Setembro Amarelo: saúde mental também faz parte do cuidado de quem está internado
Uma internação começa, normalmente, por uma necessidade clínica. O paciente chega ao hospital para tratar uma condição de saúde, se recuperar e receber os cuidados necessários até poder voltar para casa. Nesse período, porém, também podem surgir questões relacionadas à saúde mental que precisam ser identificadas e acompanhadas pela equipe.
Setembro Amarelo
É esse cuidado que ganha destaque durante o Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre saúde mental e à prevenção do suicídio. Há alguns meses, o Hospital Serpiero passou a contar com um setor de internação em Saúde Mental, destinado aos pacientes que já estão internados e, durante a hospitalização, precisam desse tipo de acompanhamento.
Ansiedade intensa, alterações de comportamento e de humor, agitação, confusão e o agravamento de quadros já existentes estão entre as situações que podem levar à necessidade de uma avaliação específica. Em outros casos, o próprio período de internação, com mudança de rotina, afastamento da família e incertezas sobre a recuperação, pode trazer repercussões emocionais para o paciente.
Assistência
Para o diretor do Hospital Serpiero, Dr. Marcelo Noronha, oferecer esse atendimento dentro do próprio hospital amplia a assistência prestada durante a internação.
“O paciente pode ter sido internado por uma questão clínica, mas isso não significa que outras necessidades não possam surgir enquanto ele está conosco. Se houver uma demanda relacionada à saúde mental, ela também precisa ser atendida. A criação dessa estrutura veio justamente para que esse suporte faça parte da assistência ao paciente quando necessário”, afirma.
Segundo o Dr. Márcio Ferreira da Silva, médico responsável pelo atendimento em Saúde Mental dos pacientes internados no Hospital Serpiero, nem toda alteração emocional durante uma internação significa necessariamente a existência de um quadro de saúde mental. A avaliação é importante justamente para entender o que está acontecendo em cada caso.
“A internação pode ser um período difícil para algumas pessoas. Há pacientes que já chegam com um histórico de saúde mental e outros que apresentam alguma alteração ao longo do tratamento. Quando a equipe percebe uma mudança importante de comportamento, de humor ou algum outro sinal que chama atenção, nós avaliamos o paciente e discutimos a condução junto aos profissionais que já estão cuidando dele”, explica.
Essa troca entre as equipes é importante porque o quadro clínico e o estado emocional podem estar relacionados. Medicamentos, condições de saúde, tempo de internação e até mudanças bruscas na rotina são aspectos considerados durante a avaliação.
Família
Dessa maneira, a família também pode ajudar. Por conhecer o comportamento do paciente antes da internação, muitas vezes consegue perceber mudanças que podem ser relevantes para a equipe médica.
“É comum o familiar dizer que a pessoa está diferente, mais quieta, confusa, agitada ou apresentando um comportamento que não tinha antes. Essa informação ajuda bastante na avaliação. O que procuramos entender é se aquela mudança faz parte do momento vivido pelo paciente ou se existe uma condição que precisa de uma intervenção específica”, diz Ferreira.
Além disso, para Marcelo Noronha, o Setembro Amarelo também ajuda a reforçar que a atenção à saúde mental não deve ficar restrita a um período do ano.
“Quando o paciente está internado, nossa responsabilidade é cuidar das necessidades que aparecem ao longo desse período. A saúde mental faz parte disso. Ter esse atendimento disponível dentro do hospital permite agir quando a situação exige, sem separar esse cuidado do restante do tratamento”, conclui.
Confira as notícias do Boqnews no Google News e fique bem informado.