Dia do Trabalho

O 1º de Maio sem comemoração no mundo

O sindicalista Uriel Villas Boas analisa o atual momento para os trabalhadores, que estão unidos em um só tema no Dia do Trabalho: a pandemia.

30 de abril de 2020 - 08:55

Uriel Villas Boas

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O Dia Internacional do Trabalhador não poderá ser comemorado este ano.

A pandemia do coronavírus que atinge praticamente todos os países do Mundo fez com que especialistas de saúde apresentassem a determinação de se evitarem aglomerações de pessoas.

A história do dia !º de Maio tem inicio nos idos de 1886, em Chicago nos Estados Unidos, quando operários fizeram manifestações exigindo de seus patrões uma jornada de oito horas diárias e melhores condições de trabalho.

O movimento prosseguiu nos dias seguintes, motivando a repressão policial, com prisões e a condenação de lideranças operárias.

A partir de então, em muitos países foram programadas homenagens aos grevistas de Chicago.

E no Brasil as primeiras manifestações de Primeiro de Maio foram realizadas inicialmente no Rio de Janeiro e S.Paulo, em 1891.

 

Santos

E também em Santos.

Em 1910 surge o Movimento Operário. com ideais socialistas e anarco sindicalistas.

Na época ainda não havia um movimento sindical organizado e imigrantes europeus em várias atividades incitavam os trabalhadores a reivindicarem direitos.

Em 1917 foram feitas greves em S.Paulo, no dia 1º de Maio.

E em 1924 o Presidente Arthur Bernardes oficializou a data como homenagem aos trabalhadores.

E o ditador Vargas aproveitou-a para promulgar várias mudanças na legislação trabalhista.

E nos idos de 1943, diante da pressão do anarco sindicalismo ele promulgou a criação da CLT e da Previdência Social.

O tempo passou e muitas categorias mais organizadas conseguiram muitos direitos.

Como redução da jornada, férias de 30 dias, piso salarial maior, horas extras, adicional noturno e até a estabilidade no emprego.

Eis que chegamos a um momento que os especialistas em saúde e na área econômica não previram que um vírus atingiria todos os países e as mais diferentes classes sociais, sem previsão de quando o mal será debelado.

E os trabalhadores de todas as categorias estão sem condições de comemorar o Dia 1º de Maio.

As determinações de especialistas da área da saúde é que não sejam feitas manifestações, assembleias, reuniões, para diminuir os riscos de contaminação.

 

Brasil atual

E como acréscimo, no Brasil atual o Governo Federal aceita as sugestões da classe empresarial, com regras impositivas nas relações entre patrão e empregado.

É preciso portanto que os militantes sindicais emprenhem esforços para a mobilização ampla, com muita unidade.

E assim, assegurar o nível de empregabilidade e mais, levando em consideração que as  negociações de acordos coletivos sejam feitas com uma proposta de data base a nível nacional.

E que questões como o piso salarial, o valor das horas extras, e o adicional das férias.

E ainda: a jornada de trabalho menor para quem trabalha em turno de revezamento e vale transporte, vale refeição, plano de saúde sejam colocadas nos Acordos coletivos.

Esta é uma motivação para as futuras comemorações do 1º de Maio.

Se não temos condições práticas no momento atual, que na data próxima façamos reflexões sobre nosso empenho em busca de formas de atingir nossos objetivos.

E viva o 1º de Maio, DIA INTERNACIONAL DA CLASSE TRABALHADORA.

Uriel Villas Boas – Presidente da Associação dos Siderúrgicos e Metalúrgicos Aposentados do Litoral Paulista e Secretário de Previdência da Federação Interestadual dos Metalúrgicos/CTB