A cada 3 semanas, uma parturiente morre na Baixada Santista | Boqnews
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25 de maio de 2017

A cada 3 semanas, uma parturiente morre na Baixada Santista

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Números de 2017

Números de 2017

A cada três semanas, uma mulher da Baixada Santista se depara com dois momentos cruciais em sua vida. Primeiro, a alegria de saber a gravidez e sonhar em ver o filho que carregou ao longo da gestação. No entanto, nem todas têm esta sorte de realizar o sonho. Motivo: não conseguem sequer segurá-lo ao nascer, pois morrem durante o parto ou até 45 dias depois, segundo dados do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde do Estado.

Nos últimos cinco anos, 91 mulheres da Baixada Santista morreram desta forma.

Trata-se da maior média do gênero no Estado, assim como já ocorre em relação à mortalidade infantil. Pelo menos 92% dos casos poderiam ser evitados, segundo o Departamento de Ações Programáticas Estratégicas do Ministério da Saúde.

Em razão deste cenário, médicos obstetras da região irão ocupar as galerias da Câmara de Santos na sessão de hoje (25) para alertar os vereadores sobre a situação. Eles estarão vestidos de preto, com balões brancos e faixas.

Os profissionais querem alertar sobre os elevados índices letais existentes na região de mortalidade materna

Os profissionais querem alertar sobre os elevados índices letais existentes na região de mortalidade materna. Foto: Divulgação

Pecados da sociedade

“Estamos pecando desde a prevenção, o que nos mostra a elevação dos índices de sífilis adquiridas em nossas gestantes e transmissão vertical (sífilis congênita). Estamos pecando no planejamento, pois diariamente vemos a luta por leitos de UTI e de cuidados de alta complexidade (gestação de risco) para mães e bebês, com um cenário cada vez mais complicado pelo fechamento de hospitais e maternidades da região”, explica o médico obstetra Adriano Paião, um dos líderes do grupo formado por profissionais para discutir o assunto.

Ele destaca que de 2012 até hoje foram fechados os hospitais de Mongaguá, Peruíbe e Cubatão, sobrecarregando as demais maternidades.

Em abril passado, profissionais discutiram o tema no I Debate Multiprofissional: Morbimortalidade Materna e Neonatal – E Eu com Isso? e prometeram agir.

“Nenhum município da região conseguiu reduzir seu coeficiente de mortalidade infantil para menos de 10 óbitos para cada 1000 nascidos vivos ao longo de 10 anos, nem a mortalidade materna e não existe uma tendência clara de queda dos indicadores em algum desses municípios”, enfatiza.

Durante o encontro, profissionais relataram as principais dificuldades na região, como a escassez de vagas de UTI neonatal, falta de pessoas (RH) nos serviços de saúde, sucateamento dos equipamentos de saúde, baixa qualidade do pré-natal e inadequação dos serviços de referência regional.

Alternativas

Os profissionais mostram alguns pontos para redução dos óbitos maternos no SUS: a implantação e acompanhamento da linha de cuidados de Atenção à Gestante e a Puérpera no SUS, ações de educação permanente para a qualificação de médicos e enfermeiros para a atenção pré-natal, ao parto e às emergências obstétricas e o fortalecimento dos Comitês de Vigilância à Morte Materna para se conhecer os problemas de cada região.

Mortalidade infantil

Somente nos primeiros três meses do ano, nasceram na Baixada Santista 4.640 bebês e morreram 59 com menos de 1 ano, atingindo um índice de 12,7 óbitos por mil nascidos vivos.

No Estado, a média de 2015 foi a menor da história: 10,7 óbitos/nascidos vivos. Não bastasse, em média, 70% das mortes entre bebês poderiam ser evitadas (veja quadro abaixo).

A mortalidade elevada de bebês tem relação direta com a das mães.

Peruíbe e Mongaguá tem mais que o dobro de mortes que a média regional até o momento.

Em termos proporcionais, 30% do total de óbitos entre menores de um ano ocorreram em São Vicente, com 18 para 929 crianças nascidas neste ano.

O dia 28 de maio é o Dia Nacional da Redução da Mortalidade Materna e Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher.

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Da Redação
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