aprendizagem.
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