Fluência como diferencial
A necessidade cada vez maior para ampliação das qualificações e a aproximação com o universo pop, principalmente estadunidense, fez com que o inglês perdesse a qualidade de “diferencial”, tamanha sua obrigatoriedade, e fez com que uma das mais temidas perguntas de empregadores mudasse. De “Você fala inglês?”, passou a “O que você fala além de inglês?”.
As mudanças são visíveis para Sheila Nascimento, professora de inglês há mais de 30 anos, e que presenciou todo o processo que levou o idioma nativo de países como Inglaterra e Estados Unidos a ser imprescindível para o dia-a-dia. “Quando comecei a dar aula, poucas pessoas estudavam inglês, e não tinham tantas escolas”, lembra.
O aumento do alcance de produções norte-americanas e a necessidade da manutenção de um contato cada vez mais próximo com tecnologias estrangeiras, provocou alterações no próprio perfil das aulas e das escolas de idiomas, principalmente no inglês. “A tendência à especialização para o mercado chegou também à língua inglesa e houve uma necessidade de adaptação, com a criação dos cursos de inglês específicos para negócios, por exemplo”, resume Sheila.
Duas consequências são apontadas como visíveis pela professora. Uma delas foi a redução de barreiras entre o inglês americano e o usado no Reino Unido. A outra foi um aumento grande na procura por cursos, e a própria obrigatoriedade, por lei, de que estes fossem ministrados nas redes de ensino. Ocorre que reside aí a maior das dificuldades, que é a aplicação de aulas para jovens que, via de regra, já fazem ou concluíram cursos externos de inglês. “(O inglês) nas escolas é precário. Por quê? Porque há uma tradição das escolas em não dar muita importância, mesmo que seja um idioma fundamental e que os vestibulares o exijam”, afirma.
Espanhol
Desde 2005, um outro idioma ganhou espaço obrigatório também nas grades escolares: o espanhol, terceiro idioma mais falado no mundo, à frente até do inglês, segundo o livro The Ethnologue: languages of the world. Embora ainda não possua uma procura comparável a do inglês, a língua dos vizinhos sul-americanos segue passos antes traçados pela língua inglesa.
Mandarim
A expansão da economia chinesa fez com que o aprendizado de mais um idioma ganhasse força ao redor do mundo, por ser apontado, por alguns especialistas, como a “língua do futuro”. O mandarim, idioma falado na China, tem o maior número de nativos no mundo: 1,2 bilhão, em média. Segundo Tsai Chieng Jong, professor e diretor do Centro Taioista de São Paulo, a procura pelo curso de mandarim aumentou, principalmente, pela demanda de interpretes. No entanto, o professor alerta: para aprender, é necessário muita paciência. “Trata-se de uma língua fonal, cujo trabalho é mais complexo. É como a música, que se domina de ouvido”, explica.