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Ponto de vista

Realidade periférica
Pesquisas ajudam a entender cenários favoráveis ou contrários. Dependem da ótica a ser abordada. Afinal, um copo com água pela metade pode ser visto como meio cheio ou meio vazio. Depende do ponto de vista. Um levantamento divulgado pela Connected Smart Cities, da consultoria Urban Systems, revela que Santos é a 10ª cidade mais segura do País e a 5ª melhor do Estado. Se compararmos entre os municípios com mais de 400 mil habitantes, ela estaria em primeiro lugar. A líder no estudo, Vinhedo, no interior paulista, tem cerca de 75 mil habitantes. Para a elaboração do ranking foram utilizados critérios como monitoramento de áreas de risco, iluminação pública, taxa de homicídios, acidentes de trânsito, despesas com segurança, além de efetivo de policiais, guardas municipais e de trânsito. Com um orçamento bilionário e consolidada configuração urbana, a Cidade se destaca nos mais variados rankings e a cada divulgação o Poder Público valoriza tais números, o que é correto. Não se discutem tais dados, pois são públicos. Mas não se pode desconsiderar o contexto, pois enquanto Santos tem indicadores altamente positivos, o mesmo não ocorre nas cidades vizinhas. Ou seja, vivemos em uma ilha da fantasia, banhada por palafitas no entorno de nosso terreno e no dos vizinhos. Para chegar à Cidade, o motorista fica à mercê dos assaltos nas estradas, alguns fatais. Ou seja, é impossível disassociar a realidade santista do contexto regional. Outro estudo ajuda a entender melhor este cenário. O levantamento da Flacso - Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, organizado pelo pesquisador Julio Jacobo Waiselfisz, denominado Mapa da Violência expõe uma triste ferida social: o crescimento da violência urbana, com quase 60 mil homicídios no Brasil. Uma guerra urbana. Hoje, o País tem uma média de 29,1 homicídios/100 mil habitantes. Ao contrário de estados nordestinos, São Paulo tem registrado queda, hoje com a média de 13,4 assassinatos/100 mil habitantes. Porém, três dos nove municípios da região têm indicadores maiores que a média paulista: Guarujá, Cubatão e Peruíbe, com 17,9, 15,6 e 12,7 homicídios/100 mil habitantes. No ranking das 645 cidades paulistas mais violentas, Guarujá surge em 8º, Cubatão (16º), Peruíbe (27º), Praia Grande (42º), São Vicente (48º). Todas à frente da Capital, em 49º. Na sequência aparecem Itanhaém (52º), Bertioga (59º), Santos (98º) e Mongaguá (168º). Portanto, de forma isolada, Santos encontra-se em posição bem favorável. Mas não se pode ignorar que a violência mora ao lado. Não basta a cidade ter indicadores positivos se no entorno o cenário é distinto. Assim, somente políticas públicas coletivas entre os gestores poderão equilibrar tais discrepâncias sociais. Afinal, não dá para a sociedade continuar fingindo que vive em uma ilha ignorando a periferia que mora em seu próprio terreno e no entorno das cidades vizinhas. Um dia, ela cercará a elite, caso a situação não seja enfrentada com sérias e eficientes políticas públicas. Questão de tempo.
16 de julho de 2017

Realidade periférica

Pesquisas ajudam a entender cenários favoráveis ou contrários. Dependem da ótica a ser abordada. Afinal, um copo com água pela metade pode ser visto como meio cheio ou meio vazio. Depende do ponto de vista.

Um levantamento divulgado pela Connected Smart Cities, da consultoria Urban Systems, revela que Santos é a 10ª cidade mais segura do País e a 5ª melhor do Estado. Se compararmos entre os municípios com mais de 400 mil habitantes, ela estaria em primeiro lugar. A líder no estudo, Vinhedo, no interior paulista, tem cerca de 75 mil habitantes.

Para a elaboração do ranking foram utilizados critérios como monitoramento de áreas de risco, iluminação pública, taxa de homicídios, acidentes de trânsito, despesas com segurança, além de efetivo de policiais, guardas municipais e de trânsito.

Com um orçamento bilionário e consolidada configuração urbana, a Cidade se destaca nos mais variados rankings e a cada divulgação o Poder Público valoriza tais números, o que é correto.

Não se discutem tais dados, pois são públicos. Mas não se pode desconsiderar o contexto, pois enquanto Santos tem indicadores altamente positivos, o mesmo não ocorre nas cidades vizinhas. Ou seja, vivemos em uma ilha da fantasia, banhada por palafitas no entorno de nosso terreno e no dos vizinhos. Para chegar à Cidade, o motorista fica à mercê dos assaltos nas estradas, alguns fatais. Ou seja, é impossível disassociar a realidade santista do contexto regional.

Outro estudo ajuda a entender melhor este cenário. O levantamento da Flacso – Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, organizado pelo pesquisador Julio Jacobo Waiselfisz, denominado Mapa da Violência expõe uma triste ferida social: o crescimento da violência urbana, com quase 60 mil homicídios no Brasil. Uma guerra urbana.

Hoje, o País tem uma média de 29,1 homicídios/100 mil habitantes. Ao contrário de estados nordestinos, São Paulo tem registrado queda, hoje com a média de 13,4 assassinatos/100 mil habitantes. Porém, três dos nove municípios da região têm indicadores maiores que a média paulista: Guarujá, Cubatão e Peruíbe, com 17,9, 15,6 e 12,7 homicídios/100 mil habitantes.

No ranking das 645 cidades paulistas mais violentas, Guarujá surge em 8º, Cubatão (16º), Peruíbe (27º), Praia Grande (42º), São Vicente (48º). Todas à frente da Capital, em 49º. Na sequência aparecem Itanhaém (52º), Bertioga (59º), Santos (98º) e Mongaguá (168º).

Portanto, de forma isolada, Santos encontra-se em posição bem favorável. Mas não se pode ignorar que a violência mora ao lado. Não basta a cidade ter indicadores positivos se no entorno o cenário é distinto. Assim, somente políticas públicas coletivas entre os gestores poderão equilibrar tais discrepâncias sociais.

Afinal, não dá para a sociedade continuar fingindo que vive em uma ilha ignorando a periferia que mora em seu próprio terreno e no entorno das cidades vizinhas. Um dia, ela cercará a elite, caso a situação não seja enfrentada com sérias e eficientes políticas públicas. Questão de tempo.

Fernando De Maria
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