Hora da renovação | Boqnews
8 de julho de 2010

Hora da renovação

A eliminação da seleção brasileira não trouxe somente tristeza e até revolta aos torcedores. Veio também acompanhada com uma preocupação que poucos haviam se atentado, e que só ficou clara com o desempenho de um de seus grandes rivais na Copa do Mundo: é necessário renovar.


E não se trata apenas de mudar o comandante ou a comissão técnica – como já foi feito-, mas de preparar uma equipe nova para o desafio dos próximos anos: conquistar pela primeira vez a medalha de ouro olímpica e, enfim, alcançar o hexacampeonato mundial na Copa de 2014, que será no Brasil e alvo de intensa pressão, para que os fantasmas de 1950  desapareçam definitivamente.


Não se trata de uma caça às bruxas, mas da constatação de que a seleção que esteve África do Sul foi a de maior média de idade da história do Brasil em mundiais. Somente 12 dos 23 convocados pelo então técnico Dunga estavam abaixo dos 30 anos; e que apenas um deles – Ramires – tem uma idade considerada “olímpica” (23 anos). Só que em 2010.


 Sendo assim, a expectativa é de que o grupo que defenderá o País em 2014 seja bem diferente daquele que foi eliminado pela Holanda. Algo que só agora foi defendido pelo presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira. Depois do fiasco da seleção.


Meninos da Vila
O reflexo automático, especialmente após as atuações que impressionaram o Brasil no primeiro semestre, é puxar os holofotes para a Vila Belmiro e, mais especificamente, para a dupla Neymar e Paulo Henrique Ganso. Nomes que, para muitos torcedores, palpiteiros e jornalistas, poderiam ter um lugar na própria seleção de Dunga em 2010.


A única unanimidade sempre fora Ganso, pela sabida lesão de Kaká no púbis e as enormes dúvidas que existiam sobre a possibilidade de Julio Baptista exercer a mesma função do camisa 10 brasileiro, em caso de suspensão.


Já Neymar era visto com remotas possibilidades devido à elevada concorrência, pois Robinho, Nilmar e Luís Fabiano sempre estiveram certos, e o atacante em questão deveria ter um perfil mais “trombador”, pelo menos na visão de Dunga.


O discurso da renovação já motivou a montagem de diversas “seleções”, e na visão de muitos, Neymar e Ganso serão peças imprescindíveis. Alexandre Pato, atacante do Milan, também é nome constante. Especialistas apontam o trio como a “cabeça” do time que brigará pelo Mundial de 2014 e pelo ouro em Londres, em 2012. Mas não poderiam ter dado início a esse processo em 2010, integrados à equipe na África do Sul?


Na visão do jornalista e comentarista da ESPN Leonardo Bertozzi, pela forma como as situações ocorreram eles não teriam chances. “O que foi feito na era Dunga foi fechar um grupo cedo demais, e isso não deu espaço aos mais jovens. Nesse aspecto, o que um cara de 18 anos poderia fazer de última hora para convencê-lo?”, pondera.


Para o jornalista do portal Terra, Dassler Marques, Dunga até possuía opções de qualidade para 2010. “Lucas (ex-Grêmio, atualmente no Liverpool) ou Sandro (Internacional) eram tão bons quanto Kléberson. Ganso é muito melhor que Júlio Baptista. Neymar e Pato seriam mais úteis que Grafite. Afinal, quando se precisou de mais uma opção a Luís Fabiano, a escolha acabou sendo pelo Nilmar”, considera.


“Com um pouco de boa vontade, poderíamos até pensar que jovens como o Diego Alves (goleiro do Almeria-ESP, ex-Atlético-MG) e o Marcelo (lateral do Real Madrid) poderiam fazer parte do time.


Exemplo germânico
A Alemanha, por sua vez, seguiu um processo diferente ao brasileiro, e dentro de seu projeto, vem obtendo resultados. Em 1998, após ser eliminada nas quartas-de-final, a equipe contava com apenas oito jogadores (em 23) com menos de 30 anos. Esse número subiu para 15 em 2002 (vice-campeã), 18 em 2006 (3º lugar) e 20 em 2010 (brigará pelo terceiro lugar).


Mais: em 2006, foram oito atletas até 23 anos, e em 2010,  nove. O desempenho em campo, nas duas ocasiões, esteve entre os mais elogiados, num trabalho assumidamente a longo prazo da federação alemã. “É sempre interessante ter jovens em um grupo. Traz outro tipo de motivação e, claro, planta-se uma semente para os anos seguintes”, avalia Marques.


As principais “sementes” plantadas em 2006 atendem pelos nomes de Bastian Schweinsteiger e Phillip Lahm. Ambos debutaram em mundiais há quatro anos, foram bem, ganharam experiência e em 2010 firmaram-se como líderes da equipe na África do Sul, ao lado dos jovens Mesut Özil e Thomas Müller – “sementes” de 2010 e que deverão assumir ainda mais preponderância até 2014.


Sem atropelar
“A Alemanha já tinha uma base montada para a Copa, mas não fechou as portas. Os jovens foram sendo inseridos de forma natural, sem pressão”, alerta Bertozzi, apontando para um dos riscos desse novo pensamento que permeia o futebol brasileiro: a ruptura total com a geração de 2010.


“Acho que não é questão de romper com tudo, pensando em 2014. Não adianta fazer um time inteiro de meninos, convocar desde já a equipe de 2014. Você não pode falar que Kaká, Júlio César e Maicon não estarão na próxima Copa. Pelo contrário. Com a experiência deles, dariam até mais tranquilidade aos mais novos. O mais sensato é haver essa mescla”, explica o jornalista da ESPN.


“Penso que deve haver todo um planejamento. Você chama o Júlio César, por exemplo. Ele estará com 32 anos, sem problemas para uma nova Copa se estiver bem tecnicamente. Vale a pena levar? Claro, mas também é interessante chamar um segundo goleiro, mais jovem, para ele já adquirir experiência de seleção”, adiciona o ex-treinador da seleção sub-17, Lucho Nizzo.


Outro risco de um processo atabalhoado é a alta “volatilidade” que pode ocorrer. “Há um perigo de se montar uma seleção centralizada no Neymar e no Ganso. É muito prematuro fazerem isso agora. Eles têm que estar no grupo e será natural que apareçam nas primeiras convocações, mas que não sejam os protagonistas por agora. Que façam parte de um planejamento”, considera Bertozzi, lembrando que o ímpeto pela renovação desenfreada já prejudicou o ex-jogador Paulo Roberto Falcão quando assumiu a seleção brasileira após o fiasco da Copa de 1990.


“A gente vê o Ricardo Teixeira falando que o planejamento é para 2014, mas sabe que a seleção é cobrada por resultados. O Falcão assumiu com esse pensamento em 1991, rompeu com a geração de 90, mas pagou pela falta de títulos como a Copa América ou a Copa das Confederações”, completa.


O primeiro desafio será em 2012, com as Olimpíadas, na Inglaterra. A pressão é grande pelo fato de ser a única competição que o Brasil nunca venceu, e a expectativa de Ricardo Teixeira é que a base do time em Londres esteja na Copa de 2014.


A questão, porém, tem relação com o fato do constante surgimento de valores no País. “Há um ano, todo mundo cravava o Keirrison (ex-Palmeiras) na seleção de 2014, mas ele sumiu na Europa”, lembra.

Da Redação
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