Reviravolta

Escritor, fazendeiro e barão, conheça o perfil do empresário J.O Rocha

Joselito Rocha, 40 anos, é empresário, escritor e músico. Nas redes sociais, são vários os vídeos onde é entrevistado, inclusive com o título de barão.

12 de junho de 2017 - 19:11

Da Redação

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Além de escritor, empresário também é músico e enfatiza que tem título de barão. Fonte: Divulgação

O empresário  acusado de maus tratos pela própria filha, desaparecida na semana passada e que ganhou repercussão nacional, Joselito Oliveira Rocha, o J.O. Rocha, é conhecido pelos livros vendidos pelas ruas de Santos e pelo apreço de fazer vídeos e postá-los nas redes sociais.

A publicação, que ele diz já ter vendido 50 mil exemplares, é a saga O Poder do Bastão – O Reino da Monabalia – Primeiro Reino do Mal – Reino Cinza, a qual ele classifica como “literatura fantástica. Uma soma de ação, aventura e terror que se passa na Idade Média”.

Livro já teria vendido 50 mil exemplares, sendo comprado por diversos artistas e políticos. Foto: Divulgação

A obra, em 15 volumes, já está na 7ª edição. Ele foi entrevistado por várias emissoras de TV regional para falar sobre a sua produção literária.

Em uma delas, ele relata que gostaria que sua obra fosse transformada em um filme.

No You Tube, existem diversos vídeos sobre ele, seja para lançamento de livros, longas falas sobre as obras (em uma delas, ele está deitado em um sofá, descalço até que senta-se e começa a ler o conteúdo de um dos capítulos da saga), na academia, além de outros com temas diversos.

Em alguns, ele aparece com a família, inclusive a esposa Maria José, que desapareceu com o empresário após a denúncia da filha ter se tornado pública, a jovem G., e os dois filhos aos quais ele informa que ambos “foram resgatados das ruas”.

Um dos postados mais recentemente foi no estádio Allianz Parque, do Palmeiras, time do coração da família

 

 

Crianças e adolescentes

Seu mais recente lançamento é As crianças e os adolescentes, onde aborda principalmente a questão dos menores infratores. Apesar de ser um livro técnico, ele considera a obra valiosa, “voltada para toda a família”.

Detém o título de Barão, a qual informa ter sido concedido pela Família Real. Não se tem mais detalhes.

Paraibano de nascimento, em seu currículo, ele destaca que é bacharel em Direito (foi orador da turma de 2014 da Unip/Santos), dono de pousadas em Santos e também de área rural em Novo Gama (GO). Conforme informa em seu site, “sua propriedade é produtiva com diversas plantações”.

Também atua na área política, sendo membro do PCdoB desde 1998. Foi candidato a prefeito em Santo Antonio do Descoberto (GO), em 2003, sendo que desistiu de concorrer ao cargo político por ter sofrido “ameaças políticas”.

Em seu site O Poder do Bastão, é possível conhecer também detalhes sobre a ampla variedade de assuntos e atividades do empresário. É membro da Associação Internacional de Escritores e Artistas, compositor, ex-jogador de vôlei e foi integrante do Exército Brasileiro.

Seu filho mais velho é um dos principais vendedores da obra do pai, circulando pelas ruas da Cidade, especialmente no Gonzaga, e também é responsável pelas ilustrações.

Quanto à filha, ele informa que é pai “de uma bela menina que é chamada pelo “carinho” de ‘Glorinha’ “.

Ele também destaca que é “contra todos os tipos de drogas, pois o uso dessas substâncias destrói a saúde do indivíduo e prejudica o convívio da família”.

Reviravolta

O caso  do desaparecimento da jovem G., estudante de classe média, em Santos, e que fora resolvido dias depois com o retorno da menina para a família, teria sido concluído no final de semana. Parecia mais um caso de sumiço de uma jovem por alguns dias. Mas escondia algo mais complexo.

O episódio ganhou uma reviravolta na noite de domingo (11), quando a estudante G. M. S. R., de 17 anos, foi à delegacia para prestar queixa contra seu próprio pai, o empresário Joselito Oliveira Rocha, o J.O. Rocha, de 40 anos.

Motivo: segundo depoimento da jovem, ele torturava tanto a menor como sua mãe. No dia do suposto desaparecimento, a jovem, que foi deixada pela mãe de carro em frente à escola, no Gonzaga, resolveu não assistir às aulas e dar um basta à situação

O caso ganhou repercussão na Imprensa e redes sociais em razão do seu desaparecimento.

Dias depois,  G. foi trazida pelo Conselho Tutelar de Mongaguá, onde estava na casa da mãe adotiva da sua irmã por parte de mãe, a comissária de bordo, Erika Cristina Carballo de Oliveira, de 23 anos, que conheceu G. apenas pelas redes sociais.

Vídeo

Segundo a jovem G., ao chegar em casa, seu pai a teria obrigado a gravar um vídeo para mostrar que estava tudo bem, além de ter sido obrigada a fazer boletim de ocorrência contra a mãe do amigo que lhe acolheu antes dela ter ido a Mongaguá para se encontrar com a irmã biológica. O empresário chegou a postar um texto nas redes sociais denegrindo a imagem da mãe do rapaz.

Isso teria sido a gota d’água. Na noite de ontem, G. esteve na delegacia, junto com um advogado, conselheiros tutelares, a diretora da escola onde estuda e a irmã biológica, da qual J.O.Rocha é padrasto.

Em entrevista à Imprensa, Erika relatou os maus tratos que recebia, a ponto da sua mãe biológica (também mãe de G.) ter perdido a guarda da filha quando ela tinha 6 anos. Na época, ele chegou a colocar um ferro quente na mão da garota, que precisou ficar internada durante três meses.

Por isso, o empresário foi condenado a quatro anos de prisão pelo crime de periclitação (expor a perigo direto e iminente) da vida e da saúde contra a filha adotiva Erika. Mas ele não cumpriu a pena por prescrição do processo, iniciado em 2002 e transitado em julgado – sem possibilidade de recurso – em 2014.

Sumiço

O caso da jovem G. foi registrado na DIG – Departamento de Investigações Gerais, que o remeteu à Delegacia da Mulher.

A Reportagem do Boqnews tentou contatar o empresário e esposa, mas os telefones disponíveis no site e redes sociais não atendem e caem na caixa postal.

A página oficial do empresário também foi retirada do Facebook. Não se sabe o paradeiro do casal.