Na escola Pedro II, exemplo de que é possível valorizar a escola pública | Boqnews
Na escola Pedro II, exemplo de que é possível valorizar a escola pública
Foto: Nando Santos
1 de fevereiro de 2018

Na escola Pedro II, exemplo de que é possível valorizar a escola pública

“Mediocridade é falta de capricho. Capricho é você fazer o teu melhor na condição que você tem”.

As palavras do educador e filósofo Mário Sérgio Cortella inspiram o trabalho realizado na UME Pedro II, onde os detalhes fazem a diferença para os cerca de 900 alunos, entre estudantes do Ensino Fundamental I/II e EJA digital, além de deficientes auditivos e portadores de necessidades especiais.

Não é à toa que a unidade tem um lema: Nossa escola, nossa cara.

Localizada na Ponta da Praia, em Santos, a Pedro II é uma das escolas públicas onde os alunos podem sentir orgulho de estudar diante do ambiente aconchegante da edificação.

O prédio, aliás, completa 58 anos de inauguração na próxima sexta (26), aniversário da Cidade, entregue pelo então prefeito Silvio Fernandes Lopes.

O capricho citado por Cortella está presente em cada detalhe da unidade escolar, objeto da dedicação da direção, funcionários, professores e pais.

Logo na entrada, quem espera ser atendido na secretaria se depara com pneus pintados com plantas e bebedouros para pássaros.

Todas as 13 salas de aula estão climatizadas. Cada uma conta dois aparelhos de 18 mil BTUs. O mesmo ocorre na secretaria e outros ambientes acadêmicos

Aparelhos de ar condicionado nas salas

Os detalhes passam até para a sequência de aparelhos de ar condicionado alinhados na parede, objetos raros em escolas públicas.

Aliás, tudo investido com recursos próprios graças ao trabalho e esforço do corpo discente, funcionários e da direção, seja com bazares beneficentes, vendas de lanches e outras ações para arrecadar fundos.

 

A diretora Miriam Blum Cardoso tem um lema que está presente em toda a escola: “Nossa Escola, Nossa Cara”.

 

“Todo o dinheiro arrecadado é investido na própria escola”, destaca a diretora Miriam Blum Cardoso, à frente da unidade desde junho de 2014.

E isso é facilmente conferido.

Além de bazares e recursos da APM (a arrecadação chega a R$ 600/mês), também são promovidos jantares, como a noite da pizza ou do caldo verde.

Para manter a escola no padrão sonhado pela diretora, ela conta com o apoio de 87 professores em três períodos, além de 50 funcionários administrativos e terceirizados.

A ampla escola  conta com 13 salas (são 26 aparelhos de ar condicionado de 18 mil BTus adquiridos pela direção. A partir deste ano, todas as salas contam com os equipamentos) em dois andares.

Além de quadra esportiva, sala de cinema, auditório, jardim, horta e um parque infantil.

Ali, as paredes viram lousas e o lúdico ganha espaço entre a garotada.

O capricho se faz presente em cada detalhe.

Desde a pintura dos batentes de cada sala com cores diferentes até o espaço dos professores.

Ou no cuidado e diferenciado jardim na entrada da unidade.

A escola conta com câmeras espalhadas em diversos ambientes. Elas foram adquiridas com recursos próprios, seja na arrecadação da APM, seja em ações para arrecadação de recursos voltados à escola

As 16 câmeras espalhadas pela escola e também instaladas com recursos próprios permitem à equipe monitorar o cotidiano da unidade.

Assim, evitam-se eventuais problemas.

 

Biblioteca

Em tempos de redes sociais, a biblioteca consegue ser atraente.

Cadeiras e puffs coloridos transformam a leitura em um hábito prazeroso.

São os alunos que escolhem os títulos a serem incorporados ao acervo ao lado das publicações didáticas.

“Passamos a lista nas salas e os alunos escolhem o que querem ler. Assim, ao invés de comprarem, eles sabem que os encontrarão aqui”, explica o bibliotecário José Carlos Santos Filho.

As séries Harry Potter, Lua Nova, Diário de Um Banana foram adquiridas graças à sugestão dos discentes.

Tudo comprado com o dinheiro arrecadado para a escola.

