Exercícios no mar
Tomar um banho de mar nos dias quentes de verão é quase que uma obrigação. Imagine juntar esse momento de descanso e de contato com a natureza com exercício físico. É o que promete o deep water running.
Com movimentos que lembram os princípios da hidroginástica, a modalidade é praticada no mar, com o uso de uma bóia flutuante. Além da disposição, o esporte junta o exercício físico com lazer sem esquecer, é claro, do bronzeado, que é adquirido normalmente durante as aulas. 
Como funciona
Para os que assistem os praticantes da areia fica difícil saber o que está sendo feito, já que praticamente todo o corpo fica submerso no mar. “O acessório indispensável para a prática do deep water é uma bóia flutuante, que fica submersa. É ela quem dará estabilidade ao corpo para a prática dos movimentos. Justamente por causa da bóia, que fica estável e não permite que o corpo afunde, os que não sabem nadar podem aderir à modalidade“, comenta o professor de educação física James Tonelli.
“O esporte mescla movimentos de corrida, que atua nos membros inferiores, e também trabalha com exercícios para os braços, costas e peitos. “Usamos alguns movimentos bem conhecidos da hidroginástica”, comenta Tonelli. 
Graças à força do mar, esses movimentos podem ser intensificados, de acordo com o nível do aluno, sem usar pesos extras. “Em algumas ocasiões podemos utilizar a força da correnteza e maré para intensificar os exercícios”, comenta.
A diferença para a tradicional hidroginástica, segundo o professor, é o impacto. Na piscina, os pés tocam no chão, o que não acontece no mar. A bóia flutuante é utilizada para que seja possível atingir uma profundidade maior. “Como não tem impacto, a modalidade preserva mais as articulações”, afirma Tonelli. 
“Em baixo d´agua a força da gravidade atua de baixo para cima, o que reduz o impacto. Além disso o peso corporal diminui, facilitando a execução dos movimentos sem que haja um esforço físico grande”, acrescenta o professor.
Segundo ele, a água também colabora para a melhora da circulação e de lesões musculares. “Esse exercício também atua como fisioterapia”, garante. “Só tem o que melhorar. Não há contraindicação”.
Benefícios
O aposentado, Ronaldo de Souza, de 57 anos, é adepto das aulas há 7 anos. Ele conta que, antes de aderir à modalidade, tinha vários desvios na coluna e dois bicos de papagaio. “Havia situações que eu ficava totalmente travado e mal conseguia sair de casa. Nunca mais senti dor”, afirma.
“Além da melhora física, o aposentado comenta que o contato com a natureza, principalmente nos dias de verão, melhoram a disposição e o bem-estar. “É maravilhoso. Melhorou muito a minha auto-estima”, conta. “Com a melhora na saúde, Souza resolveu levar a irmã, Cilene Souza dos Santos, de 60 anos. Deficiente visual, ela já pratica deep water running há 6 anos.
Desinibida e bem acostumada com o mar, ela lembra a dificuldade das primeiras aulas. “Por causa do meu sobrepeso eu perdi a força nas pernas e mal conseguia ficar de pé sozinha”, conta.
Além dos quilos a menos, Cilene conquistou a independência nos movimentos novamente. “Nunca mais caí”, diz, orgulhosa. O contato com a natureza, com certeza, fez a diferença. “Adoro o mar. Fazer exercício se torna muito mais prazeroso e melhor do que ir à academia”, afirma.
Os benefícios para o corpo são muitos, mas o bem- estar também deve ser levado em conta na prática do exercício físico. A sensação de relaxamento que o contato com a natureza proporciona reflete em alguns problemas como stress e hipertensão. “Tomava oito remédios para hipertensão”, conta a dona-de-casa Gisleine Spina, de 57 anos. “Sinto-me ótima”, complementa.