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Prefeitos do Litoral Sul pedem alterações na prioridade de expansão do VLT
VLT Foto: Rom Santa Rosa/Arquivo
23 de maio de 2017

Prefeitos do Litoral Sul pedem alterações na prioridade de expansão do VLT

Prefeitos do litoral sul defendem revisão do projeto, cuja próxima etapa será a ligação entre Avenida Conselheiro Nébias e Valongo, para atender a área continental de São Vicente e Praia Grande.

Prefeitos do litoral sul defendem revisão do projeto, cuja próxima etapa será a ligação entre Avenida Conselheiro Nébias e Valongo, para atender a área continental de São Vicente e Praia Grande. Foto: Rom Santa Rosa

Uma saia-justa entre o presidente do Condesb e prefeito de Praia Grande (PSDB), Alberto Mourão, com o presidente da EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, Joaquim José Lopes, criou um impasse público: por que não inverter a ordem da expansão da segunda etapa do VLT – Veículo Leve sobre Trilhos, que começará em Santos – sentido Conselheiro Nébias – Valongo, e não expandir primeiro para a área continental de São Vicente e depois para Praia Grande?  A ideia não é nova.

Em junho 2013, o prefeito já havia manifestado esta preocupação, conforme reportagem publicada no boqnews.com (confira detalhes neste link). Mesmo assim, a proposta apresentada não foi levada adiante.

Durante encontro realizado na Agem – Agência Metropolitana da Baixada Santista na manhã desta terça-feira (23) ficou evidenciado o desconforto entre o prefeito e o presidente da empresa.

No final, a pedido do vice-presidente do Condesb, o prefeito de Peruíbe, Luiz Maurício (PSDB), ficou aprovada uma moção para que os prefeitos agendem uma reunião com o secretário estadual de transportes metropolitanos e com o governador, Geraldo Alckmin, para solicitar uma revisão no cronograma de obras.

O prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), não compareceu ao evento.

“O Litoral Sul movimenta 2 milhões 800 mil passageiros para Santos por mês em viagens. São 16 linhas intermunicipais que saem de Praia Grande e entram em Santos. Estes números são expressivos!”, destacou. “A demanda, sem dúvida, supera o movimento atual”.

Passageiros

Hoje, circulam pelo VLT cerca de 22 mil passageiros. A meta é chegar aos 30 mil com a integração com os ônibus municipais – algo que ainda não ocorre. A previsão é que com o terminal Valongo em operação a capacidade chegue a 40 mil passageiros/dia.

Mourão defende que a próxima fase seja antecipada com a ampliação do terminal Barreiros até Samaritá (atual fase 3), o que já aumentaria entre 30 a 40 mil passageiros/dia até chegar ao terminal de ônibus de Tude Bastos, “uma extensão de 3,5 quilômetros”, acrescenta.

O prefeito de Praia Grande destaca que já está revisando os itinerários de ônibus no município visando uma expansão futura, incluindo  a instalação de corredores de ônibus em direção ao terminal para atender uma demanda futura, cuja demanda seria ampliada com a chegada do VLT.

Tempo e recursos

O desafio, porém, é o tempo. Para a implantação dos primeiros 11,5 kms, com pátio de estacionamento e 15 estações entre Santos e São Vicente e investimentos até agora de R$ 1 bilhão 148 milhões foram necessários 44 meses de obras, 26 meses a mais que o previsto originalmente em razão de demandas como negociações com o Ministério Público, liminares na Justiça, desafetação da área da Rua João Guerra, onde está instalado o estacionamento dos veículos, entre outros atrasos.

A segunda fase, que prevê a ligação entre a Conselheiro Nébias em direção ao Valongo – com obras programadas para iniciar no primeiro semestre de 2018 e abertura da licitação no próximo semestre – retornando ao mesmo ponto, terá investimentos previstos de R$ 500 milhões para um período de obras de 24 meses.

Mas  será bem maior, tomando como referência a primeira fase em razão do número maior de desapropriações e também das dificuldades técnicas a serem enfrentadas, especialmente no Centro Histórico de Santos.

Os trens já foram contratados na Espanha (R$ 80 milhões), mas restam R$ 8 milhões para implantação do sistema (total de R$ 40 milhões), outros R$ 280 milhões para a obra civil em si, R$ 37 milhões em desapropriações – percentual de quase 8% do total desta etapa da obra – quase o triplo em relação à primeira fase, R$ 40 milhões para a inclusão das portas de acesso aos terminais e outros R$ 27 milhões para implantação e funcionamento do sistema.

PPP

“A obra foi feita em forma de PPP – Parceria Público Privada. A empresa (BR Mobilidade) ganhou a licitação já sabendo as etapas a serem cumpridas”, explica o presidente da EMTU, Joaquim José Lopes, cético em relação à mudança.

O trecho III, que prevê a expansão de Barreiros rumo ao Samaritá, em São Vicente, ainda engatinha em relação ao trecho II, que utilizará parte da estrutura como o estacionamento e sala de controle do trecho original, já em operação.

Entre as dificuldades da fase III estão o equacionamento dos recursos financeiros,  a obtenção do laudo – a ser contratado na próxima semana – para conhecer a atual situação da Ponte dos Barreiros (A Tribuna).

E ainda: a conclusão do projeto executivo, cessão de área do DNIT para a instalação do pátio Samaritá, licença-prévia ambiental e o início das tratativas para expansão para Praia Grande.

Não bastasse, são reais as chances da ponte precisar ser demolida ou construída outra exclusivamente para a passagem dos vagões do VLT, o que demandará um custo e tempo maior para sua conclusão. O trecho 3 prevê 7,5 quilômetros com quatro estações e pátio em Samaritá. Prazo da obra original: 24 meses.

Crescimento expressivo

Os números mostrados por Mourão explicam esta realidade. Enquanto a taxa de crescimento anual de Santos é de 0,21%, Praia Grande cresce a 2,09%, sem contar os demais municípios do Litoral Sul, onde vivem mais de 210 mil pessoas e as taxas superam a média regional e do Estado. E só tendem a aumentar.

Não bastasse, Santos tem um dos maiores índices de veículos/habitante do País, o que é um concorrente direto ao VLT.

Confira detalhes sobre o tema neste link, incluindo a posição da EMTU.

 

Fernando De Maria
Fernando De Maria
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