No caso da maioria
Nem tudo que é de comer é uma unanimidade no mundo. Afinal, são mais de seis bilhões de pessoas no planeta, com culturas e pensamentos diferentes. No entanto, há algumas iguarias que, nos quatro cantos da Terra, são aclamadas pela esmagadora maioria da população. E dentre elas está a famosa pizza, que na próxima sexta-feira (10), comemora sua data “oficial”. Pelo menos no calendário paulistano – embora, a bem da verdade, já seja “praxe” em muitos lugares do Brasil.
A data foi instituída em 1985, pelo então secretário de Turismo de São Paulo, Caio Luís de Carvalho, após o sucesso de um concurso estadual que visava eleger as 10 melhores receitas para as tradicionais pizzas de mussarela e margherita. Desde então, já se vão 24 anos, tornando, principalmente, a Capital um centro mundial de adoração à pasta culinária, embora Santos também não fique atrás. Afinal, são 154 pizzarias em toda a cidade, conforme dados da Secretaria Municipal de Finanças (Sefin), sendo muitas tradicionais e até premiadas nacionalmente, como a Kokimbos, cuja pizza Gabriela (confira esta e outras sugestões no quadro) foi a vencedora da etapa paulista da Copa Brasil de Pizzarias, no ano passado.
Evidentemente, a pizza como conhecemos hoje é originária da Itália, embora o caminho até lá seja uma incógnita. De um lado, há quem defenda o início da história no antigo Egito, há mais de seis mil anos. De outro, a afirmação é a de que os gregos são os precursores. Há relatos, ainda, de que os babilônios e os fenícios também tenham participação nesse percurso. No caso dos primeiros, conta-se que o nome dado ao pão por eles preparados, a partir do trigo e da água e assados em fornos rústicos, era de piscea. Pão esse que chegaria ao território italiano pelos turcos, na Idade Média.
O porto a receber tais “encomendas” árabes foi o de Nápoles, onde a iguaria começaria a ser lapidada para chegar à qualidade que hoje é aclamada em todo o mundo. No começo, a pizza chegava para ser um alimento basicamente “matador” de fome na comunidade pobre da cidade italiana. Desde aquela época, já era um disco de massa com seus ingredientes espalhados na parte de cima, vendidos nas ruas. Com o tempo, a comida foi conquistando até mesmo os de mais posse, tornando-se um comércio bastante interessante. Tanto que a primeira pizzaria que se tem notícia, a Port’Alba, passou a ser local de encontro de muitos nomes famosos italianos.
Massificação
Dentre a variedade de colonizadores brasileiros, a participação italiana, especialmente na região de São Paulo, é marcante. Foi justamente graças a esses imigrantes que a pizza ganhou espaço no Brasil – e a consequente chegada dos estrangeiros pelo Porto de Santos colaborou com a massificação da cultura da pizza na Cidade, espalhando-se pela região.
Mas como explicar o alcance que a pizza tomou nos últimos anos? O site americano Encylopizza relata cinco pontos essenciais que ajudam a entender tal fato. São eles: a combinação de ingredientes de todos os tipos básicos de alimento; o envolvimento pessoal direto na produção (corte, colocação de ingredientes); a utilização de sabores mundialmente conhecidos (queijo e pão fresco, por exemplo); a variação de possíveis composições dentro do mesmo tipo de pizza; e principalmente, a capacidade de socializar pessoas.
Esse ponto, aliás, é considerado pelo proprietário da Cantina Liliana, Hélio Brienza Cunha, como o principal. “Você não vê uma pessoa ir sozinha à pizzaria. Ou se vê, é algo muito raro. Comendo pizza, discutem-se ideias, bate-se papo e promovem-se festas e reuniões. Ela (pizza) ajuda a unir mais a turma”.
Adelson Marne Bernardo, gerente da Van Gogh, aponta a questão da produção “manual” da pizza como uma das razões para ela ser tão apreciada, tanto aqui como fora do País. “É um fator cultural. O modo artesanal de preparo e os cuidados na seleção dos ingredientes fazem com que a fabricação da pizza seja uma verdadeira arte”, destaca.