Censo de árvores é concluído no primeiro bairro de Santos, a Pompeia
Projeto estatístico é o primeiro da categoria na Cidade. Com início na segunda quinzena de dezembro, pesquisa deve ser finalizada no fim do próximo ano
Fita métrica, trena, máquina fotográfica, bastão com 1,30m de altura. Este é o material de trabalho das estagiárias da Secretaria de Meio Ambiente (Semam), Gabriella de Ponte e Natália Pertusi, que diariamente percorrem as ruas de Santos para fazer história.
Elas estão preparando o primeiro censo arbóreo da Cidade, que em um primeiro momento vai mapear as espécies localizadas na área insular plana.
O trabalho é coordenado por Sandra Pivelli, bióloga da Semam. O primeiro bairro percorrido por elas já foi completamente mapeado: a Pompeia.
São 373 árvores de 41 espécies e predominância de ingás, saboneteiras, ipês, quaresmeiras e oitis.
O primeiro Censo Arbóreo de Santos teve início na segunda quinzena de dezembro. No momento, os trabalhos prosseguem no Gonzaga.
A Semam estima que todos os bairros estejam avaliados até o final de 2020.
Agressões
Entre os dados obtidos na Pompeia, o Censo descobriu, por exemplo, que mais de 90% das 373 árvores apresentavam algum tipo de agressão.
“Encontramos a presença de pregos, pinturas, nomes, placas, cortes nos troncos e até mesmo podas sem autorização. Tudo isso é proibido pela legislação e pode gerar multas superiores a R$ 5 mil aos infratores”, explica o engenheiro agrônomo João Cirilo. Ele é chefe do Departamento de Políticas e Controle Ambiental da Semam.
Por outro lado, o estudo também constatou que cerca de 30% das árvores possuíam algum tipo de proteção, como cercas providenciadas pelos próprios munícipes.
Berços (espaço para o plantio na calçada) menores que 60cm x 60cm e com a presença de lixo também foram ocorrências verificadas em mais de 20% das árvores analisadas.
Bem como a existência de mais de uma espécie no mesmo berço. Dessa forma, denota-se que o plantio foi feito sem autorização da Prefeitura.
Como é feito
Uma vez na rua, as estagiárias medem o diâmetro do tronco. Elas também medem a altura do espécime. Na Pompeia, as árvores mais altas foram um chapéu de sol e um guanandi. Ambos com cerca de 20 metros.
O trabalho mensura ainda o formato e o diâmetro das copas, o tipo de pavimento utilizado nas calçadas (mosaico, ladrilho hidráulico, concreto etc) e o estado de conservação do piso.
Além disso, são anotadas a presença de flores, insetos, parasitas e epífitas (bromélias, orquídeas, samambaias etc). E também possíveis interferências com a rede elétrica ou hidráulica.
Para Sandra, o trabalho “permite aprender muito não só da biologia das árvores, mas entender a relação das pessoas com elas”.
População
Curiosa, a população questiona a respeito do trabalho quando a equipe este em campo.
“Há pessoas que querem a retirada de árvores sadias, por falta de consideração. É importante que saibam a relevância de ter uma árvore por perto”, afirma Gabriella, que cursa Engenharia Ambiental.
“A prática é muito importante para nós, principalmente em relação à identificação das espécies e a avaliação fitossanitária das árvores”, diz Natália, que faz licenciatura em Ciências Biológicas.
Cada árvore mapeada ganha um registro digital e é localizada no sistema de georreferenciamento da Prefeitura.
Posteriormente, o censo poderá nortear o planejamento arbóreo de Santos. Seja para ampliar a oferta de áreas verdes em alguns locais e também para aumentar a diversidade de espécies. Dessa forma, irá oferecer alimentos mais variados à fauna.
“Além de todos os dados serem disponibilizados ao público, esse levantamento inédito permitirá com que qualquer administração possa planejar e conservar o patrimônio arbóreo com muito mais facilidade e economia”, afirma o secretário Marcos Libório.