 

Entregue em 2017, a sala de cinema é a nova atração da escola. O espaço conta com TV, home theater, caixas de som, almofadas e cadeiras para os alunos.

Detalhes do Pedro II

Faltando poucas semanas para início das aulas, a movimentação é constante para deixar o local ‘um brinco’ na recepção dos alunos.

Em uma sala, sacos de cimento aguardam a reforma do piso.

As paredes recebem retoques e serão pintadas para recepcionar as crianças e adolescentes, de 6 a 15 anos.

O oficial administrativo José Luiz Pinto, o ‘faz tudo’ na escola, aponta para a placa que foi recuperada. Na sexta (26), aniversário de Santos, escola completa 58 anos.

Os detalhes não passam despercebidos pelo oficial administrativo José Luiz Pinto, o verdadeiro ‘faz tudo’ na escola.

Ele não para. Nunca para.

Com um pote de sorvete com tinta e um pincel, ele pintava na quente manhã da quinta (18) cada detalhe das madeiras que formam o jardim da entrada.

“Esta escola é minha família”.

Com 35 anos de Prefeitura, sendo 20 no Pedro II, cujo quadro do último imperador recepciona os que adentram à escola, ele sente orgulho do trabalho realizado.

Como diria o filósofo Cortella, o importante é fazer tudo com capricho.

Criativo, ele usa pneus pintados para fazer vasos lembrando os círculos dos canais da Cidade ou material que iria para o lixo para fazer bancos.

 

Estátuas espalhadas pelo pátio ajudam a manter as pombas distantes. Criatividade para deixar a escola ainda melhor

Pombas e estátuas

O amplo pátio e refeitório é dotado de ventiladores e mesas de pingue-pongue e outros jogos.

O único problema são as pombas.

Estátuas de gaviões e corujas se espalham pelo lado externo para afugentá-las.

CDs ficam pendurados para que o brilho as inibam.

“Fazemos de tudo para afugentá-las, pois temos o refeitório aqui”, explica.

Em um dos espaços lúdicos, uma lousa pode ser usada pelas crianças ou por professores que queiram sair da sala para dar uma aula ao ar livre.

No prédio anexo, duas salas de apoio são dedicadas às crianças deficientes, com banheiros adaptados.

A mais recente entrega foi o Espaço Cultural e Educacional Ana Célia Pereira Frias, uma ex-aluna, hoje professora da unidade.

O local se transformou em uma sala de cinema, com home theater e data show.

Espaço Pedrinho: o que antes era um matagal se transformou em uma área lúdica para a diversão das crianças menores

Espaço Pedrinho no Pedro II

Onde era mato, hoje transformou-se no Pedrinho Kids, um espaço lúdico e arborizado com brinquedos, EVAs e lousas nas paredes.

“Nosso próximo passo é uma casa de bonecas”, destaca Miriam.

Outro espaço diferenciado da escola é a Fazendinha Pedro II, onde bananeiras dividem trechos com canteiros.

“Já tiramos daqui couve, alface e outros verduras”, enfatiza.

O local conta até com uma composteira, que aguarda incentivos para ser ampliada.

Um espantalho e até um poço fazem do cantinho da escola uma área diferenciada.

A diretora faz questão de incluir semanalmente na pauta dos alunos a obrigação deles cantarem os hinos Nacional e Oficial de Santos, além de uma prece.

“O fato de ser uma escola pública não significa que precisa ser desleixada”, sintetiza Miriam.

Ela  lembra que aprendeu o substantivo capricho, parte do seu cotidiano na escola e na vida, com sua mãe.

A diretora também reconhece que seu estilo de dirigir a unidade tem relação com o fato de ser casada e também ter um filho militar.

Além disso, lecionou por uma década em uma unidade do gênero.

A ação enérgica e carinhosa colhe resultados positivos.

No Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), os indicadores subiram: de 3,9 (2013) para 4,6 (2015) na 8ª série/9º ano e de 5,5 (2013) para 6,2 (2015) entre alunos da 4ª série/5º ano.

Sinal que o apreço ao capricho traz resultados positivos.

Quem entra na escola se depara com o belo quadro do último imperador brasileiro, que empresta o nome à instituição.

Fernando De Maria
Fernando De Maria
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