Porto de Santos comemora 127 anos com boas expectativas na economia | Boqnews
Sérgio Coelho Codesp.
Foto: Sérgio Coelho/Codesp
3 de fevereiro de 2019

Porto de Santos comemora 127 anos com boas expectativas na economia

Sábado, 2 de fevereiro de 1892, o vapor inglês Nasmyth atracava nos primeiros 260 metros de cais do Porto de Santos. Assim a história do maior porto da América Latina começou a ser construída.

Exatos 127 anos depois, a expansão do cais acabou transformando a economia de Santos, da Baixada Santista, do Estado e do País.

A onda de otimismo é elevada em razão da chegada do novo governo Bolsonaro.

Pelo menos entre os representantes das prefeituras de Santos e Guarujá, que, ao lado de Cubatão, são as cidades que abrigam empresas do segmento.

De acordo com o secretário de Assuntos Portuários, Indústria e Comércio e vice-prefeito de Santos, Sandoval Soares, o governo Bolsonaro vem indicando uma descentralização de decisões de Brasília. Portanto, devido ao lema imposto pelo presidente de “Mais Brasil, menos Brasília”, Soares observa um futuro promissor ao cais santista.

No entanto, o secretário afirma que as decisões precisam ser agilizadas, com participação dos empresários que aqui investem e também da classe trabalhadora.

“A Autoridade Portuária tem que ser estadualizada com participação do Município”, acrescenta.

 

Expectativas das Prefeituras aumentaram após a entrada de Bolsonaro. Foto: Sérgio Furtado

 

Novos projetos

Soares afirma que trabalhará para tirar do papel o projeto Porto-Indústria, que consiste em uma Zona de Processamento de Exportação-ZPE, que traria indústrias não poluentes, que transformem matérias primas em produtos finais destinados à exportação.

“Isto vai gerar mais desenvolvimento à cidade, proporcionando empregos e elevando ainda mais a movimentação do Porto”, pontuou.
Assim como Santos, a Prefeitura guarujaense também se mostra otimista quanto à nova equipe.

Em nota, a Administração informa que iniciará, “o mais breve possível, um amplo diálogo para a retomada de dois projetos prioritários para o Município”.

Eles seriam as construções da segunda fase da Avenida Perimetral e a de um pátio público para carretas.

“Em 2018 foi instituído um grupo de trabalho entre técnicos da prefeitura e da Codesp. A ideia é retomar os trabalhos com a construção de uma agenda propositiva e um cronograma de ações”, finaliza.

Expectativas e recordes

As movimentações de cargas no ano passado foram satisfatórias para a Companhia de Docas do Estado de São Paulo (Codesp). E tendem a crescer ainda mais.

De acordo com a autoridade portuária, as projeções estimam movimento de cerca de 230 milhões de toneladas.

Ou seja, com crescimento de 60% no movimento de contêineres de 2018 a 2030.

Eles acrescentam que esses números se atrelam a maior quantidade de navios porta-contêineres, chegando a 50% do total de navios no porto em 2030, “consolidando o Porto de Santos como um hubport”.

A Codesp projeta para 2019 um movimento de 136,4 milhões de toneladas em mercadorias, “uma expansão de 3,7% sobre o resultado estimado para 2018”.

No ano passado, foram movimentados 133,16 milhões de toneladas, número já 2,5% superior ao resultado observado em 2017.

Otimismo nas alturas

Como os setores públicos, a Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados (ABTRA) avalia com otimismo a postura mais liberal do governo Bolsonaro.

Segundo o diretor-executivo da ABTRA, Angelino Caputo, a nova gestão abre espaço para o capital privado, reforçando as parcerias público-privadas.

“Ainda aumenta a expectativa dos setores de portos, retroportos e logístico”, pontua.

O diretor ainda espera que a nova gestão restitua as autonomias da Codesp e de outras autoridades portuárias.

Ele aguarda que a administração promova a regionalização da gestão do Porto de Santos.

Sindicato receoso

Nem todos os aspectos sobre o novo Governo Federal são positivos.

Conforme o Sindicato dos Empregados Terrestres em Transportes Aquaviários e Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Settaport), as perspectivas são as piores.

O presidente e vereador, Chico Nogueira (PT), teme o desmonte dos sindicatos e do enfraquecimento do Ministério do Trabalho, relata.

Conforme ele, mesmo com os recordes de movimentação de cargas, os número de desempregados no setor permanece elevado.

Já o professor universitário e especialista em gestão portuária, Hélio Hallite, acredita que ocorrerão profundas transformações no cenário regional.

“Espera-se pelo fim da ingerência partidária e a retomada dos investimentos devidos pela União em infraestrutura”, relata.

Hallite salienta que o Governo deverá fazer melhorias em alguns dos acessos, sejam eles, rodoviários, ferroviários, ou em outros quesitos.

Outro ponto destacado pelo professor foi o da economia santista. Segundo ele, Santos está abaixo do esperado com relação a sua capacidade operacional.

No entanto, ele assegura que, se existissem mais tipos de cargas seguramente teríamos sérios problemas, por conta dos gargalos logísticos.

“A economia regional já esteve melhor em outros tempos onde a Cia. Docas investia nas cidades e os empregos gerados mantinham os setores de serviços e o comércio bem aquecidos”, relembra.

Hélio Hallite acredita que o governo deverá realizar melhorias em alguns acessos rodoviários e ferroviários. Foto: Acervo Boqnews

Da Redação
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